Alexander James Dallas nasceu em 21 de junho de 1759, em Kingston, na Jamaica, filho do médico escocês Robert Charles Dallas e de Elizabeth Sarah Hewitt. Sua vida começou na colônia britânica das Antilhas, mas o destino logo o conduziria por um percurso transatlântico improvável, que o levaria do Caribe à Escócia, à Inglaterra e finalmente à jovem república americana, onde construiria uma das mais importantes carreiras jurídicas e políticas de sua geração.
Quando contava apenas cinco anos de idade, a família mudou-se para Edimburgo e depois para Londres, onde Dallas recebeu sua educação sob a orientação de James Elphinstone. O jovem pensou seriamente em seguir carreira no direito, mas os custos da formação jurídica formal estavam além dos recursos disponíveis. Em 1780, casou-se com Arabella Maria Smith, da Pensilvânia, filha do Major George Smith do exército britânico, e no ano seguinte o casal partiu para a Jamaica. Lá, graças à influência do pai, Dallas foi admitido ao exercício da advocacia sem a formação formal que normalmente se exigia.
A saúde de Arabella, porém, não se adaptou ao clima tropical jamaicano, e o casal voltou para a Pensilvânia em 1783. Dallas foi admitido como advogado no estado em 1785, dando início a uma prática que começou lenta e marginal. Para complementar a renda, aventurou-se no jornalismo, publicando o Pennsylvania Herald entre 1787 e 1788 e o Columbian Magazine entre 1787 e 1789. Essas iniciativas editoriais lhe deram visibilidade nos círculos intelectuais e políticos da Filadélfia, então capital federal americana e o centro mais vibrante da vida pública do país.
O momento decisivo de sua carreira chegou quando a Suprema Corte dos Estados Unidos se estabeleceu em Filadélfia em 1791. Dallas tornou-se seu primeiro relator de decisões judiciais, função que naquela época era não oficial e, portanto, sem remuneração governamental — ele trabalhava às próprias expensas. O trabalho era pioneiro e valioso, mas também marcado por limitações: os quatro volumes que produziu eram incompletos, imprecisos e chegavam com atrasos consideráveis. Um exemplo notório é o caso Chisholm vs. Georgia, de 1793, que levaria à elaboração da décima-primeira emenda à Constituição dos Estados Unidos — Dallas só o relatou cinco anos depois, muito depois de a emenda ter sido ratificada.
Ainda em 1791, Dallas foi nomeado secretário da Commonwealth da Pensilvânia pelo governador Thomas Mifflin, cargo que ocupou até 1801. O período foi de crescente importância política, especialmente à medida que o alcoolismo de Mifflin tornava o governador cada vez menos apto para exercer plenamente suas funções. Na prática, Dallas acabou assumindo o papel de governador efetivo nos últimos anos da década de 1790, conduzindo a administração estadual com competência e firmeza. Nesse mesmo período, foi peça fundamental na criação do Partido Democrata-Republicano na Pensilvânia, tornando-se um defensor ardoroso de uma interpretação rigorosa da nova Constituição federal.
Em 1793, Dallas fundou as Sociedades Democrata-Republicanas, que exerceram papel importante na formação de uma oposição organizada ao Partido Federalista de Alexander Hamilton e George Washington. Sua ligação com Thomas Jefferson e James Madison era sólida, e ao longo dos anos seguintes consolidou-se como uma das principais figuras do republicanismo jeffersoniano na Pensilvânia. Em 1801, foi nomeado procurador dos Estados Unidos para o Distrito Oriental da Pensilvânia, cargo que exerceu com dedicação até 1814.
A maior obra de Dallas viria durante os anos mais sombrios da Guerra de 1812, conflito que havia quase arruinado as finanças americanas. Quando seu amigo Albert Gallatin deixou o Secretaria do Tesouro e foi substituído por Dallas em 1814, o país estava financeiramente à beira do colapso. Dallas reagiu com determinação e visão: reorganizou o Departamento do Tesouro, restabeleceu saldos positivos nas contas do governo e defendeu com veemência a criação do Second Bank of the United States, o segundo banco nacional americano, que seria finalmente aprovado em 1816. Essa iniciativa foi fundamental para estabilizar o sistema monetário do país e restaurar a confiança dos credores nacionais e internacionais.
De 14 de março a dezembro de 1815, Dallas acumulou ainda, em caráter interino, a função de Secretário da Guerra dos Estados Unidos, sem deixar o Tesouro. Essa concentração de responsabilidades em um momento tão crítico revelava a confiança que Madison depositava em seu secretário. Após a estabilização da situação financeira e do encerramento de seu mandato, Dallas retornou a Filadélfia, onde faleceu em 16 de janeiro de 1817, pouco mais de um ano depois de deixar o governo.
Seu legado se desdobrou de formas variadas. Um filho, oficial de marinha, morreu em serviço, carregando o mesmo nome do pai. Outro filho, George Mifflin Dallas, chegaria à vice-presidência dos Estados Unidos sob James K. Polk. O nome Alexander J. Dallas foi dado ao Condado de Dallas, no Alabama, ao Fort Dallas e ao destróier americano USS Dallas. E a própria cidade de Dallas, no Texas, pode dever seu nome a essa família, embora a questão permaneça disputada pelos historiadores. Uma vida que começou nas Antilhas britânicas do século XVIII e se encerrou na jovem república americana deixou marcas geográficas e institucionais que persistem até hoje.
