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William Wallace

Líder escocês

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William Wallace (em escocês gaélico: Uilleam Uallas; em francês normando: William le Waleys; 1270–1305) foi um nobre cavaleiro escocês que se tornou um dos principais líderes da guerra de independência da Escócia.

Wallace ganhou fama na Escócia após derrotar, ao lado de Andrew Moray, um exército inglês na batalha da ponte de Stirling, em setembro de 1297. Ele foi então apontado para o cargo de Alto Guardião do seu país e serviu nessa posição até sua derrota na batalha de Falkirk em julho de 1298. Em agosto de 1305, Wallace foi capturado em Robroyston, próximo a Glasgow, e foi entregue ao rei Eduardo I da Inglaterra, que ordenou que ele fosse enforcado, arrastado e esquartejado por alta traição e outros crimes cometidos contra os ingleses.

Após sua morte, William Wallace se tornou um mártir e um símbolo, não só na Escócia como fora dela também. Ele foi protagonista de um famoso poema épico intitulado The Wallace, do escritor Blind Harry. Vários outros autores famosos, como Sir Walter Scott e Jane Porter também escreveram renomadas peças literárias sobre ele. Em 1995, o filme Braveheart (vencedor do Óscar) foi lançado e renovou o fascínio do público pela história escocesa e por Wallace.

William Wallace era membro de uma família nobre de pouca proeminência, mas pouco se sabe sobre a sua história familiar ou quem de fato eram seus pais. O poema de Blind Harry do século XV diz que o nome do seu pai era Sir Malcolm de Elderslie; contudo no selo de William, encontrado numa carta enviada para a cidade de Lübeck, no ano de 1297, denota o nome do seu pai como sendo Alan Wallace. Este nome, Alan Wallace, pode ser o mesmo listado em 1296 em manuscritos oficiais em Ayrshire.

O poema de Blind Harry diz que William era filho de Sir Malcolm de Elderslie, o que faz com que muitos acreditem que Wallace nasceu em Elderslie, Renfrewshire, e isso ainda é visto por muitos historiadores como verdade, incluindo a Sociedade histórica William Wallace. Porém o selo oficial numa carta atribuída a Wallace colocaria seu nascimento na região em Ayrshire. Não há evidências contemporâneas que liguem William Wallace a qualquer um desses dois lugares, embora outros supostos membros da sua família tenham conexão com esses lugares. Há relatos de que membros de sua família, anteriores a Wallace, tenham vivido em Riccarton, Tarbolton, Auchincruive e Kyle (em East Ayrshire e South Ayrshire) e Stenton (em East Lothian). Eles eram vassalos de James Stewart, 5º Alto Guardião da Escócia, já que suas terras caiam em sua jurisdição. Os irmãos de Wallace, Malcolm e John, são conhecidos através de outras fontes.

A origem do sobrenome Wallace é associado ao sudoeste da Escócia, mas também tem origens incertas. Este nome tem origens no inglês antigo, wylisc (pronunciado "wullish"), que significa "estrangeiro" ou "Welshman" ("Galês"). É possível que todos os Wallaces nas regiões ao redor do rio Clyde fossem imigrantes medievais do País de Gales, mas o termo também era utilizado para falantes em geral da língua cúmbrica.

Durante a infância e adolescência de William Wallace, o rei Alexandre III governava a Escócia. Seu reinado foi marcado por paz e prosperidade econômica. Em 19 de março de 1286, contudo, Alexandre morreu ao cair do cavalo.

A herdeira de Alexandre era sua neta, a jovem Margarida. Como ela era só uma criança e ainda vivia na Noruega, os lordes escoceses formaram um governo de guardiões. Margarida acabou adoecendo na sua viagem de volta para a Escócia e faleceu em Orkney, a 26 de setembro de 1290. A falta de um herdeiro levou a um período de incertezas, com várias famílias nobres reivindicando o trono.

As tensões na Escócia cresceram e o medo de uma guerra civil era real. Então o rei Eduardo I da Inglaterra foi convidado pela nobreza escocesa para agir como árbitro da disputa sucessória. Antes do processo começar, Eduardo I insistiu que todos os nobres escoceses o nomeassem Senhor Supremo da Escócia. No começo de novembro de 1292, em uma grande corte que aconteceu em Berwick-upon-Tweed, o rei inglês nomeou, dentro da lei escocesa, John Balliol para o trono, afirmando que a reivindicação dele a coroa era mais sólida.

Eduardo I logo começou a minar a autoridade das cortes escocesas e proclamou o rei John Balliol como seu vassalo. John era considerado um rei fraco pelos clãs escoceses. Cedendo a pressão dos seus nobres, John decidiu renunciar a homenagem que deveria fazer ao monarca britânico em março de 1296. Furioso, Eduardo I saqueou Berwick-upon-Tweed e em abril derrotou os escoceses na Batalha de Dunbar em East Lothian e em julho já tinha forçado John a abdicar. Eduardo I então exigiu homenagens de mais de 1 800 nobres escoceses e ordenou que suas tropas ocupassem várias regiões chave da Escócia.

Vários historiadores, como Andrew Fisher, acreditam que Wallace provavelmente tinha experiência militar prévia antes de se envolver na guerra de independência escocesa em 1297. Muito provavelmente ele lutou (talvez como mercenário) ao lado do exército inglês de Eduardo I em sua guerra no País de Gales. O selo pessoal de Wallace tinha uma insígnia de arqueiros, então talvez ele tenha sido arqueiro no exército de Eduardo.

O cronista do século XV Walter Bower diz que Wallace era um "homem alto, com corpo de gigante … com braços e pernas fortes". O poema de Blind Harry diz que ele tinha 2,15 m de altura.

Guerra pela independência escocesa

A primeira ação militar tomada por William Wallace que se tem notícia durante a guerra de independência da Escócia foi um ataque a William de Heselrig, o Alto xerife inglês de Lanark, em maio de 1297. Os motivos que o levaram a se juntar a guerra são desconhecidos. O poema de Blind Harry diz que Wallace tinha se casado com uma mulher chamada Marian (ou Murron) Braidfoot, na igreja de S. Kentingern. Ela teria sido assassinada a mando do xerife de Lanark e isso pode tê-lo instigado a se revoltar (ou talvez a morte de sua esposa teria sido uma retaliação por ele já participar da rebelião), porém esta história é considerada falsa, com muitos historiadores modernos contestando essa versão, acreditando que Wallace na verdade nunca foi casado. Seja como for, após a luta em Lanark, ele então se juntou a William de Hardy, Lorde de Douglas, e atacou os ingleses em Scone, na região de Perth e Kinross. A rebelião de Wallace foi uma dentre muitas revoltas de nobres e plebeus escoceses contra os ingleses. Naquele período, a guerra ia mal e a Escócia estava sem liderança e parcialmente ocupada militarmente. Uma outra revolta bem sucedida estava sendo liderada por Andrew Moray no norte.

Em julho de 1297, parecia que as rebeliões na Escócia estavam com seus dias contados quando vários nobres escoceses resolveram dobrar o joelho para o rei inglês Eduardo I na cidade de Irvine. Wallace e Moray continuaram suas campanhas individuais, apesar de tudo. William Wallace se baseava na floresta de Ettrick, no sul, como uma base para saques e guerrilha, realizando ataques em Ancrum, na região de Scottish Borders. Wallace e Moray decidiram unir forças, possivelmente durante o cerco de Dundee em setembro.

Em setembro de 1297, as tropas de Wallace e Andrew Moray se uniram para deter o avanço do exército inglês. Na subsequente batalha da ponte de Stirling, embora em menor número, os escoceses conquistaram sua primeira vitória significativa na guerra. John de Warenne, 6º Conde de Surrey, liderava uma tropa de 3 000 cavaleiros e entre 8 mil e 10 mil soldados de infantaria, se movendo a partir do Castelo de Stirling, considerado o coração da Escócia. Para avançar pela região, contudo, era necessário passar por uma ponte de madeira estreita. Quando metade das forças inglesas cruzou o rio, os homens de Wallace e Moray atacaram e massacraram boa parte da tropa inimiga. A ponte colapsou e caiu, dando uma importante vitória aos escoceses, aumentando sua moral e confiança.

Após esta batalha, Moray e Wallace foram nomeados Guardiões do Reino da Escócia. Moray, contudo, faleceu pouco tempo depois ainda em 1297, dando a William Wallace toda a glória da vitória.

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