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Caso Ana Clara Machado

A menina Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos, foi vítima de um tiro mortal dispa

2 min de leitura•01/10/2026
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A menina Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos, foi vítima de um tiro mortal disparado durante uma operação policial em Cantagalo, região de Pendotiba, Niterói, no dia 2 de fevereiro de 2021. Segundo as acusações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), dois tiros foram disparados por um policial militar identificado como Bruno Dias Delaroli. Ana Clara estava brincando na porta da casa quando foi atingida, morrendo instantaneamente.

O irmão mais novo dela, com apenas dois anos, presenciou todo o ocorrido e foi testemunha do crime brutal. A mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes, relatou ter implorado aos policiais para que socorressem a menina quando ela foi levada ao Hospital Estadual Azevedo Lima, onde recebeu atendimento mas não resistiu à gravidade dos ferimentos.

A investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói revelou a recuperação de cápsulas de fuzil 7,62mm, iguais às utilizadas pela força policial. Os policiais envolvidos no incidente negaram ter disparado armas de fogo, o que contrastava com os relatos das testemunhas, incluindo o irmão da menina. A juíza Monique Brandão dos Santos Moreira também destacou um depoimento que sugeriu que as cápsulas tenham sido recolhidas pelos próprios policiais após o incidente.

Bruno Delaroli foi preso em 4 de fevereiro do mesmo ano, dois dias após o crime. Ele já respondia por outro homicídio, que havia sido condenado pela justiça em primeira instância no ano de 2018, sendo considerado como cometido "por motivo fútil". Delaroli seria liberado ainda naquele ano para responder ao processo de forma temporária.

O caso ganhou destaque novamente no noticiário em 2024 quando o senador da República e advogado Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa do cabo da PM, visando retardar seu julgamento. O parlamentar assinou uma petição ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o recurso foi negado pelo tribunal. Políticos da oposição, como Marcelo Freixo, questionaram os motivos de um senador utilizar seu poder político para defender um policial acusado de assassinar uma menina.

Em 30 de setembro de 2026, a série documental Revelando abordou o caso no terceiro episódio intitulado "O Julgamento que Nunca Aconteceu". A apresentação foi feita pela atriz Camila Pitanga e incluiu depoimentos da mãe de Ana Clara. O episódio estabeleceu uma ligação entre esse caso e outros assassinatos cometidos por policiais homenageados por Flávio Bolsonaro, como o de Adriano da Nóbrega.

O julgamento do policial Bruno Delaroli se tornou o ponto central para questionamentos sobre a influência política na justiça criminal no Brasil. O caso Ana Clara Machado continua sendo um exemplo paradigmático das implicações humanas e políticas associadas às ações policiais, ressaltando as necessidades de reforma e transparência neste setor crucial da sociedade.

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