tragedias

Caso Mantell

Acidente de avião de combate supostamente causado por um OVNI em Franklin, Kentucky, EUA, em 1948

7 min01/01/2024
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Em 7 de janeiro de 1948, uma manhã fria sobre o estado de Kentucky, nos Estados Unidos, um piloto da Guarda Aérea Nacional chamado Thomas Francis Mantell Jr. foi ao encontro da morte perseguindo algo que nunca conseguiu identificar. O Caso Mantell, como ficou conhecido, tornou-se um dos primeiros episódios documentados de aviação militar associados à fenomenologia OVNI e gerou décadas de especulação, rumores e investigações oficiais. Mantell tinha 25 anos e era descrito como um piloto experiente, condecorado por sua atuação na Segunda Guerra Mundial. Naquela manhã, ele não sobreviveria para contar o que viu.

Quatro caças do tipo F-51D Mustang, comandados pelo capitão Mantell, retornavam de um exercício de voo e se aproximavam da Base Aérea de Godman, em Fort Knox. Foi quando o controlador de rádio da torre os notificou: um objeto não identificado havia sido avistado no céu, entre as nuvens. Os pilotos aceleraram em direção ao objeto. Três deles desistiram da perseguição rapidamente, pois seus aviões não estavam equipados com oxigênio suficiente para voos em altitude elevada. Mantell, no entanto, continuou subindo. Segundo o ex-capitão da Força Aérea Edward J. Ruppelt, que posteriormente dirigiu o Projeto Blue Book, ninguém conseguia lembrar com exatidão as palavras que Mantell usou para descrever o objeto em suas transmissões de rádio, embora pesquisadores de OVNIs da época registrassem que ele o teria chamado de "metálico e de tamanho tremendo".

O avião de Mantell tampouco estava equipado com os aparelhos de oxigênio necessários para voos acima de 7.600 metros. As tentativas de contatá-lo por rádio para que interrompesse a subida não surtiram efeito. A sequência de eventos foi reconstituída pelo exército: Mantell teria perdido a consciência por hipóxia, a falta de oxigênio em altitude elevada, após ultrapassar aquele limite. Seu F-51D entrou em espiral descendente e colidiu com uma fazenda no sul do condado de Franklin, na divisa entre Kentucky e Tennessee. Testemunhas descreveram o Mustang caindo em espiral do céu. Quando os bombeiros chegaram aos destroços, encontraram o corpo de Mantell. Seu relógio estava parado às 15 horas e 18 minutos, marcando o instante do impacto.

A notícia se espalhou rapidamente pelos jornais norte-americanos. Num país que havia saído da Segunda Guerra Mundial apenas três anos antes e que vivia as tensões crescentes da Guerra Fria com a União Soviética, a morte de um piloto militar perseguindo um objeto não identificado alimentou imaginações e medos. Rumores sensacionalistas proliferaram sem controle. De acordo com o historiador de OVNIs Curtis Peebles, entre as histórias que circulavam estavam alegações de que o objeto era um míssil soviético, ou uma nave espacial extraterrestre que havia abatido o avião de Mantell quando ele se aproximou demais. Dizia-se que o corpo havia desaparecido dos destroços, que o avião se desintegrou completamente no ar e que havia radiação nos escombros. A Força Aérea investigou e refutou essas alegações mais extremas, mas os rumores continuaram circulando por anos.

A investigação oficial foi conduzida inicialmente pelo Projeto Sinal, grupo criado pela Força Aérea dos Estados Unidos para estudar casos de OVNIs. A equipe considerou e descartou várias hipóteses. A primeira delas, aventada por investigadores que trabalhavam para o projeto, era a de que Mantell havia confundido o planeta Vênus com o objeto. Vênus estava de fato na mesma região do céu que o objeto avistado. Contudo, o astrofísico J. Allen Hynek, consultado pelo projeto, calculou que naquela hora e naquelas condições atmosféricas, com a quantidade de bruma existente, Vênus seria praticamente invisível. Sua luminosidade era apenas seis vezes superior à do céu ao redor, insuficiente para ser detectada a olho nu em plena luz do dia com baixa visibilidade. A hipótese do planeta foi descartada.

A explicação que mais convenceu os investigadores ao longo do tempo foi a do balão Skyhook. Esses balões, desenvolvidos para pesquisa científica de alta altitude, eram feitos de material aluminizado e podiam atingir cerca de 30 metros de diâmetro, o que era consistente com a descrição de um objeto metálico e de grande tamanho. Em 1952, o Projeto Blue Book concluiu oficialmente que o objeto perseguido por Mantell era provavelmente um balão Skyhook. O detalhe crucial era que em 1948 os balões Skyhook eram um projeto ultra-secreto. Mantell não teria como saber o que estava vendo, e os controladores da torre de Godman também não estavam cientes da existência desses balões. Edwrd Ruppelt, que investigou o caso anos depois, admitiu não ter conseguido localizar registros definitivos que confirmassem o lançamento de um balão Skyhook naquele dia específico a partir da Base de Clinton County, no Ohio, de onde provavelmente partiria. As pessoas que trabalharam com os primeiros balões Skyhook lembravam de operações na região, mas não podiam afirmar categoricamente se havia um balão no ar em 7 de janeiro de 1948.

O Caso Mantell permanece na história não como um mistério não resolvido, mas como um episódio revelador de como o ser humano lida com o desconhecido em momentos de tensão histórica. A morte de um piloto experiente perseguindo um objeto que não sabia identificar, num país mergulhado na paranoia da Guerra Fria, criou o cenário perfeito para que o extraordinário proliferasse sobre o banal. A explicação mais provável, um balão de pesquisa secreto, era ao mesmo tempo mais mundana e mais irônica do que qualquer nave extraterrestre: um homem morreu perseguindo um projeto de seu próprio governo.

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