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Patrick McGoohan

Patrick McGoohan (Astoria, Nova Iorque, 19 de março de 1928 – Los Angeles, 13 de janeiro d

4 min de leitura01/01/2024
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Patrick McGoohan nasceu em 19 de março de 1928 em Astoria, no Queens, Nova Iorque, filho de imigrantes irlandeses que haviam cruzado o Atlântico em busca de uma vida melhor. A trajetória da família, porém, não ficaria nos Estados Unidos. Pouco depois do nascimento de Patrick, seus pais retornaram à Irlanda, estabelecendo-se em Mullaghmore, no Condado de Leitrim. Sete anos depois, uma nova mudança: a família se instalou em Sheffield, na Inglaterra. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu em 1939, o jovem McGoohan foi evacuado para Loughborough, no Leicestershire, onde estudou no Ratcliffe College e se destacou em duas áreas improváveis de coexistir: a matemática e o boxe.

Aos dezesseis anos, McGoohan abandonou os estudos e voltou a Sheffield, onde encadeou uma série de empregos díspares antes de encontrar sua verdadeira vocação. Trabalhou criando galinhas, como atendente de banco e como motorista de caminhões, antes de conseguir um posto de chefe de palco no Sheffield Repertory Theatre. Foi naquele ambiente teatral que o acaso entrou em cena: um ator adoeceu, e McGoohan foi chamado para substituí-lo. A experiência revelou um talento que não poderia mais ser contido.

O teatro também lhe apresentou o grande amor de sua vida. Ele se apaixonou por uma atriz chamada Joan Drummond e passou a cortejá-la com uma dedicação que se tornaria lendária: supostamente, ele lhe escreveu bilhetes de amor todos os dias. Os dois se casaram em 19 de maio de 1951, entre ensaios e apresentações de "A Megera Domada". Joan e Patrick formariam um dos casais mais estáveis do show business britânico, tendo três filhas juntos: Catherine, Anne e Frances.

A carreira de McGoohan cresceu rapidamente nos círculos teatrais e televisivos britânicos. Sua presença magnética, seus olhos intensos e uma capacidade incomum de transmitir tanto ameaça quanto vulnerabilidade o tornaram um ator de grande demanda. Ele acumulou créditos em teatro, cinema e televisão antes de alcançar o papel que definiria seu nome para a posteridade.

Em 1967, estreou a série de televisão britânica "The Prisoner", uma das produções mais originais e desafiadoras já realizadas para o pequeno ecrã. McGoohan não apenas interpretava o protagonista — um agente secreto sem nome que acorda preso numa aldeia misteriosa de onde ninguém pode escapar — como também produzia e escrevia vários episódios. A série era uma meditação filosófica sobre identidade, liberdade e controle social, embalada num cenário de ficção científica paranoica que antecipava temas que só se tornariam dominantes décadas depois. "The Prisoner" foi e continua sendo um marco da televisão mundial, analisado em universidades e reverenciado por criadores em todo o mundo.

No cinema, McGoohan construiu uma carreira sólida, ainda que menos prolífica do que sua atuação televisiva. Um de seus momentos mais memoráveis no grande ecrã veio com "Braveheart", de 1995, dirigido por Mel Gibson, no qual interpretou Eduardo I de Inglaterra, o antagonista cruel e calculista da narrativa sobre William Wallace. Sua performance adicionou camadas de vilania sofisticada a um personagem que poderia facilmente ter sido unidimensional.

McGoohan recebeu o Emmy Award em duas ocasiões ao longo de sua carreira, reconhecimento raro para um ator britânico trabalhando em produções americanas. Apesar de ter nascido nos Estados Unidos, ele era irreversivelmente britânico em sua formação artística e em suas referências culturais. A Irlanda, a Inglaterra e a televisão britânica foram os três pilares de sua identidade como artista.

Patrick McGoohan faleceu em 13 de janeiro de 2009, em Los Angeles, onde havia se estabelecido nos últimos anos de sua vida. Tinha 80 anos. Sua morte encerrou a trajetória de um artista que havia feito da intransigência criativa uma marca registrada: ele recusou papéis e contratos que considerava menores, manteve ao longo de décadas uma fidelidade a si mesmo que é rara no mundo do entretenimento, e deixou uma obra que, pequena em volume, é extraordinária em qualidade e originalidade. "The Prisoner" continua sendo sua maior herança, uma série que desafia o espectador da mesma forma perturbadora hoje como o fazia quando foi ao ar pela primeira vez.

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