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Alexandre de Teck

Político britânico

6 min de leitura01/01/2024
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Na virada do século XIX para o XX, a família real britânica era um intrincado mapa de parentescos e lealdades que se espalhava pelas cortes europeias como galhos de uma árvore genealógica sem fronteiras. Em meio a esse universo de títulos e protocolos, nasceu no Palácio de Kensington, em 14 de abril de 1874, o príncipe Alexandre Augusto Frederico Guilherme Alfredo Jorge de Teck — quarto filho e terceiro menino do Duque e da Duquesa de Teck. Poucos poderiam prever que aquele menino de temperamento meticuloso e reação rápida se tornaria, décadas depois, uma figura central no amálgama que uniu a monarquia britânica a dois de seus maiores domínios coloniais.

Sua mãe era neta do rei Jorge III e prima primeira da rainha Vitória, o que colocava Alexandre numa teia de relações imperiais desde o berço. Seu título de nascimento, porém, vinculava-o ao reino de Württemberg — ele era Príncipe Alexandre de Teck, tratado como Sua Alteza Sereníssima, mas não como príncipe britânico. Educado no Eton College e depois no Royal Military College de Sandhurst, formou-se como oficial e, em outubro de 1894, foi comissionado como segundo tenente no 7º Hussars da Rainha. A vida militar o levou rapidamente à África: participou da Segunda Guerra de Matabelee, onde foi mencionado em despachos, e combateu na Segunda Guerra dos Bôeres, recebendo condecorações do rei Eduardo VII.

O casamento, em 10 de fevereiro de 1904, na Capelas de São Jorge do Castelo de Windsor, uniu-o à princesa Alice de Albany, filha do príncipe Leopoldo, Duque de Albany, e neta da rainha Vitória. Alice era também sobrinha do príncipe Arthur de Connaught, que mais tarde se tornaria governador-geral do Canadá — uma dessas circularidades dinásticas que marcavam a aristocracia europeia do período. O casal teria três filhos: a princesa May, nascida em 1906; o príncipe Rupert, em 1907; e o príncipe Maurice, que viveu apenas seis meses, entre março e setembro de 1910.

A Primeira Guerra Mundial transformou o ambiente político da Europa — e com ele, a posição de Alexandre na hierarquia britânica. Era primo e cunhado do rei Jorge V, mas carregava títulos alemães que se tornaram politicamente intoleráveis num país em guerra contra a Alemanha. Em 1917, seguindo a orientação do rei que rebatizou a própria família de Saxe-Coburgo-Gota para Windsor, Alexandre renunciou ao título de príncipe de Teck e foi conduzido ao parlamento britânico como o Conde de Athlone. A transformação foi não apenas simbólica: consolidava sua identidade como figura plenamente britânica.

A carreira diplomática e administrativa ganhou expressão em 1923, quando o rei Jorge V o nomeou governador-geral da União da África do Sul, sob recomendação do primeiro-ministro Stanley Baldwin, para substituir o príncipe Arthur de Connaught. Athlone exerceu o vice-reinado sul-africano até 1930, quando foi sucedido pelo Conde de Clarendon. No intervalo entre os dois vice-reinados, atuou como chanceler da Universidade de Londres, cargo que combinava prestígio intelectual com influência institucional.

A nomeação mais significativa viria em 1940, em plena Segunda Guerra Mundial. O rei Jorge VI, por recomendação do primeiro-ministro canadense William Lyon Mackenzie King, designou Athlone como governador-geral do Canadá, para substituir Lord Tweedsmuir. O momento não poderia ser mais grave: o mundo estava em guerra, e o Canadá mobilizava recursos humanos e materiais em escala sem precedentes para apoiar o esforço britânico. Athlone ocupou Rideau Hall em Ottawa e tornou-se uma presença estabilizadora no país, ajudando a galvanizar o comprometimento canadense com a guerra. Durante seu vice-reinado, foi anfitrião de estadistas britânicos e americanos em encontros estratégicos que moldaram os rumos do conflito.

Em 1946, com a guerra encerrada, Athlone cedeu o posto ao visconde Alexandre de Túnis e retornou ao Reino Unido para se aposentar em seu apartamento no Palácio de Kensington. Renunciou ao comando do 7º Hussars da Rainha em setembro do mesmo ano, mas não se afastou totalmente da vida pública. Foi nomeado para o comitê encarregado de organizar a coroação da rainha Elizabeth II em 1953 e manteve-se como chanceler da Universidade de Londres até 1955 — honrando até o fim a tradição de serviço à coroa.

O Conde de Athlone morreu em Kensington em 16 de janeiro de 1957, aos 82 anos. Era o último bisneto sobrevivente do rei Jorge III, encerrando assim uma linha direta com uma era da monarquia britânica que remontava ao século XVIII. Foi sepultado no Royal Vault na Capelas de São Jorge, no Castelo de Windsor, em 19 de janeiro, e posteriormente transferido para o Royal Burial Ground em Frogmore em 15 de maio do mesmo ano.

Sua vida foi a síntese de uma época em que a monarquia britânica transitou pelo mundo com pompa e responsabilidade, servindo tanto como símbolo de continuidade quanto como agente concreto de governança. Alexandre de Teck transformou-se em Conde de Athlone, perdeu um título alemão e ganhou uma identidade britânica irreversível — espelho de uma nação que, sob pressão da guerra, decidiu ser inequivocamente si mesma.

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