William Lloyd Garrison (Newburyport, Massachusetts, 10 de dezembro de 1805 – Nova Iorque, 24 de maio de 1879) foi um proeminente abolicionista, jornalista e reformador social dos Estados Unidos. É mais conhecido por ser o editor do jornal abolicionista radical The Liberator, e um dos fundadores da Sociedade Antiesclavagista Americana.
William Garrison nasceu no Massachusetts, filho de imigrantes oriundos da província de Nova Brunswick, no Canadá.
Sob o Seaman's Protection act, Abijah Garrison, um piloto e contramestre da marinha mercante, tinha obtido a documentação dos Estados Unidos, mudando-se com a sua família para Newburyport em 1805. Com o impacto do Acto de Embargo Congregacional de 1807 em matéria de navios comerciais, o pai de Garrison ficou desempregado e deixou esposa e filhos em 1808. A mãe de Garrison, Frances Maria Lloyd, falecida em 1823, foi descrita pelo seu alto porte e elegância, e pelas suas fortes convicções religiosas. A seu pedido, William Garrison passou a ser conhecido pelo seu segundo apelido, Lloyd.
O jovem Lloyd Garrison vendia melaço caseiro e era madeireiro para sustentar a família. Em 1818, com treze anos, Garrison começou a trabalhar como tipógrafo para o Newburyport Herald. Cedo começou a redigir artigos, muitas vezes com o pseudónimo de Aristides, tomando o nome de um diplomata e general ateniense conhecido como "O Justo". Depois de terminar a aprendizagem, ele e um editor principiante chamado Isaac Knapp compraram o seu próprio jornal, Free Press, que não tardaria a cancelar as suas edições. Um dos seus contribuintes regulares era o poeta e abolicionista John Greenleaf Whittier. Neste prematuro trabalho como escritor de um diário local de uma localidade de singular dimensão, Garrison adquiriria os dotes que empregaria mais tarde como autor, conferencista e jornalista a nível nacional. Até 1828, foi nomeado editor do National Philanthropist em Boston, Massachusetts, o primeiro jornal do pais a promover um movimento de abstenção legal em questões de escravatura.
Com a idade de 25 anos, Garrison aderiu ao movimento abolicionista. Por um breve lapso associou-se com a Sociedade Americana de Colonização, um organismo que considerava que os negros libertos deviam emigrar para um território sobre a costa oeste de África. Embora alguns membros da sociedade incentivaram o direito à liberdade de muitos escravos, a maioria via a mudança como um meio para reduzir o número de negros livres nos Estados Unidos, favorecendo portanto à instituição da escravatura. Próximo a 1830, Garrison tinha recusado os programas da organização da qual fazia parte, optando por se abrir e procurar a justiça de outra forma.
Ideia de Emancipação universal
Garrison cedo se viu envolvido na luta contra o sistema de escravatura, escrevendo com tais expectativas, para pouco depois ser co-editor juntamente com Benjamin Lundy de Genius of Universal Emancipation, uma publicação que se escrevia em Baltimore, Maryland. A sua experiência como impressor e editor levou-o a modernizar o formato do papel e separar-se de Lundy para passar mais tempo viajando como um conferencista antiesclavagista.
Garrison, inicialmente, partilhou a visão gradual de Lundy, mas enquanto trabalhava para o Genius, convenceu-se da necessidade de reclamar uma completa e imediata emancipação. Lundy e Garrison continuariam a unir esforços sobre o jornal apesar das suas discrepâncias, e acordando simplesmente em assinar suas edições para indicar quem as tinha escrito.
Uma das características regulares que Garrison introduziu durante seu participação no Genius foi The Black List ("A lista negra"), uma coluna de opinião destinada à impressão de curtas reportagens sobre "as barbaridades da escravatura — sequestros, violência, homicídios." Uma das filas da "Lista negra" de Garrison, reportava que um despachante da sua cidade natal, Newburyport – um tal Francis Todd – se achava envolvido no tráfico de escravos, e que recentemente os tinha deslocado desde Baltimore até Nova Orleães, no seu barco Francis.
Todd apresentou uma acção contra Garrison e Lundy, fazendo-o em Maryland com o fim de assegurar o apoio das cortes promotoras do "sistema". O Estado de Maryland também registou cargos criminais sobre Garrison, encontrando-o culpado e ordenando-o a pagar 50 dólares mais gastos judiciais – acusações contra Lundy foram canceladas sob o pretexto de que o co-autor do jornal se encontrava de viagem quando a polémica publicação do seu companheiro. Garrison no pôde pagar a multa e foi sentenciado a seis meses de prisão, mas absolvido sete semanas mais tarde quando um filantropo abolicionista, Arthur Tappan, pagou a fiança.Com isto, William abandonaria Baltimore depois da separação de bens com Lundy.
Em 1831, Garrison regressava a Nova Inglaterra para fundar um jornal semanal antiesclavagista por sua própria conta, The Liberator. Como resultado dos seus artigos, iniciar-se-ia uma guerra de trinta anos que terminaria com a supressão da segregação racial justificada. Na sua primeira linha, Garrison defendia:
Estou ao corrente de que muitos apresentam objecções pela severidade da minha linguagem; mas não existirá um motivo para tal severidade? Serei tão duro como a verdade, e tão descomprometido como a justiça. Neste aspecto, não desejo pensar, ou falar, ou escrever com moderação. Não! Não! Pedi a um homem cuja casa está em chamas que apresente alarme moderado; pedi que resgate moderadamente a sua esposa das mãos do violador; pedi à mãe que separe gradualmente o seu bebé do fogo no qual caiu; – mas não me pressioneis para empregar a moderação numa causa como a presente. Sou sério – Não me equivocarei – Não me desculparei – Não retrocederei nem um só passo – e SEREI ESCUTADO. A apatia das pessoas é suficiente para fazer que cada estátua salte do seu pedestal, e para apressar a ressurreição da sua morte.
A circulação inicial do Liberator foi relativamente limitada — havia menos de 400 subscritores durante o seu segundo ano. No entanto, a publicação obteve mais subscritores e influência durante as três décadas seguintes, até que o final da Guerra Civil e a abolição definitiva, a nível nacional, da escravatura, proclamada pela décima terceira emenda da Constituição dos Estados Unidos surtisse efeito. Garrison publicaria o último artigo (número 1820) em 29 de Dezembro de 1865, escrevendo na sua coluna "Valedictory":
Começando a minha trajectória como editor com apenas vinte anos de idade, segui-a continuamente até aos meus 61 anos, em ligação com The Free Press, em Newburyport, na Primavera de 1826; logo, com 'The National Philantrope, em Boston, em 1827; mais tarde, com O Jornal dos Tempos, em Bennington, Vermont, entre 1828–9; depois, com Genius of Universal Emancipation, em Baltimore, durante 1829–30; e, finalmente, com The Liberator, em Boston, de 1 de Janeiro de 1831 até 1 de Janeiro de 1866; — no início, provavelmente o membro mais jovem da fraternidade editorial no lugar, hoje quiçá o mais velho, não em anos, mas em contínuo serviço — ao menos o Sr. Bryant, do New York Evening Post', é a excepção. ... O motivo pelo qual o The Liberator foi criado — a exterminação da posse de escravos, estando gloriosamente consumada, parece-me especialmente apropriado deixar que a sua existência cubra o período histórico da grande luta; deixando o que ainda resta por fazer, isto é, completar a tarefa de emancipação com outros instrumentos (dos quais espero aproveitar eu mesmo), sob novos auspícios, com meios mais abundantes, e com milhões em vez de centenas de aliados.
Em 1832, Garrison fundou a Sociedade Antiesclavagista da Nova Inglaterra, e um ano depois, fá-lo-ia com a Sociedade Antiesclavagista Americana. Nesse ano de 1833, Garrison visitou o Reino Unido e ficou a par do movimento abolicionista desse país. Ele defendia que a "Sociedade" não deveria aderir a nenhum partido político, e que as mulheres não podiam ser privadas da participação em actividades sociais.
Influenciado pela ideologia de Susan Anthony, Elizabeth Cady Stanton, Lucretia Mott, Lucy Stone e outras feministas que se uniram à causa, Garrison persistiria no seu objectivo.