Tomás Soares da Silva (São Gonçalo, 14 de setembro de 1921 – Niterói, 8 de fevereiro de 2002), mais conhecido como Zizinho, foi um futebolista brasileiro que atuou como meio-campista. Reconhecido como um dos maiores craques do século XX, é possivelmente o maior jogador brasileiro da era anterior a Pelé.
Considerado o sucessor de Leônidas da Silva, com quem atuou no Flamengo no início da década de 1940, Zizinho é um dos antecessores de Pelé, contra quem jogou no final dos anos 50, no posto de maior estrela do futebol brasileiro. Atuou pela Seleção Brasileira entre 1942 e 1957, sendo eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de 1950. Em 1999 foi eleito o quarto maior jogador brasileiro de todos os tempos pela IFFHS.[carece de fontes?] Além disso, é o grande ídolo do Rei do Futebol.
Em 2020, em um ranking elaborado por especialistas dos jornais O Globo e Extra, figurou na 6ª posição entre os maiores ídolos de futebol da história do Clube de Regatas do Flamengo. É o terceiro jogador com mais assistências na história da Seleção Brasileira, com 32 passes para gol; e entre os 10 jogadores com mais participações diretas em gols pela Seleção, possui a segunda maior média por jogo, superado unicamente por Pelé.
Zizinho nasceu em Neves, subúrbio de São Gonçalo, e começou a jogar em pequenos times amadores da região de Niterói. Sonhava em jogar no seu time do coração, o America, mas não foi aprovado. Foi indicado para o São Cristóvão, mas desistiu. Fez um teste no Flamengo e foi contratado pelo treinador Flávio Costa.
Depois de ter começado nas categorias de base do Byron, de Niterói, foi revelado pelo Flamengo e atuou no rubro-negro entre 1939 e 1950. Com ele, o time ganhou o seu primeiro tricampeonato estadual em 1942, 1943 e 1944, além do Campeonato Carioca de 1939. Zizinho saiu do Flamengo com 328 jogos, 189 vitórias, 62 empates e 77 derrotas; 142 gols, sendo considerado o maior ídolo do clube até a aparição de Zico.
Em janeiro de 1950, Zizinho recebeu propostas do Palmeiras, Corinthians e Bangu. O assédio causou polêmica. O jornal A Noite registrou: "Os dirigentes do Bangu estão sendo protagonistas de odiosos fatos que passarão à história do football. Repetindo atitudes anteriores, prometeram mundos e fundos a Zizinho para que ele abandonasse o Flamengo criando um clima desfavorável entre o jogador e o clube." Em março de 1950, Zizinho reclamou de não ser valorizado publicamente: "O Vasco para ficar com Ademir não mediu esforços, pois reconheceu o quanto vale Ademir para sua equipe".
Após o desabafo de Zizinho, o vice-presidente do Flamengo Francisco de Abreu respondeu: "Até pouco tempo eu era contrário à venda do "passe" de Zizinho, dispondo-me a conseguir um meio de evitar a sua saída de nossas fileiras, oferecendo-lhe condições mais vantajosas. Mas agora Zizinho procurou novamente o Flamengo e fez grande apelo para que fosse concedida a transferência, já que o Bangu resolveu dobrar os vencimentos que lhe foram oferecidos — de 7 para 14 mil cruzeiros mensais". Assim, o jogador foi negociado por 800 mil cruzeiros. O câmbio da época era de aproximadamente 20 cruzeiros para um dólar, portanto valendo aproximadamente 40 mil dólares.
A transferência seguiu polemizando nos jornais nas semanas seguintes. O presidente do Flamengo, Dario de Mello Pinto, declarou que Zizinho "há muito tempo não pertencia aos corações rubro negros. Um profissional que negocia sua transferência em meio do contrato perde a confiança do clube". O editorial do A Noite lamentou: "Nem só no amor o coração atrapalha. Também em negócios sua influência é nociva e Zizinho deixou de lado suas afeições preferindo o dinheiro".
Zizinho defendeu o Bangu Atlético Clube de 1950 a 1957 e voltou a atuar no clube como jogador e técnico ao mesmo tempo em 1961 deixou o Bangu como maior jogador da história do clube sendo o 5º maior artilheiro da história, com 122 gols, e o maior artilheiro em uma só partida, com cinco gols. Ainda assim Zizinho conseguiu dois vice-campeonatos cariocas pelo Bangu um como jogador em 1951 e outro como técnico em 1965, terminou o Campeonato Carioca de 1952 como artilheiro pelo Bangu. Além de ter ganho dois Torneios início do Rio de Janeiro e o Torneio início do Rio-São Paulo.
Em 1957, Zizinho saiu do Bangu para fazer 67 jogos e 27 gols pelo São Paulo. Além disso, conquistou o título do Campeonato Paulista, liderando o time de forma brilhante e se tornado um ídolo tricolor. Também chegou ao vice-campeonato em 1958.
Zizinho ainda atuou pelo Audax Italiano, do Chile, pelo Uberaba, de Minas Gerais, pelo Combinado Bangu-Vasco com a camisa do Bangu e do Vasco, e pelo Combinado Bangu-São Paulo com a camisa do Bangu e do São Paulo.
Zizinho ainda contribuiu para o surgimento de outro craque: Gérson. Zizinho era amigo do pai de Gérson, e quando ele iniciou a carreira de jogador, sempre ouvia atentamente os conselhos do "Mestre Ziza" (apelido carinhoso de Zizinho), no tocante à marcação, visão de jogo, distribuição de passes e sobre partir em velocidade com a bola dominada. Em agradecimento, o "Canhotinha de Ouro" sempre que entrevistado, cita carinhosamente Zizinho como seu mentor e incentivador na carreira de jogador.
Zizinho atuou pela Seleção Brasileira entre 1942 e 1957. Foram 54 jogos, 37 vitórias, 13 derrotas e quatro empates. Conquistou o Campeonato Sul-Americano de 1949 e foi convocado para a Copa do Mundo de 1950.
Com a camisa da seleção brasileira, Zizinho marcou 31 gols e 32 assistências em 54 jogos. É o terceiro maior assistente e o nono em participações totais diretas em gol. Tem a segunda maior média em participações para gol (1,16), atrás apenas de Pelé.
Na Copa do Mundo de 1950, realizada, no Brasil Zizinho foi eleito o melhor jogador da competição, mesmo com o vice-campeonato da Seleção Brasileira. Zizinho não atuou nas duas primeiras partidas por estar lesionado. Mas depois que entrou na equipe, maravilhou os espectadores com suas atuações. Digno de registro foi a partida de Zizinho contra a Espanha, na qual o jogador recebeu elogios efusivos da imprensa internacional, sendo chamado de gênio e comparado a Leonardo da Vinci.
No "Maracanaço", o meia foi considerado o melhor jogador do Brasil na partida. A crônica do jogo descreveu: "marcação cerrada exercendo severa vigilância principalmente sobre Zizinho, Jair Rosa Pinto e Ademir de Menezes com o que anularam o potencial ofensivo do scratch nacional. Jair acovardado e Ademir sem a mobilidade habitual foram envolvidos pela defesa contrária salvando-se apenas Zizinho que conseguia fugir a marcação de Gambeta, transformado em center half, enquanto Obdulio Varela se incumbira de Jair."
Zizinho foi excluído da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1953. O escritor José Lins do Rego, chefe da delegação brasileira na competição, estabeleceu o bicho de mil cruzeiros, inferior aos dois mil cruzeiros habituais. Capitão do time, Zizinho reclamou da premiação menor. A história vazou para a imprensa após a participação brasileira no torneio, e o meio-campista foi chamado de mercenário e responsabilizado pela derrota. Mais tarde, Zizinho lamentaria: "A única mágoa que tenho é ter deixado a Seleção como indisciplinado. Aquilo não tinha sentido. Só sei que, após os incidentes do Sul-Americano de Lima, em 53, o José Lins do Rego fez um relatório contra mim". O relatório dizia que Zizinho jamais deveria vestir a camiseta da Seleção novamente.
A ausência de Zizinho da Copa do Mundo de 1954 foi polêmica pois ainda era considerado o maior jogador do Brasil. Com a derrota da Seleção Brasileira, Zizinho voltou a ser chamado em 1955 para a disputa da Taça Bernardo O'Higgins e da Taça Oswaldo Cruz. Seria ainda titular do Brasil no Campeonato Sul-Americano de 1957, aos 35 anos. Mas a derrota da Seleção Brasileira convenceu o treinador Vicente Feola de que a equipe precisava de jogadores mais jovens para a disputa da Copa do Mundo de 1958.