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Amadeu VI, Conde de Saboia

Amadeu VI, apelidado O Conde Verde (Chambéry, 4 de Janeiro de 1334 - Campobasso, 1 de Març

5 min de leitura01/01/2024
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Entre os príncipes medievais que governaram os territórios alpinos do norte da Itália, Amadeu VI de Saboia destacou-se de forma singular pela combinação de habilidade militar, astúcia diplomática e um senso de grandeza que se expressava até na escolha das cores de sua armadura. Apelidado O Conde Verde por ostentar armas e bandeiras de matiz esverdeado em todos os torneios e batalhas em que participava, ele construiu ao longo de seu reinado de quarenta anos, entre 1343 e 1383, um Estado sabaudino mais forte, mais respeitado e mais extenso do que havia herdado de seu pai Aimão.

Nascido em Chambéry em 4 de janeiro de 1334, Amadeu VI era filho de Aimão de Saboia e de Iolanda Paleóloga de Monferrato, o que lhe dava laços dinásticos tanto com a nobreza italiana quanto com a família imperial bizantina. Essa dupla herança marcaria sua política exterior de maneiras que poucos poderiam prever na época de seu nascimento. Jovem astuto e empreendedor, acostumou-se desde cedo à violência estilizada dos torneios medievais, onde o verde que escolhia como cor pessoal acabou se tornando sua marca registrada. A fama de corajoso e destemido que construiu nas arenas de cavalaria o precedia mesmo quando ascendeu ao trono, e ele manteve o hábito de se vestir de verde mesmo nas ocasiões de Estado, criando uma imagem única entre os soberanos de sua época.

Os primeiros anos de seu reinado foram marcados por uma crise diplomática que exigia resposta rápida. Em 1349, Humberto II de Viennois, o último Delfim independente da região de Viennois, optou por ceder seu título e principado ao futuro Carlos V de França, então neto do rei reinante Filipe VI. Para Amadeu, essa transferência significava a criação de um vizinho formidável ao norte de seus domínios. Sem hesitar, o Conde Verde entrou em guerra contra a França e, em 1354, conseguiu uma vitória que garantiu suas fronteiras. O tratado de Paris celebrado no ano seguinte foi um documento cuidadosamente negociado: Amadeu cedeu certos territórios ao longo dos rios Ródano e Guiers em troca de reconhecimento como soberano indisputável de Faucigny e do condado de Gex, além de suserania sobre os Condes de Genevois — títulos todos que haviam sido objeto de disputa secular entre Saboia e Viennois.

A expansão territorial continuou em outras direções. Amadeu forçou o marquês de Saluzzo a lhe pagar tributo, estendendo sua influência ao lado italiano dos Alpes. Comprou estrategicamente a passagem de montanha conhecida como Col de Largentière, hoje chamada de Passo Maddalena, na fronteira entre o que hoje são a França e a Itália, por sessenta mil écus, uma quantia enorme para a época. Esse desfiladeiro ligava Lyon ao Piemonte e era de importância comercial e estratégica considerável, controlando uma das principais rotas de comunicação entre o norte e o sul da Europa. A aquisição consolidou Amadeu como um personagem central na política do norte da Itália, levando tanto a República de Gênova quanto a República de Veneza a disputarem sua arbitragem sobre questões como a posse da ilha de Tenedos, no Mar Egeu.

O episódio mais dramático e romanesco do reinado do Conde Verde foi a cruzada que liderou em 1366 em socorro de seu primo João V Paleólogo, imperador bizantino. Com quinze navios e cerca de mil e setecentos homens, Amadeu partiu para o Mediterrâneo oriental numa expedição que combinava motivações religiosas e dinásticas. Junto com forças de Francisco I de Lesbos e do rei Luís o Grande da Hungria, os sabaudinos conseguiram expulsar os turcos otomanos de Murade I de Galípoli, ponto estratégico de entrada na Península Ibérica europeia. Mas João V estava retido como prisioneiro dos búlgaros, e Amadeu virou as proas contra a Bulgária, tomando cidades costeiras do Mar Negro, incluindo os portos de Mesembria e Sozópolis. O ultimato lançado ao czar João Alexandre foi atendido: o imperador bizantino foi libertado, e o Conde Verde passou o inverno em Mesembria antes de retornar. A expedição demonstrou que um príncipe alpino de recursos modestos podia projetar poder militar numa região vastíssima quando a determinação e a logística eram adequadas.

No plano interno, Amadeu VI implementou inovações que merecem destaque. Criou um sistema de assistência social apoiado pelo Estado para os mais pobres, uma iniciativa de rara modernidade no contexto medieval. Fundou ordens de cavalaria que reforçavam a coesão da nobreza sabaudina: a Ordem do Colar, que mais tarde se transformaria na Ordem da Anunciação, e a Ordem do Cisne Negro, criada em 1350 por ocasião do casamento de sua irmã Bianca com Galeazzo II Visconti, senhor de Milão. Esta última tinha como propósito explícito reduzir as disputas entre senhores feudais, obrigando os cavaleiros admitidos a jurarem defender-se mutuamente e renunciar à guerra entre si. Era uma tentativa prática de construir estabilidade através do laço honorífico da cavalaria.

Em 1355 casou-se em Paris com Bona de Bourbon, cunhada do rei Carlos V de França, consolidando alianças que seriam úteis por décadas. O casal teve filhos que continuaram a dinastia, com Amadeu VII sucedendo ao pai. Em 1381, o Conde Verde ainda teve energia para mediar o Tratado de Turim, que pôs fim à Guerra de Chioggia entre Veneza e Gênova, um conflito que havia arrastado boa parte do norte da Itália por anos. Dois anos depois, em 1383, Amadeu VI morreu em Campobasso, aos quarenta e nove anos, durante uma expedição ao sul da Itália. O Verde que havia colorido sua vida havia colorido também a história de Saboia de forma indelével.

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