O acidente do Beechcraft King Air prefixo PR-SOM ocorreu no dia 19 de janeiro de 2017. Entre os passageiros que morreram na queda estava o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, então relator da Operação Lava Jato no STF, e o empresário Carlos Alberto Filgueiras, dono dos hotéis Emiliano. Também morreram o piloto Osmar Rodrigues e mais duas mulheres, Maíra Lidiane Panas Helatczuk e Maria Hilda Panas.
O avião, um bimotor turboélice, modelo Hawker Beechcraft King Air C90, de prefixo PR-SOM, era de propriedade de Carlos Alberto Filgueiras e tinha capacidade para sete passageiros, além do piloto.
Estava registrado em nome da Emiliano Empreendimentos e Participações Hoteleiras Limitada e, segundo a ANAC, estava em situação normal de aeronavegabilidade, com inspeção válida até 12 de abril de 2017 e com certificado de autorização de voo válido até 12 de abril de 2022. O avião era considerado seguro.
O voo saiu do aeroporto Campo de Marte, na cidade de São Paulo, às 13h (horário de Brasília), com destino à cidade de Paraty, no estado do Rio de Janeiro, porém a aeronave caiu no mar, próximo à Ilha Rasa, cerca de meia hora depois de decolar, momento em que chovia na região da queda.
Carlos Alberto Fernandes Filgueiras, 69 anos, empresário
Maíra Lidiane Panas Helatczuk, 23 anos, massoterapeuta
Teori Albino Zavascki, 68 anos, ministro do Supremo Tribunal Federal
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal abriram, no mesmo dia do acidente, inquéritos para investigarem as causas do acidente, e a Corte Interamericana de Direitos Humanos pediu por uma rápida e cuidadosa investigação sobre as circunstâncias da queda.
No dia seguinte ao acidente, a Aeronáutica resgatou a caixa-preta do gravador de voz do avião. A aeronave não possuía caixa-preta gravadora de dados. A aeronave foi retirada do mar no domingo, 22, e transportada para o Rio de Janeiro para perícia da Aeronáutica.
Em 23 de janeiro de 2017, o juiz da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis, Raffaele Felice Pirro, decretou o sigilo das investigações sobre a queda do avião. Análise preliminar da Aeronáutica "não apontam qualquer anormalidade nos sistemas da aeronave" e que pode ter havido desorientação espacial do piloto.
Em 22 de janeiro de 2018, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) apresentou o relatório final do acidente. A conclusão foi que não houve falha da aeronave nem falta de combustível. O acidente foi causado por três fatores principais:
Condições climáticas adversas para o pouso visual (VFR), único modo de operação do aeroporto de Paraty. No momento do acidente, a visibilidade horizontal era de 1 500 metros e a precipitação pluviométrica era de 25 mm/h, condições não recomendadas para operações de pouso e decolagem sob VFR.
Cultura operacional dos pilotos: as investigações concluíram que havia entre os pilotos que voavam rotineiramente naquela região, uma cultura de "experiência operacional" em condições adversas, em detrimento das recomendações de segurança para a operação em voo visual, com práticas informais que interferiram na percepção e análise adequada dos riscos envolvidos naquela operação de pouso.
Desorientação espacial: provável consequência da baixa visibilidade, de curva executada sobre a água a baixa altura, e das condições de estresse do piloto, que levaram à perda de controle da aeronave.
