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George Dewey

George Dewey (Montpelier, 26 de dezembro de 1837 - Washington, D.C., 16 de janeiro de 1917

4 min de leitura01/01/2024
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Numa pequena cidade de Vermont, no frio interior da Nova Inglaterra, nasceu em 26 de dezembro de 1837 um menino que se tornaria o único almirante da Marinha americana a alcançar o grau mais alto da patente militar naval dos Estados Unidos. George Dewey veio ao mundo em Montpelier, cidade que pouco sugeria destinos de alto mar, mas desde jovem revelou vocação e determinação para as armas. Aos quinze anos, ingressou numa escola militar, onde a leitura da história do general cartaginês Aníbal o impressionou profundamente — o comandante que cruzou os Alpes com elefantes tornava-se inspiração para um menino de Vermont que ainda não havia visto o oceano.

Em 1854, Dewey foi admitido na Academia Naval de Annapolis, uma das instituições militares mais exigentes do país. Após quatro anos de formação rigorosa, graduou-se e embarcou como cadete oficial no USS Saratoga, onde seu desempenho rapidamente chamou a atenção dos superiores. Era meticuloso, corajoso e possuía uma capacidade natural de tomar decisões em situações de pressão — qualidades que a Guerra Civil Americana logo poria à prova.

Durante o conflito que dividiu a nação, Dewey recebeu missões que exigiam tanto coragem quanto precisão técnica. Foi encarregado de bloquear a foz do Rio Mississipi e participar do bombardeio de fortes costeiros — operações que combinavam risco físico com planejamento estratégico rigoroso. Seu desempenho foi reconhecido com a promoção a tenente-comandante ao término da guerra. Em 1867, casou-se com Susan Boardman Goodwin, com quem teria um filho em 1872; tragicamente, Susan morreu apenas cinco dias após o parto, deixando Dewey viúvo e pai solteiro num momento de grande vulnerabilidade pessoal.

Entre 1868 e 1870, atuou como instrutor na Academia Naval, transmitindo a jovens cadetes o conhecimento acumulado nos campos de batalha navais. Em 1896, foi promovido a comodoro — distinção que reconhecia uma carreira sólida, mas ainda não prenunciava a transformação que estava por vir. Em dezembro de 1897, partiu com sua frota para Hong Kong, cidade de clima mais ameno do que Washington e considerada mais favorável à sua saúde. Não era um homem que buscava o descanso, mas as circunstâncias pareciam convidá-lo a uma pausa — que não duraria.

A tensão crescente entre os Estados Unidos e a Espanha tornava clara a iminência de um conflito. O império espanhol, em decadência, ainda controlava Cuba e as Filipinas, e a expansão americana no Pacífico colidia inevitavelmente com esses domínios. Quando a Guerra Hispano-Americana finalmente eclodiu, Dewey estava em Hong Kong com sua frota preparada. Em 27 de abril de 1898, partiu em direção às Filipinas. Chegou a Manila em 1 de maio e iniciou a Batalha de Cavite, confrontando a frota espanhola comandada pelo almirante Patricio Montojo nas águas do porto.

O resultado foi uma vitória esmagadora e surpreendentemente rápida. Dewey destruiu a esquadra espanhola sem perder um único navio norte-americano, contribuindo decisivamente para o colapso do domínio espanhol nas Filipinas e pavimentando o caminho para a aquisição do arquipélago pelos Estados Unidos. A operação revelava um comandante que planejava com frieza, agia com velocidade e executava sem hesitação — virtudes militares que a posteridade admiraria. Numa curiosidade que revelava tanto sua personalidade quanto os códigos da cavalaria militar da época, quando o almirante Montojo foi submetido a julgamento em Corte Marcial, o próprio Dewey figurou entre seus defensores, reconhecendo que o adversário havia combatido nas condições que tinha à disposição.

O retorno aos Estados Unidos transformou Dewey num herói nacional de dimensões raras. As multidões o recebiam com entusiasmo genuíno, e o Congresso americano não demorou a formalizar o reconhecimento: em 1903, promoveu-o ao posto de almirante da Marinha — patente que não existia antes de sua criação para honrá-lo e que tornava Dewey a única pessoa na história dos Estados Unidos a alcançar aquele grau. Em 1899, havia se casado novamente, desta vez com Mildred McLean Hazen, mulher de fé católica que trouxe estabilidade à sua vida pessoal nos anos de celebridade.

George Dewey morreu em 16 de janeiro de 1917, em Washington, D.C., com 79 anos. Sua morte ocorreu menos de dois meses antes de os Estados Unidos entrarem na Primeira Guerra Mundial, conflito que ele não chegou a ver com os olhos do comandante ativo, mas cujos desdobramentos navais carregariam a doutrina que ajudou a construir. Em sua homenagem, um contratorpedeiro da Marinha americana recebeu o nome USS Dewey — pequena continuidade de uma memória que os americanos preservaram com orgulho.

A história de Dewey é a de um homem que transformou uma vitória pontual numa carreira lendária, e uma carreira lendária numa patente inédita. Filho de Vermont, formado em Annapolis, testado no Mississipi e consagrado em Manila, ele percorreu o arco completo da vocação militar — do cadete que lia sobre Aníbal ao almirante que destruiu uma frota espanhola em águas filipinas, com a mesma determinação do general cartaginês que cruzou os Alpes sem olhar para trás.

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