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Sismo no Tibete em 2025

Terremoto na China e Nepal

4 min01/01/2024
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O Planalto Tibetano é uma das regiões geologicamente mais ativas do planeta. Situado na zona de colisão entre a placa indiana e a placa euroasiática, esse vasto território de altitude média superior a 4.000 metros é palco de uma atividade sísmica constante, gerada pelas imensas forças tectônicas que continuam empurrando a Índia contra a Ásia há dezenas de milhões de anos. Em 7 de janeiro de 2025, essa energia acumulada nas entranhas da terra se manifestou de forma violenta, sacudindo o Condado de Tingri com um terremoto que deixou cicatrizes profundas na paisagem e nas comunidades que habitam aquela região remota.

O sismo ocorreu às 09h04 no horário de Pequim, correspondendo ao fuso horário UTC+8. O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, atribuiu ao evento uma magnitude de momento de 7,1, uma das métricas mais precisas para avaliar a energia total liberada por um terremoto. O Centro de Redes de Terremotos da China calculou uma magnitude de 6,8 na escala de ondas de superfície, uma metodologia ligeiramente diferente que pode apresentar variações em relação à medição americana. O epicentro foi localizado em Tsogo Township, no Condado de Tingri, a uma altitude média de aproximadamente 4.500 metros — uma das regiões mais inacessíveis e climaticamente hostis da China.

A causa geológica do evento estava na dinâmica tectônica específica do Planalto Tibetano: enquanto a compressão norte-sul empurra as massas rochosas, a extensão leste-oeste acomoda o excesso de material por meio de falhas normais. Sismólogos identificaram que a ruptura ocorreu ao longo de uma falha com orientação norte-sul, com inclinação moderada para leste ou oeste. A Universidade de Tecnologia de Chengdu registrou uma intensidade máxima de IX na escala de intensidade sísmica, classificação que indica danos severos a construções — e essa intensidade foi registrada em seis municípios numa área de 671 quilômetros quadrados.

O alcance do terremoto foi notavelmente amplo. Moradores da capital nepalesa, Catmandu, a aproximadamente 400 quilômetros do epicentro, correram às ruas com medo após sentir os tremores. Áreas próximas ao Monte Everest, incluindo Lobuche e Namche — destinos frequentes de alpinistas e excursionistas —, também foram atingidas. Os efeitos se espalharam além das fronteiras imediatas: Thimphu, capital do Butão, sentiu os tremores, assim como os estados indianos de Bihar, Assã e Bengala Ocidental, e até a capital de Bangladesh, Dhaka. Ao longo das horas e dias seguintes, mais de 150 tremores secundários se seguiram ao abalo principal, mantendo as populações em estado de alerta.

O balanço humano foi pesado: pelo menos 126 pessoas perderam a vida e 188 ficaram feridas na região chinesa. No Nepal, 13 pessoas sofreram ferimentos. Danos leves foram reportados no norte da Índia. Tratava-se do maior terremoto registrado na China desde janeiro de 2024 e o mais mortal desde dezembro de 2023 — números que ilustravam a escala do evento dentro do contexto sísmico recente do país.

A resposta das autoridades chinesas foi imediata e de grande escala. Mais de 3.400 profissionais de resgate foram enviados à região do epicentro, acompanhados por 340 trabalhadores da área médica, 75 veículos e quatro cães de busca treinados para localizar vítimas sob escombros. A Agência Meteorológica da China emitiu um alerta de emergência de nível três. Um dos maiores desafios operacionais era o frio extremo: as temperaturas no momento do terremoto estavam em torno de 8 graus Celsius negativos e previam-se quedas a 18 graus negativos durante a noite, tornando imprescindível a distribuição urgente de tendas de algodão, cobertores, casacos e camas dobráveis.

A força aérea nacional participou ativamente, com drones realizando missagens de reconhecimento sobre a área afetada. Helicópteros e serviços médicos do Comando Aéreo do Teatro Ocidental do Exército de Libertação Popular foram mobilizados para o transporte de feridos e suprimentos. O Centro Chinês de Dados e Aplicações de Satélites de Recursos ativou oito satélites para monitorar a região em tempo real. A área cênica do Monte Qomolangma — o Everest — foi fechada temporariamente, e 530 visitantes foram evacuados com segurança.

O presidente Xi Jinping ordenou pessoalmente que fossem realizados esforços de resgate em massa, determinando que órgãos competentes tratassem os feridos, reparassem infraestruturas danificadas e recolocassem os deslocados em condições adequadas. O governo anunciou a alocação de 100 milhões de yuans para os esforços de socorro — um volume de recursos que refletia tanto a gravidade do desastre quanto a capacidade logística do Estado chinês em mobilizar recursos para regiões remotas e de difícil acesso.

O terremoto de 2025 no Tibete evidenciou, mais uma vez, a complexa equação que envolve a gestão de desastres naturais em regiões de altitude extrema: os mesmos fatores geológicos que tornam o Planalto Tibetano único no planeta o tornam também um ambiente de risco permanente para suas populações, cujas construções tradicionais frequentemente não estão preparadas para absorver a energia de eventos sísmicos de grande magnitude.

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