Neste Dia

Zélia Duncan

Cantora e compositora brasileira

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Zélia Cristina Duncan Gonçalves Moreira (Niterói, 28 de outubro de 1964) é uma cantora, compositora e musicista brasileira.

1981-1989: Sala Funarte a Zélia Cristina no Caos

Filha de funcionários públicos, mudou para Brasília aos 6 anos.

Aos 16 anos, em 1981, Zélia enviou uma fita para a Sala Funarte de Brasília, que na época realizava concursos. Foi selecionada em primeiro lugar e apresentou lá o seu primeiro show. Abriu com a canção "Fazenda", de Milton Nascimento, e, após a apresentação bem-sucedida, várias portas se abriram para ela: abriu um show de Luis Melodia, no Teatro Nacional de Brasília, começou a se apresentar constantemente e ainda foi selecionada para representar Brasília no projeto Pixinguinha, viajando por sete cidades.

Aos 22 anos, em 1987, voltou a Niterói, morando com sua avó Zélia. Na época trabalhava no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ) e fazia de tudo um pouco: foi locutora da rádio Fluminense FM, onde usava a outra parte do seu nome: Cristina Moreira. Foi backing vocal do cantor José Augusto e de Bebeto. Cursou Teatro na CAL (Casa das Artes das Laranjeiras) e também nessa época fez seu primeiro show no Rio de Janeiro.

No final de 1989, conheceu a diretora de teatro Ticiana Studart, que trouxe de Nova Iorque ideias para um show arrojado e irreverente. A linha de pensamento foi: “produzir é um caos, os espaços são um caos, a violência é um caos, o isolamento cultural é um caos,” e logo veio um nome apropriado para o show: “Zélia Cristina no caos.” Como a própria Zélia descreveu:“Embora ainda correndo à margem da grande mídia, sem críticos ou chamadas na TV, o resultado foi muito recompensador. Da Laura Alvim fomos para o Mistura Fina, ambos com lotações esgotadas, e tive a visita de alguém do Estúdio Eldorado, que me convidou para, enfim, gravar um disco.”

1990-1993: Outra Luz, Emirados Árabes e Songbook

Após o convite da Eldorado, Zélia gravou o disco Outra Luz, contudo não ficou completamente satisfeita com o resultado, considerando que o álbum não se parecia com ela. Com Outra Luz, teve duas indicações para o prêmio Sharp, como revelação e melhor cantora pop-rock. O show fez sucesso e Zélia cantou em várias capitais.

Em outubro de 1991, foi convidada para passar três meses nos Emirados Árabes cantando no hotel Meridien. Após o choque inicial, aceitou e os três meses viraram cinco. Esse período foi muito importante, uma vez que, além da música oriental, ela entrou em contato com a música de artistas que a influenciaram muito nos trabalhos posteriores: Joni Mitchell, Joan Armatrading, Sam Cooke, Ry Cooder e Peter Gabriel. Foi também um período criativo, Zélia passou a compor muito. (“O Meu Lugar”, por exemplo). Voltou para o Brasil em 1992 amadurecida pela experiência em Abu Dhabi, disposta para retomar seu trabalho, desta vez com material autoral e sonoridade acústica.

Foi numa longa temporada no Torre de Babel que tudo começou a mudar. Guto Graça Mello foi assistir ao show e a levou para gravar sem compromissos. Depois disso foi convidada por Almir Chediak para participar do Songbook de Dorival Caymmi cantando “Sábado em Copacabana”. Almir apresentou Zélia à Beth Araújo, da WEA nesse dia, que a convidou a entrar para o selo da gravadora.

1994-1995: Zélia Duncan, Catedral e o estouro

Após entrar para a WEA, Beto Boaventura, presidente da gravadora, sugeriu que Zélia alterasse o nome artístico de Zélia Cristina para Zélia Duncan (o sobrenome Duncan, que se origina da família materna — sobrenome de solteira da mãe —, não estava originalmente em seu nome, sendo assim também uma homenagem à avó, chamada Zélia Duncan). O álbum homônimo foi lançado em 1994. A parceria com Christiaan Oyens se mostra muito presente tocando a bateria, bandolim (o que caracterizou a parceria de ambos) e violão. Há nesse disco canções muito marcantes da carreira, como “Lá Vou Eu (Rita Lee)”, “Nos Lençóis Desse Reggae”, “Não Vá Ainda” e “Sentidos”. O sucesso de “Catedral” não foi premeditado. Zélia nem ao menos a incluiu no primeiro disco promocional – no qual coloca a “música de trabalho” –, que contava com quatro canções. Seis meses após o lançamento, "Catedral" entrou para a trilha sonora da novela A Próxima Vítima, da Rede Globo, como tema dos personagens Irene e Diego, protagonistas da trama, e tornou-se um grande sucesso, o primeiro da carreira. A canção é uma regravação traduzida do original da cantora Tanita Tikaram, intitulado "Cathedral song", do álbum Ancient Heart. O reconhecimento pela crítica também não tardou a aparecer. A revista americana Billboard incluiu “Zélia Duncan” na lista dos dez melhores álbuns latinos de 1994, e já no segundo semestre de 1995 Zélia recebeu o Disco de Ouro, pela venda das primeiras 100 mil cópias.

Já com o estouro de “Catedral” nas rádios em 1995, fez uma série de shows e temporadas levando a música para todo o país, interpretando todas as canções do CD, entre outras relevantes desse período e que já estavam presentes no repertório: Rita Lee, Alice Ruiz e Itamar Assumpção. Participou da primeira grande festa de aniversário da Rádio JB Fm no antigo Metropolitan (atualmente Citibank Hall, Rio de Janeiro), onde Maria Bethânia apresentava o espetáculo com novas cantoras da época; além de Zélia estavam presentes Cássia Eller e Adriana Calcanhotto. Na época do encerramento da turnê de divulgação do álbum Zélia Duncan, em agosto, no Parque do Ibirapuera (São Paulo), o disco já havia atingido a marca de 160 mil cópias vendidas.

Zélia passou agosto e setembro de 1996 no estúdio Nas Nuvens, trabalhando no álbum Intimidade, que foi produzido por Liminha, com coprodução de Christiaan Oyens. É um disco bastante autoral, onde Zélia apresenta oito parcerias com Christiaan: "Enquanto durmo", "Intimidade", "Bom pra você", "Experimenta" (C.Oyens, Fernando Vidal, Zélia Duncan), "Não tem volta", "Me gusta", "A diferença" e "Assim que eu gosto". Outras três parcerias com Lucina: "Minha fé", "Coração na boca" e "Primeiro susto". A única canção do disco que não é de autoria de Zélia é “Vou tirar você do dicionário” (Alice Ruiz, Itamar Assumpção). A arte da capa é de Brígida Baltar.

O reconhecimento do disco não tardou: antes do lançamento, “Enquanto Durmo” foi incluída na trilha sonora da novela Salsa e Merengue. Só no primeiro mês, Intimidade vendeu 80 mil cópias e Zélia ainda foi premiada como Melhor Cantora pela APCA.

Em 1997, Zélia excursionou pelo Brasil com o show “Intimidade”, e se apresentou também em Portugal e na Espanha, além de uma série de 12 shows pelo Japão em setembro. Nos Estados Unidos, participou do Festival de Música Brasileira. Em agosto, cantou no Canecão pela primeira vez. O show contou com a participação de Itamar Assumpção.

1998 foi o ano em que Zélia começou a trabalhar no sucessor de Intimidade. Entre junho e julho, nos estúdios A/R, o disco foi gravado com produção de Christiaan Oyens. Foi mixado por Eric Sarafin e masterizado por Dave Collins no estúdio A&M em Los Angeles, Califórnia. O álbum traz onze faixas, sendo oito delas parcerias com Christiaan: "Verbos sujeitos", "Haja", "Sexo", "Imorais", "Toda Vez", "O Lado Bom", "Às Vezes Nunca" e "Por Hoje É Só". Há uma parceria com Lucina: "Depois do Perigo". "Código de acesso" de Itamar Assumpção abre o disco e “Quase sem Querer” (Negrete, Dado Villa-Lobos, Renato Russo) é cantada por Zélia em versão acústica. O disco foi lançado em outubro e Zélia seguiu em turnê de divulgação com ele do fim de 1998 até 2000.

Em março de 2000, participa da gravação do Acústico MTV do Capital Inicial, no Teatro Mars, em São Paulo, cantando na música "Eu Vou Estar". Zélia havia sido colega de Dinho no Marista, um colégio de padre de Brasília.

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