Margaret Rolle nasceu em 17 de janeiro de 1709, em Devon, na Inglaterra, e foi batizada dez dias depois na paróquia de Petrockstowe. Era filha única de Samuel Rolle, parlamentar que residia na imponente propriedade de Heanton Satchville, e de sua segunda esposa, Margaret Tuckfield. Por ser filha única, recaiu sobre ela uma herança dupla de sangue nobre e de propriedades: dos Rolle, família bem estabelecida em Devon, e dos Clinton, uma das linhagens mais antigas do reino.
A conexão com o baronato Clinton vinha da avó paterna de Margaret, Arabella Clinton, filha de Theophilus Clinton, 4.º Conde de Lincoln e 12.º Barão Clinton, e de Bridget Fiennes. Arabella por sua vez era herdeira de seu irmão, Edward Clinton, Senhor Clinton e membro do Parlamento por Callington. Essa cadeia de herança colocaria Margaret, décadas mais tarde, como legítima sucessora de um título medieval de prestígio considerável na nobreza britânica.
Aos quinze anos, em 26 de março de 1724, Margaret casou-se com Robert Walpole, então com cerca de vinte e três anos e filho do poderoso Robert Walpole, o primeiro-ministro que dominava a política britânica da época. O noivo seria eventualmente conhecido como o 2.º Conde de Orford, e por meio desse casamento Margaret tornou-se condessa. O vínculo com uma das famílias mais influentes da Grã-Bretanha parecia promissor, mas a realidade cotidiana do matrimônio revelou-se bem diferente das expectativas.
O casamento foi marcado desde cedo por desentendimentos e atritos constantes. Margaret nunca chegou a uma relação harmoniosa com a família do marido, e os conflitos eram recorrentes. A incompatibilidade entre o casal levou Margaret a buscar afeto e companhia fora do lar conjugal. Em determinado momento, ela chegou a fugir para Florença acompanhada de seu amante, o reverendo Samuel Sturgis, do King's College, num escândalo que não passou despercebido nos círculos aristocráticos ingleses.
Outro amante documentado foi Emanuel de Nay, Conde de Richecourt, que adicionou mais uma camada de complexidade à vida sentimental da condessa. Essas relações extraconjugais eram comentadas abertamente nos diários e correspondências da época, em especial pelo cunhado de Margaret, o escritor e homem de letras Horace Walpole, que a observava com misto de fascínio e desaprovação. O único filho do casal, George, nasceu desse casamento conturbado, e após seu nascimento os cônjuges se separaram definitivamente.
Em 1746, segundo o próprio Horace Walpole, Margaret começou a viver com um novo amante, Sewallis Shirley, filho de Robert Shirley, 1.º Conde Ferres, e de Selina Finch. Shirley ocupava o cargo de tesoureiro da rainha Carlota de Meclemburgo-Strelitz, consorte do rei Jorge III do Reino Unido, o que o situava em posição de prestígio na corte britânica. A ligação entre os dois era pública e duradoura.
Em 2 de maio de 1751, Margaret foi reconhecida como 15.ª Baronesa Clinton, sucedendo Hugh Fortescue, 14.º Barão Clinton. Fortescue era neto de Margaret Clinton, filha mais velha de Theophilus Clinton, ou seja, irmã da avó paterna de Margaret Rolle. A pendência jurídica referente ao baronato, porém, só foi encerrada definitivamente em 1760, após anos de processos e deliberações heráldicas. O reconhecimento do título elevou Margaret à categoria de pária por direito próprio, uma das poucas mulheres da época a ostentar tamanha distinção no sistema feudal britânico.
Apenas três semanas depois de tornar-se baronesa, em 25 de maio de 1751, Margaret casou-se com Sewallis Shirley, oficializando uma relação que durava há anos. O segundo matrimônio, no entanto, tampouco foi feliz ou duradouro. Em junho de 1754, apenas três anos após a cerimônia, o casal se separou. Liberada de mais um vínculo conjugal mal-sucedido, Margaret retornou à Itália em 1755, refazendo o caminho que já havia trilhado em tempos de aventura romanesca.
A baronesa viveu seus últimos anos na península italiana, longe do frio e das intrigas de Londres. Entre seus laços afetivos estava a amizade com Selina Hastings, Condessa de Huntingdon, sobrinha de Sewallis Shirley, o que revela como os vínculos sociais e familiares da aristocracia britânica do século XVIII eram profundamente entrelaçados, independentemente de separações ou escândalos. Margaret Rolle, 15.ª Baronesa Clinton, faleceu em 13 de janeiro de 1781, na cidade de Pisa, com setenta e um anos de idade.
Seu filho George Walpole herdou o condado de Orford como 3.º Conde e também sucedeu à mãe no baronato Clinton como 16.º Barão Clinton. Contudo, George não se casou e não deixou filhos, de modo que o título se extinguiu com ele. A vida de Margaret Rolle é um retrato vívido das contradições da aristocracia georgiana: mulher de linhagem distinta que acumulou títulos e propriedades, mas que viveu à margem das convenções matrimoniais de sua época, buscando na Itália a liberdade que a Inglaterra dos Walpole não lhe oferecia.


