Witold Pilecki (Olonets, 13 de maio de 1901 — Varsóvia, 25 de maio de 1948) foi um capitão de cavalaria da Segunda República Polaca, agente da inteligência, co-fundador do movimento de resistência "Exército Secreto Polaco" (Tajna Armia Polska) e membro do exército (Armia Krajowa). Serviu como Rotmistrz (capitão) no Exército Polaco durante a Guerra Polaco-Soviética, na Segunda República Polonesa e na Segunda Guerra Mundial. Tinha os codinomes Roman Jezierski, Tomasz Serafiński e Druh, Witold.
Foi o autor do Relatório Witold, o primeiro relatório de inteligência dos Aliados sobre os acontecimentos dentro do campo de concentração de Auschwitz. Durante a Segunda Guerra, Witold se voluntariou para uma operação da resistência polaca em que ele deveria ser preso e enviado a Auschwitz com o intuito de conseguir informações de inteligência e depois escapar. No campo, ele organizou um movimento de resistência e informou às Forças Aliadas sobre as atrocidades nazistas no começo de 1941. Witold escapou de Auschwitz em 1943, depois de ficar quase dois anos e meio preso.
Foi combatente durante a Revolta de Varsóvia, em 1944. Permaneceu leal ao Governo polonês no exílio, baseado em Londres, depois da tomada comunista da Polônia e foi preso por espionagem em 1947 pela polícia secreta, acusado de trabalhar para o "imperialismo estrangeiro", um eufemismo para designar a Inteligência Britânica. Witold foi executado após um julgamento de fachada em 1948. As informações sobre sua prisão e destino foram segredo de Estado na Polônia comunista até 1989.
Witold é considerado um dos grandes heróis de guerra. Seu nome é lembrado até hoje na Polônia como símbolo de humanidade e liberdade e sua história é lembrada anualmente nas embaixadas polonesas.
Witold Pilecki nasceu em Olonets, República da Carélia, no antigo Império Russo, em 13 de maio de 1901. Vinha de uma família aristocrática, ligada à nobreza polonesa, originária da região de Grodno. Seu avô, Józef Pilecki, era um latifundiário hereditário da coroa e um nacionalista polonês fervoroso. Foi apoiador da secessão durante a Revolta de Janeiro de 1863 a 1864. Com a derrota da revolta pelas brutais forças russas, Józef Pilecki, bem como muitos outros nobres poloneses apoiadores da rebelião, tiveram seu título de nobreza revogado. Sua propriedade próximo a Lida e outras residências foram confiscadas pelo governo russo e ele foi condenado ao exílio por sete anos na Sibéria.
Depois da soltura, Józef e a família foram forçados a se reassentar pelas autoridades czaristas na remota República da Carélia, A família foi proibida de viver fora de sua província por cerca de 30 anos e seus membros estavam obrigados por lei a conseguir emprego apenas em território russo.
O pai de Witold, Julian Pilecki, foi treinado para ser guarda florestal, em São Petersburgo, e ingressou no serviço público russo como inspetor chefe no Departamento Nacional de Florestas da República da Carélia. Em algum momento, ele se estabeleceu na cidade de Olonets, onde se casou com Ludwika Osiecimska. Witold era o quarto dos cincos filhos do casal. Em 1910, Ludwika e os filhos deixaram a Carélia e se estabeleceram a noroeste, próximo ao que é hoje a Lituânia e a Bielorrússia. O pai se juntou a eles e a família se mudou novamente, desta vez para Vilnius, na Lituânia, onde Witold terminou os estudos primários e se tornou membro da Związek Harcerstwa Polskiego (ZHP), de escoteiros.
Na Primeira Guerra Mundial, Vilnius foi ocupada pelos militares do Exército Alemão, em 5 de setembro de 1915 e integrada ao Ober Ost, a administração militar alemã. Witold e a família fugiram para Mogilev, na Bielorrússia. Em 1916, Witold se mudou para a cidade russa de Oriol, onde terminou o colégio e fundou uma unidade local da ZHP.
Com a eclosão da Revolução Russa e a derrota dos Impérios Centrais na Primeira Guerra, Witold retornou a Vilnius, agora parte da recém-criada Segunda República Polonesa e se juntou à seção local da ZHP na milícia nacional lituano-bielorussa, uma unidade paramilitar alinhada com o Movimento Branco do general Władysław Wejtko. A milícia desarmou as tropas alemãs que se retiravam e tomou posições para defender a cidade do iminente ataque do Exército Vermelho. Porém, a capital caiu diante das forças bolcheviques em 5 de janeiro de 1919, e Witold e sua unidade recorreu à táticas de sabotagem atrás das linhas inimigas soviéticas.
Junto de seus camaradas, ele recuou para Białystok, onde Witold se alistou como recruta no novo exército de voluntários polonês. Foi nesta unidade que ele participou da Guerra Polaco-Soviética, de 1919 a 1921, sob o comando do capitão (e depois tenente-coronel) Jerzy Dąbrowski. Lutou na Batalha de Kiev, em 1920 e como membro da cavalaria, tomou parte na defesa de Grodno. Em 5 de agosto de 1920, Witol se juntou ao 211º regimento Ulano e lutou na crucial Batalha de Varsóvia, em 1920 e na floresta Rudniki. Participou também da Batalha de Vilnius e serviu brevemente na Guerra polaco-lituana como membro do Motim de Żeligowski, em outubro de 1920. Foi duas vezes condecorado com a Cruz de Valor por bravura.
Com o fim da Guerra Polaco-Soviética, em março de 1921, Witold foi transferido para a reserva. Foi promovido a cabo e designado para um cargo não-comissionado. Terminou seus estudos secundário no mesmo ano e em 1922, Witold estudou agricultura brevemente na Universidade de Poznań. Ele logo retornaria a Vilnius para se matricular na Faculdade de Belas Artes na Universidade de Vilnius. Foi forçado a abandonar os estudos devido a problemas financeiros e à saúde do pai, em 1924. Ingressou depois na escola de oficiais da reserva da cavalaria, em Grudziądz, onde se formou em julho de 1925 no 26º Regimento de Lanceiros, com a patente de alferes, sendo promovido a tenente no ano seguinte.
Em setembro de 1926, Witold se tornou herdeiro da propriedade ancestral da família, o Voivodia de Nowogródek, no distrito de Lida. Witold reconstruiu e modernizou a propriedade parcialmente destruída na Primeira Guerra. Em 7 de abril de 1931, ele se casou com Maria Ostrowska (1906 - 6 de fevereiro de 2002), uma professora primária originária de Narach, hoje na Bielorrússia. O casal teve dois filhos nascidos em Vilnius, Andrzej (16 de janeiro de 1932) e Zofia (14 de março de 1933). O casal depois foi morar na residência ancestral da família.
Nessa época, Witold se tornou um líder comunitário e um importante membro da comunidade local, além de pintor amador. Era um militante pelo desenvolvimento do meio rural, fundando uma cooperativa agrícola. Foi também chefe da brigada local de bombeiros e foi diretor de uma fábrica processadora de leite do distrito. Em 1932, Witold abriu uma escola de cavalaria em Lida e pouco depois ele foi nomeado como líder do recém-criado 1º esquadrão de Lidsky, posto que manteria até 1937, quando a unidade foi assimilada pela 19ª Divisão de Infantaria. Em 1938, ele recebeu a Cruz de Prata ao Mérito por seu trabalho comunitário e social.
Witold foi nomeado como comandante da cavalaria em 26 de agosto de 1939. Foi designado para a 19ª Divisão de Infantaria sob o comando do general Józef Kwaciszewski. Sua unidade participou de intensos combates contra as forças alemãs durante a Invasão da Polônia. Sua unidade foi quase que totalmente dizimada pelos alemães em 10 de setembro e ele foi obrigado a recuar. Foi então incorporado à 41ª Divisão de Infantaria, onde serviu como segundo em comando de divisão, sob o major Jan Włodarkiewicz. Com seus homens, Witold destruiu tanques alemães, abateu aeronaves e destruiu vários aviões no chão.
Em 17 de setembro daquele ano, a União Soviética invadiu o leste da Polônia, seguindo o Pacto Molotov-Ribbentrop. Após a queda de Varsóvia em 27 de setembro de 1939, Witold e muitos de seus homens continuaram lutando como partisans. Sua divisão se desmantelou em 17 de outubro, com alguns deles se rendendo ao inimigo. Witold se escondeu em Varsóvia com seu comandante, o major Włodarkiewicz. Em 9 de novembro de 1939, os dois foram encontrados pela Polícia Secreta Polonesa (Tajna Armia Polska, TAP), uma das primeiras organizações clandestinas da Polônia. Witold se tornou comandante organizacional da TAP à medida que se expandia para cobrir Varsóvia, Siedlce, Radom, Lublin e outras grandes cidades da região central da Polônia.