Quénia (português europeu) ou Quênia (português brasileiro) (em suaíli e inglês Kenya), oficialmente República do Quénia, é um país da África Oriental, limitado a norte pelo Sudão do Sul e pela Etiópia, a leste pela Somália e pelo oceano Índico, a sul pela Tanzânia e a oeste pelo Uganda. A capital e cidade mais populosa é Nairobi. O país situa-se na linha do equador. A área do Quênia abrange 581 309 km² e o país tem uma população de cerca de 45 milhões de habitantes, de acordo com estimativas para 2014. Seu nome origina-se do Monte Quênia, seu ponto geográfico mais elevado e a segunda montanha mais alta da África.
O país tem um clima quente e úmido ao longo de sua costa no Oceano Índico, com fauna rica em savana e gramados do interior para a capital. Nairóbi tem um clima frio que vai decrescendo ao ir se aproximando do Monte Quênia, que tem três picos permanentemente cobertos de neve. Mais para o interior, há um clima quente e úmido em torno do Lago Vitória, e áreas florestais e montanhosas de clima temperado na região oeste. As regiões do nordeste ao longo da fronteira com a Somália e Etiópia são regiões áridas e semiáridas com paisagens quase desérticas. O Lago Vitória, o segundo maior lago de água doce do mundo e maior lago tropical do mundo, situa-se a sudoeste do país e é compartilhado com a Uganda e Tanzânia. O Quênia é famoso por seus safáris e diversas reservas de vida selvagem e parques nacionais, como o Parque Nacional de Tsavo-Oeste, o Masai Mara, o Lago Nakuru e o Parque Nacional Aberdares. Existem vários sítios de patrimônio mundial como Lamu, e praias de renome mundial, tais como Kilifi, onde são realizadas competições de iatismo internacional a cada ano.
A região dos Grandes Lagos Africanos, do qual o Quênia faz parte, tem sido habitada por humanos desde o período Paleolítico Inferior. A expansão Bantu chegou à área da África Ocidental-Central no primeiro milênio d.C., e as fronteiras do Estado moderno do Quênia compreendem áreas do continente etnolinguísticas, de línguas nigero-congolesas, Nilo-saarianas e Afro-asiáticas, tornando o Quênia um país multicultural. A presença europeia em Mombaça remonta ao início do período moderno, mas a exploração europeia no interior do país iniciou-se apenas no século XIX. O Império Britânico estabeleceu o protetorado da África Oriental Britânica em 1895, conhecida desde 1920 como a Colônia Quênia. A República do Quênia tornou-se independente em dezembro de 1963. Por um referendo em agosto de 2010, e a adoção de uma nova Constituição, o Quênia está agora dividido em 47 condados semiautônomos, governados por governadores eleitos.
A capital, Nairobi, é um centro comercial regional. A economia do Quênia é a maior da África Oriental e Central. A agricultura é um grande empregador e o país tradicionalmente exporta chá e café, e, mais recentemente, flores frescas para a Europa. O setor de serviços é um dos principais motores da economia. O Quênia é membro da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Africana (UA) e da Comunidade da África Oriental (CAO).
A República do Quénia recebeu o nome do Monte Quénia. A versão mais antiga registrada do nome moderno foi escrita pelo explorador alemão Johann Ludwig Krapf no século XIX. Enquanto viajava com uma caravana Kamba liderada pelo comerciante de longa distância Chefe Quivoi, Crapfe avistou o pico da montanha e perguntou como ele era chamado. Quivoi disse-lhe "ĩ-Nyaa" ou "Kĩlĩma-Kĩinyaa", provavelmente porque o padrão de rocha negra e neve branca em seus picos o lembrava das penas do avestruz macho. No quicuia arcaico, a palavra 'nyaga' ou mais comumente 'manyaganyaga' é usada para descrever um objeto extremamente brilhante. Os aquicuias, que habitam as encostas do Monte Quénia, o chamam de Kĩrĩma Kĩrĩnyaga (literalmente "a montanha com brilho") em quicui, enquanto os embus o chamam de "Kirinyaa". Todos os três nomes têm o mesmo significado.
Ludwig Krapf registrou o nome como Kenia e Kegnia. Alguns disseram que esta era uma notação precisa da pronúncia africana [ˈkɛnjə]. Um mapa de 1882 desenhado por Joseph Thompsons, um geólogo e naturalista escocês, indicou o Monte Quénia. O nome da montanha foi aceito, pars pro toto, como o nome do país. Não entrou em uso oficial generalizado durante o início do período colonial, quando o país era chamado da África Oriental Britânica. O nome oficial foi mudado para Quénia Britânico em 1920.
Fósseis encontrados no Quênia sugerem que os primatas percorriam a região há mais de 20 milhões de anos. Recentes descobertas perto do Lago Turkana indicam que hominídeos como Homo habilis (1,8 e 2,5 milhões de anos atrás) e Homo erectus (1,8 milhão a 350 000 anos atrás) são possíveis ancestrais diretos do Homo sapiens moderno e viveram no Quênia no Pleistoceno.
A costa queniana acolheu comunidades de ferreiros, agricultores de subsistência, caçadores e pescadores bantus que comercializavam com países estrangeiros.
Os árabes do sul da Arábia colonizaram o litoral e estabeleceram muitas novas cidade-Estados autônomas, incluindo Mombasa, Malindi e Zanzibar; os migrantes árabes também introduziram o islamismo na região. Esta mistura de culturas deixou uma influência árabe notável sobre a cultura e o idioma bantu suaíli da costa.
Os suaílis construíram Mombasa como uma grande cidade portuária e estabeleceram laços comerciais com outras cidades-Estados próximas, bem como centros comerciais na Pérsia, Arábia e até mesmo na Índia.
A presença de Portugal durante dois séculos foi garantida através obtenção de bases navais e acordos de aliança com os senhores locais, vassalos do rei de Portugal, mas com certa autonomia e próprio rei. Só mais tarde é que os colonos começaram a chegar e acabaram por se misturar com os locais. As alianças com as lideranças locais permitiram, por um lado, garantir a segurança de um território, bem como a fluidez do comércio que interessava. Mas nem todas as tribos foram sempre amigáveis, como foi visto em 1589, 1610, 1612, onde algumas rebeliões forçaram os portugueses a lutar com a ajuda de outras alianças tribais. Foi o caso da chamada tribo canibal dos Zimba que atacou os portugueses no Malindi mas foi derrotada no sul com a ajuda de tropas da tribo dos Mosseguejos. As alianças foram, no entanto, muito voláteis, ao sul em Mombaça a cidade foi atacada pelos Mussungualos em 1610, os mesmos que seriam aliados dos portugueses no cerco Omanita de 1696.
Mais tarde, em 1698 e em 1730, a costa suaíli foi definitivamente conquistada pelos portugueses e ficou sob o domínio direto dos árabes omanis, que expandiram o comércio de escravos para atender às demandas das plantações em Omã e Zanzibar. Inicialmente, esses comerciantes vieram principalmente de Omã, mas depois muitos vieram de Zanzibar (como Tippu Tip).
Ao longo dos séculos, a costa do Quênia hospedou muitos mercadores e exploradores. Entre as cidades que margeiam a costa queniana está a cidade de Malindi. Permaneceu como um importante assentamento suaíli desde o século XIV e já rivalizou com Mombaça pelo domínio da região dos Grandes Lagos africanos. Malindi tem sido tradicionalmente uma cidade portuária amigável para potências estrangeiras. As autoridades de Malindi também deram as boas-vindas ao explorador português Vasco da Gama em 1498.

