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Casa de Bragança

Dinastia real portuguesa

7 min de leitura01/01/2024
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A Sereníssima Casa de Bragança é uma dinastia de origem portuguesa, tendo sido uma das mais importantes e influentes na Europa e no mundo até ao início do século XX. Foi a última casa soberana do Reino de Portugal, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e do Império do Brasil.

Foi a última dinastia real soberana do Reino de Portugal (1139–1910), e do império ultramarino colonial português, por quase quatro séculos, tendo ascendentes nas dinastias anteriores. Reinou em regime tradicional até 1820, depois, em decorrência da implantação da monarquia constitucional em Portugal, passou a reinar em regime constitucional.

Também foi a casa soberana do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815–1822), quando da elevação da colônia do Brasil a reino em 1815, voltando à denominação de Reino de Portugal após a independência do Brasil, em 1822.

No Império do Brasil (1822–1889), foi sua casa soberana por via dum ramo colateral. Com a morte de Pedro II do Brasil, o ramo brasileiro extingue-se em linha masculina, e sua titularidade é reivindicada pela Casa de Orléans e Bragança, descendente da filha mais velha e herdeira do imperador, a princesa Isabel do Brasil.

Para alguns historiadores e académicos, pelo casamento da rainha D. Maria II de Portugal com o príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Koháry, a Casa de Bragança ter-se-á extinto dando origem à Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota. No caso do ramo familiar em Espanha, é conhecido como a Casa de Bourbon-Bragança.

A Casa de Bragança teve origem com Afonso I, filho ilegítimo de João I de Portugal — fundador da Casa de Avis — e Inês Pires. Embora fosse um "bastardo real", Afonso gozava de grande prestígio na corte o que se comprova por seu casamento com Beatriz Pereira de Alvim, filha de Nuno Álvares Pereira, um dos mais poderosos generais lusitanos e amigo particular de João I. Além de ampliar seu prestígio social através do casamento com uma importante casa dinástica, Afonso também tornou-se o oitavo Conde de Barcelos, honra a ele concedida por seu sogro que havia sido feitado o sétimo conde pelo rei.

Com o seu lugar recentemente consolidado na nobreza portuguesa, Afonso iniciou o que seria uma carreira política e social de grande sucesso. Em 1415, participou na Conquista de Ceuta ao lado do pai, dos irmãos e dos principais membros da nobreza e militares. À data da morte do pai, em 1433, Afonso tinha conquistado a simpatia do irmão, o rei Duarte I e do restante da alta sociedade portuguesa. Com a morte prematura de seu irmão em 1438, foi estabelecida uma regência para seu sobrinho Afonso V, de 6 anos, sob a liderança da rainha-mãe Leonor de Aragão e de Pedro, Duque de Coimbra. A regência do Duque de Coimbra, no entanto, logo se mostrou impopular e Afonso rapidamente se tornou o conselheiro preferido do rei. Em 30 de dezembro de 1442, o Duque de Coimbra nomeou Afonso como Duque de Bragança, num gesto de boa vontade e reconciliação entre os dois irmãos. A elevação de Afonso ao ducado, o mais alto título do pariato, marcou a fundação da história ducal da Casa de Bragança, que viria a tornar-se a mais proeminente dinastia da história portuguesa.

Como resultado do trabalho árduo e do sucesso de Afonso I, todos os seus filhos obtiveram posições de sucesso e viveram vidas privilegiadas. O primogênito Afonso de Bragança, foi um destacado membro da nobreza, tendo recebido de seu avô Nuno Álvares Pereira o poderoso título de Conde de Ourém em 1422. Como diplomata, serviu como representante do rei no Concílio de Basileia em 1436 e no Concílio de Florença em 1439. Em 1451, o Conde de Ourém foi feito Marquês de Valença e escoltou a Infanta Leonor de Portugal em seu casamento com Frederico III, Sacro Imperador Romano. Mais tarde, em 1458, participou no cerco e subsequente conquista de Alcácer-Ceguer. O Marquês de Valença, no entanto, morreu em 1460 antes de seu pai e não assumiu o título.A primeira filha de Afonso I, Isabel de Bragança, casou-se com o Infante João, Senhor de Reguengos de Monsaraz, religando assim os membros da Casa de Bragança à Casa Real de Portugal. O casamento estratégico de Isabel foi bem-sucedido e gerou quatro filhos, cujos descendentes seriam alguns dos mais importantes da história ibérica. O último filho e sucessor de Afonso I, Fernando I, deu continuidade ao seu legado de destaque militar e nobiliárquico.

Ao nascer, Fernando I herdou o título de Conde de Arraiolos. Fernando tornou-se um reconhecido militar, participando de várias campanhas colonialistas portuguesas. Embora Fernando I fosse um membro popular e poderoso da nobreza, se opôs ao rei Afonso V perante as Cortes portuguesas pelo resgate do Infante Fernando dos mouros. Posteriormente, Fernando I tornou-se um favorito real de Afonso V, valendo-lhe o cargo de Governador de Ceuta e os títulos de Marquês de Vila Viçosa e Conde de Neiva.

Os filhos de Fernando I e Joana de Castro continuaram a ampliar os domínios e a influência da Casa de Bragança na corte. De seus nove filhos, todos os seis que sobreviveram até a idade adulta se estabeleceram por meio de cargos ou casamentos apesar das tentativas de enfraquecimento de sua influência pelo rei João II. O primeiro filho e sucessor de Fernando I, Fernando II, foi inicialmente um nobre brilhante e popular, mas seu conflito com o monarca propiciou a queda da influência dos Bragança. O seu segundo filho, João, Marquês de Montemor-o-Novo, foi feito Condestável de Portugal. O terceiro filho de Fernando, Afonso de Bragança, tornou-se um fidalgo popular e foi feito Conde de Faro. O quarto filho do Duque, Álvaro de Bragança, herdou os feudos de sua mãe, tornando-se o quinto Senhor de Ferreira, quarto Senhor do Cadaval e Senhor de Tentúgal. A filha sobrevivente mais velha de Fernando, Beatriz de Bragança, casou-se com Pedro de Meneses, Marquês de Vila Real. A última filha sobrevivente de Fernando, Guiomar de Bragança, casou-se com Henrique de Meneses, 4.º Conde de Viana do Alentejo. Porém, os filhos e netos de Fernando I sofreriam grandes dificuldades sob o reinado de João II.

Durante a vida do terceiro duque, Fernando II, a Casa de Bragança era sem dúvida uma das maiores casas nobres de Portugal e da Península Ibérica. Fernando II deu continuidade ao legado de aquisições de seu pai e recebeu o título de Duque de Guimarães. Entretanto, o reinado de João II voltou-se para a consolidação e centralização do poder real e consequente diminuição dos poderes da nobreza. Em sua missão de centralização do poder, o rei executou muitos nobres das grandes casas de Portugal, além de confiscar suas propriedades e exilar suas famílias. Fernando II, tendo sido um nobre proeminente e poderoso, foi acusado de traição e executado por João II em 1483. Os títulos e propriedades da casa foram anexados pela Coroa e seus membros exilados em Castela.

Devido aos infortúnios do pai, os filhos de Fernando II e Isabel de Viseu tiveram inicialmente uma infância tumultuada; mas o sucessor de João II, Manuel I, que tinha sido ele próprio Duque de Beja, optou pelo indulto aos Bragança e restituiu-lhes todas as suas propriedades mediante sua lealdade à monarquia. O filho sobrevivente mais velho e sucessor de Fernando II, Jaime I, regressou a Portugal e restabeleceu-se em Vila Viçosa, antiga sede dos Duques. O único outro filho sobrevivente de Fernando II, Dinis de Bragança, casou-se com Beatriz de Castro Osório, Condessa de Lemos, com quem teve quatro filhos.

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