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Luiz Pereira Bueno

Luiz Pereira Bueno (São Paulo, 16 de janeiro de 1937 — Atibaia, 8 de fevereiro de 2011) fo

4 min01/01/2024
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No Brasil, onde o automobilismo sempre caminhou lado a lado com o futebol como paixão nacional, poucos nomes da década de 1970 evocam tanto a atmosfera da velocidade e da competição como o de Luiz Pereira Bueno. Nascido em São Paulo em 16 de janeiro de 1937, ele se tornou um dos pioneiros do automobilismo brasileiro de alto nível e um dos únicos brasileiros a pilotar na Fórmula 1 antes da era de Emerson Fittipaldi. Carinhosamente apelidado de "Luizinho" ou "Peroba", faleceu em Atibaia em 8 de fevereiro de 2011, vítima de um câncer no pulmão.

A trajetória de Bueno no automobilismo começou em 1958, quando o esporte ainda era uma atividade reservada a poucos entusiastas com recursos suficientes para manter carros e mecânicos. Ele rapidamente se destacou nas provas de turismo que movimentavam os autódromos brasileiros, aqueles circuitos que misturavam o ronco dos motores com a adrenalina das disputas entre pilotos apaixonados pela velocidade. Ao longo dos anos seguintes, construiu um palmarès respeitável no automobilismo nacional, com destaque para as Mil Milhas Brasileiras de 1967, vitória que ficou marcada na história do esporte a motor no país.

Em 1964, Bueno esteve presente em um dos eventos mais desafiadores do calendário automobilístico nacional da época: o Desafio 50 mil quilômetros no Autódromo de Interlagos, prova de resistência que exigia dos pilotos tanto talento quanto capacidade física e estratégica. Sua participação nessa e em outras provas relevantes foi consolidando seu nome como um dos principais nomes do automobilismo brasileiro de seu tempo.

O momento de maior destaque internacional veio nos anos 1970, quando Bueno e seus companheiros fundaram a equipe Hollywood. A iniciativa representava um passo importante para o profissionalismo do automobilismo brasileiro, que ainda dava seus primeiros passos na tentativa de criar estruturas competitivas sustentáveis. A equipe fez sucesso no cenário nacional e serviu de trampolim para experiências ainda mais ambiciosas.

Em 1972, Luiz Pereira Bueno realizou o sonho de qualquer piloto da sua geração: colocou-se ao volante de um carro de Fórmula 1. Embora tenha sido um carro alugado da equipe March e a prova realizada no Brasil não tivesse valido pontos para o campeonato mundial, o feito tinha um significado simbólico imenso. Naquele início dos anos 1970, a Fórmula 1 era o topo absoluto do automobilismo mundial, um universo dominado por pilotos europeus e com pouquíssima presença sul-americana. Aventurar-se naquele território era uma demonstração de coragem e de ambição que poucos brasileiros haviam tido até então.

Na temporada de 1973, Bueno voltou a pilotar na Fórmula 1 em solo brasileiro, desta vez pela equipe Surtees. Novamente em casa, diante de um público que já começava a se apaixonar pela Fórmula 1 a partir das conquistas de Emerson Fittipaldi, ele representava o sonho possível do piloto nacional que chegava ao mais alto nível do automobilismo. A prova ficou marcada como parte de um capítulo da história em que o Brasil dava sinais claros de que produziria talentos capazes de competir com os melhores do mundo.

Ao longo das décadas seguintes, Bueno manteve-se ligado ao automobilismo brasileiro, seja como piloto veterano, seja como figura respeitada do meio. Seu papel como fundador e integrante da equipe Hollywood tinha sido uma contribuição concreta para o desenvolvimento do esporte a motor no país, criando uma estrutura que inspirou gerações de pilotos e construtores.

Luiz Pereira Bueno deixou o mundo em fevereiro de 2011, aos 74 anos, depois de uma batalha contra o câncer no pulmão diagnosticado no início do ano anterior. Sua morte encerrou a história de um homem que havia vivido o automobilismo com uma intensidade que ia além da competição. Peroba, como era chamado pelos amigos mais próximos, pertence àquela geração de pioneiros que abriu o caminho para que o Brasil se tornasse uma das grandes potências do automobilismo mundial, um legado que Ayrton Senna e outros que vieram depois souberam honrar com suas próprias vitórias.

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