misterios

Desaparecimento de Madeleine McCann

Desaparecimento não resolvido de menina britânica de 3 anos de férias em Portugal

4 min01/01/2024
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Na noite de 3 de maio de 2007, numa pequena villa de férias no sul de Portugal, um caso de desaparecimento infantil abriu uma das investigações mais longas, mais complexas e mais mediatizadas da história recente europeia. Madeleine Beth McCann, nascida em Leicester em 12 de maio de 2003, havia chegado com a família ao complexo turístico Ocean Club, em Praia da Luz, no concelho de Lagos, no Algarve. Tinha quase quatro anos de idade quando sumiu do quarto onde dormia ao lado dos dois irmãos gêmeos.

Kate McCann, antiga médica anestesista e clínica geral, e Gerry McCann, cardiologista no Hospital Glenfield em Leicester, haviam colocado os três filhos na cama naquela noite e foram jantar num restaurante a cerca de cem metros do apartamento, o Tapas bar do Ocean Club, onde se encontravam com um grupo de amigos. Era uma prática habitual durante aquelas férias: verificar as crianças periodicamente enquanto desfrutavam o jantar em grupo. Por volta das 21h10, Gerry McCann foi até o apartamento verificar os filhos. Um amigo do casal passou pelo local perto das 21h30 para uma nova verificação. Por volta das 22h, quando Kate foi verificar as crianças, encontrou a cama de Madeleine vazia, uma janela aberta e os estores levantados.

O alarme foi imediato. Um amigo do casal avisou a recepção do Ocean Club, que acionou as autoridades às 22h41. A GNR chegou à Praia da Luz às 23h. Às 23h50, o caso foi comunicado à Polícia Judiciária. Ao longo da madrugada, funcionários e hóspedes do resort, elementos da GNR com cães pisteiros, a PSP de Lagos, agentes da Polícia Judiciária, uma equipa de polícia científica, a Polícia Marítima com lanchas e helicóptero, bombeiros, Cruz Vermelha e a Proteção Civil mobilizaram-se numa operação de buscas que durou até as 4h30. Às 0h do dia 4 de maio, o jornal britânico The Daily Telegraph já publicava uma manchete sobre o caso, anunciando o temor de que uma menina de três anos tivesse sido raptada em Portugal.

A primeira declaração oficial da Polícia Judiciária, feita pelo diretor Guilhermino Encarnação ao meio-dia do sábado 5 de maio, confirmou a suspeita de crime de rapto e a existência de um esboço de um possível suspeito. No dia 6 de maio, a PJ afirmou ter identificado um suspeito e acreditar que a criança estivesse viva e ainda na área. Cães treinados farejaram todo o complexo, que tinha capacidade para cerca de mil pessoas. Cinco dias após o desaparecimento, porém, a PJ admitiu não ter certeza sobre o estado de Madeleine. A Interpol lançou um alerta amarelo a todos os seus membros em 9 de maio.

As linhas de investigação que os meios de comunicação portugueses revelavam apontavam em duas direções principais: o rapto por uma rede internacional ligada à pedofilia ou o rapto por uma rede de adoção ilegal. Especialistas britânicos chegaram a Portugal para apoiar as autoridades nacionais, e a polícia de Leicestershire enviou representantes para auxiliar a família. Também foi noticiado que autoridades britânicas comunicaram à PJ que cerca de 130 abusadores de menores britânicos haviam estado no Algarve nas semanas anteriores ao desaparecimento de Madeleine.

Em 14 de maio, a investigação ganhou um nome: Robert Murat, filho de Jennifer Murat, cidadã britânica que morava perto do apartamento. Buscas na propriedade da família, incluindo a drenagem da piscina, foram realizadas a partir das 7h daquela manhã. A suspeita sobre Robert havia sido levantada por Lori Campbell, jornalista do Sunday Mirror, que o reconheceu como visitante frequente do aldeamento e o apontou para a polícia. Murat afirmou estar angustiado com o caso, especialmente porque havia perdido recentemente a custódia de uma filha de três anos com características físicas parecidas com as de Madeleine. Nenhuma detenção foi efetuada: no direito português, a detenção só é possível após indiciamento formal como arguido, e até esse momento os interrogados são considerados testemunhas.

Madeleine tinha uma característica física marcante: um coloboma no olho direito, uma anomalia que consiste num alastramento completo da íris, com uma faixa radial que se estende da pupila até o limite externo do olho. Essa particularidade tornou-se um dos elementos centrais nas campanhas de divulgação do seu rosto ao longo dos meses e anos seguintes.

O desaparecimento de Madeleine McCann tornou-se uma das notícias mais notórias do início do século XXI, distinguindo-se pela rapidez com que se disseminou internacionalmente, pela longevidade da cobertura mediática e pela intensidade com que mobilizou a opinião pública em vários países. O contraste com outros casos similares, como o desaparecimento do português Rui Pedro em 1998, evidenciou de forma dolorosa como a visibilidade de um caso pode ser moldada por fatores que vão além da gravidade do próprio crime.

Décadas após o desaparecimento, o caso permanece oficialmente em aberto. As investigações portuguesas e britânicas foram encerradas e reabertas em diversas ocasiões, surgindo periodicamente novos suspeitos, novas evidências e novas teorias. Madeleine McCann nunca foi encontrada.

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