tragedias

Safed

Safed,[carece de fontes?] Sáfad ou Sáfed (Hebreu צְפַת Tzfat) é uma cidade do distrito Nor

4 min01/01/2024
Anúncio

Safed é uma cidade que carrega em suas pedras e ruelas uma densidade histórica raramente encontrada em qualquer outra localidade do mundo. Situada no norte de Israel, na região histórica da Galileia, a uma altitude de 800 metros acima do nível do mar, ela é a cidade mais elevada dessa região e, por séculos, tem sido um ponto de confluência entre história, espiritualidade e tragédia. Em 2007, sua população era de aproximadamente 28.500 habitantes, majoritariamente judeus e em grande parte de orientação religiosa.

A importância de Safed na história judaica está intimamente ligada ao desenvolvimento da Cabala, a tradição mística do judaísmo que encontrou na cidade, especialmente durante o século XVI, um de seus principais centros de elaboração e difusão. Estudiosos e sábios de diversas partes do mundo judeu se reuniram em Safed nesse período, produzindo textos e interpretações que influenciariam profundamente o pensamento religioso judaico por séculos. Esse legado espiritual conferiu à cidade uma aura singular que permanece até os dias atuais.

A arquitetura de Safed sempre foi marcada pela peculiaridade do terreno montanhoso sobre o qual se desenvolveu. As casas foram construídas em cascata ao longo das encostas, de forma que os telhados das construções de baixo serviam como ruas para as construções de cima. Esse estilo construtivo, visualmente impressionante, tornava a cidade única, mas também a deixava extremamente vulnerável a desastres naturais. A estrutura em camadas significava que qualquer colapso teria efeitos amplificados, com edificações desabando sobre as que estavam logo abaixo.

Foi exatamente esse cenário que se concretizou de forma catastrófica em 1 de janeiro de 1700, quando um forte terremoto atingiu a Galileia com epicentro próximo a Safed. O sismo foi devastador. As casas desabaram umas sobre as outras em cadeia, soterando dezenas de pessoas sob os escombros. Muitos morreram imediatamente, mas outros ficaram presos nos destroços, esperando por socorro que tardaria a chegar. Alguns sobreviventes só conseguiram ser retirados das ruínas seis ou sete dias após o terremoto, em condições precárias de sobrevivência. Feridos e moribundos permaneceram sem assistência adequada até 19 de janeiro, quando um hospital temporário foi improvisado e um médico contratado para distribuir medicamentos e realizar curativos.

O conflito entre judeus e árabes que marcou o século XX também deixou marcas profundas em Safed. Em 1929, episódios de violência resultaram na morte de vinte residentes judeus da cidade durante o que ficou conhecido como o massacre daquele ano. Quase duas décadas depois, durante a Guerra da Independência de Israel em 1948, a cidade voltaria a ser palco de eventos históricos de grande magnitude.

Em 1948, Safed era habitada por cerca de 12.000 árabes e 1.700 judeus, a maioria destes últimos composta por religiosos idosos. A disparidade numérica era imensa, e as circunstâncias pareciam desfavoráveis para a comunidade judaica. No entanto, durante os combates da Guerra da Independência, os habitantes árabes fugiram em massa da cidade, incluindo a família do que viria a ser décadas depois o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Em 11 de maio de 1948, as forças israelenses tomaram o controle de Safed, e a cidade passou a integrar o novo Estado de Israel.

Em 1974, Safed voltaria a ser associada a um dos episódios mais traumáticos da história israelense. Cento e dois jovens israelenses da cidade, durante uma viagem de estudos, foram feitos reféns por membros da Frente Democrática para a Libertação da Palestina em uma escola em Maalot. O desfecho foi sangrento: vinte e um dos estudantes foram mortos no que ficou conhecido como o Massacre de Maalot, um dos episódios mais dolorosos do terrorismo no contexto do conflito israelense-palestiniano.

As cicatrizes da história recente voltaram a se abrir durante a Segunda Guerra do Líbano, em julho de 2006. Mísseis Katyusha disparados pelo Hezbollah a partir do sul do Líbano atingiram Safed repetidamente, causando mortes e feridos entre os civis. Em 14 de julho, um menino de cinco anos e sua avó foram mortos em um dos ataques. Muitos moradores abandonaram a cidade temporariamente, e em 22 de julho mais quatro pessoas foram feridas em novos bombardeios.

Apesar de toda a violência e tragédia que atravessaram sua história, Safed também é conhecida por dimensões mais serenas e criativas. Nas décadas de 1950 e 1960, a cidade consolidou-se como a capital artística de Israel. Uma colônia de artistas se estabeleceu no antigo bairro árabe, transformando as ruelas e casas abandonadas em ateliês e galerias. Artistas como Isaac Frenkel Frenel, Yosl Bergner, Moshe Castel, Menachem Shemi e Shimshon Holzman estiveram entre os que fizeram de Safed um centro de experimentação e criatividade plástica.

Hoje, a herança dessa tradição artística sobrevive na forma de dezenas de galerias e oficinas que pontuam o bairro dos artistas. Museus instalados nas antigas casas de grandes pintores israelenses, como o Museu Frenkel Frenel e a Galeria Beit Castel, preservam a memória criativa dessa época. Safed mantém laços de amizade formal com cidades de outros países, como Lille, na França, e Guarda, em Portugal, vínculos que expressam a vocação da cidade para o encontro entre culturas e tradições distintas.

Anúncio
Anúncio

Coming soon to the World in Stories app

Audio, offline download, no ads and more.

Learn about Premium

Related Stories