O ano de 1956 foi um dos mais movimentados do século vinte, marcado por tensões geopolíticas profundas no contexto da Guerra Fria, por avanços científicos e tecnológicos que mudaram o mundo, e por transformações políticas em múltiplos continentes. Foi um ano bissexto que começou num domingo, com a terça-feira de Carnaval ocorrendo em 14 de fevereiro e o domingo de Páscoa em 1 de abril. No calendário chinês, foi o Ano do Macaco, iniciado em 12 de fevereiro.
Logo no início do ano, o mapa político do mundo começou a mudar. Em 1 de janeiro, o Sudão conquistou sua independência tanto do Egito quanto do Reino Unido, tornando-se uma nação soberana e sinalizando o acelerado processo de descolonização que varreria o continente africano nas décadas seguintes. Poucas semanas depois, em 31 de janeiro, Juscelino Kubitschek tomava posse como o vigésimo primeiro presidente do Brasil, iniciando um governo que ficaria marcado pelo projeto ousado de construção de Brasília e pelo desenvolvimentismo acelerado sob o lema de cinquenta anos em cinco.
No Brasil, o mês de fevereiro também foi agitado por razões internas. No dia 10, um grupo de militares da Força Aérea Brasileira deflagrou a Revolta de Jacareacanga, uma rebelião que expunha as tensões políticas persistentes no período de redemocratização pós-Vargas. A revolta foi contida, mas deixou evidente que o país ainda vivia sob pressões de diferentes frações das Forças Armadas.
Na União Soviética, o dia 26 de fevereiro entrou para a história. Nessa data, o líder soviético Nikita Kruschev proferiu o chamado Discurso Secreto no vigésimo Congresso do Partido Comunista da União Soviética, denunciando os crimes de Stalin com uma franqueza que chocou o mundo comunista. O pronunciamento abriu fissuras profundas no movimento comunista internacional, gerou debates intensos sobre o futuro do socialismo e contribuiu para eventos que sacudiriam a Europa oriental meses mais tarde.
Março trouxe novas independências. Em 2 de março, o Marrocos declarou independência da França após décadas de protetorado, e em 20 de março foi a vez da Tunísia conquistar sua soberania, também em relação à França. Esses movimentos faziam parte de uma onda anticolonial que redesenhava o mapa do mundo. Nesse mesmo mês, em 15 de março, estreou na Broadway de Nova York o musical My Fair Lady, que se tornaria um dos maiores sucessos da história do teatro musical americano.
Em maio, o Japão enfrentou uma tragédia silenciosa mas devastadora. Em 1 de maio, a doença de Minamata foi oficialmente identificada na cidade homônima, revelando os efeitos catastróficos do despejo de mercúrio orgânico de uma indústria química nos arredores da baía. Essa descoberta marcaria o início de uma das mais graves crises de contaminação ambiental da história moderna, com consequências que se estenderiam por décadas e influenciariam legislações ambientais ao redor do mundo.
No verão do hemisfério norte, o mar foi palco de drama e diplomacia. Em 26 de julho, o transatlântico SS Andrea Doria afundou após colidir com o navio MS Stockholm nas águas do Atlântico Norte, resultando em uma das maiores tragédias marítimas do pós-guerra e mobilizando operações de resgate em larga escala. Dias depois, em 30 de julho, o presidente Eisenhower assinou uma resolução conjunta do Congresso americano adotando o lema "Em Deus Confiamos" como divisa nacional dos Estados Unidos.
Outubro concentrou alguns dos eventos mais dramáticos do ano. No dia 17, a Inglaterra inaugurou a primeira usina nuclear comercial em escala industrial do mundo, em Calder Hall, marcando o início de uma nova era energética. Mas foi em 23 de outubro que o mundo prendeu a respiração: a Revolução Húngara irrompeu em Budapeste, começando como uma manifestação estudantil e rapidamente se transformando em levante popular contra o governo pró-soviético. A Hungria tentou sair do Pacto de Varsóvia, mas a resposta soviética seria brutal semanas depois, com tanques atravessando a fronteira e esmagando o movimento.
Em novembro, os Estados Unidos reafirmaram sua direção política. Em 6 de novembro, o republicano Dwight D. Eisenhower foi reeleito presidente com folga, derrotando o democrata Adlai Stevenson pela segunda vez consecutiva. No Brasil, dezembro trouxe uma decisão geopolítica significativa: o governo brasileiro aceitou o pedido americano de instalar uma base militar em Fernando de Noronha em troca de cem milhões de dólares em armamentos, uma negociação que refletia o alinhamento do Brasil ao bloco ocidental durante a Guerra Fria.
No campo das ciências, o Prêmio Nobel de Física foi concedido a William Bradford Shockley, John Bardeen e Walter Houser Brattain, os inventores do transistor, dispositivo que revolucionaria a eletrônica e abriria caminho para a era dos computadores. O Nobel de Química coube a Cyril Norman Hinshelwood e Nikolay Semyonov, e o de Medicina a André Frédéric Cournand, Werner Forßmann e Dickinson W. Richards. Na literatura, o prêmio foi para o poeta espanhol Juan Ramón Jiménez, cujo verso delicado e profundo já havia conquistado gerações de leitores.
O ano de 1956 também foi fértil em nascimentos de personalidades que marcariam o futuro. Em 9 de julho nascia Tom Hanks, que se tornaria um dos atores mais premiados e queridos de Hollywood. Em 1 de outubro nascia Theresa May, futura primeira-ministra britânica. Em 28 de outubro vinha ao mundo Mahmoud Ahmadinejad, que décadas mais tarde presidiria o Irã. No campo das mortes, o ano levou figuras históricas como Anastasio Somoza García, ditador nicaraguense assassinado em setembro, e Juho Kusti Paasikivi, ex-presidente da Finlândia, falecido em dezembro. O ano de 1956 permanece na memória coletiva como um divisor de águas entre a ordem do pós-guerra e as turbulências que viriam a seguir.


