Walter Marty Schirra Jr. (Hackensack, 12 de março de 1923 – San Diego, 3 de maio de 2007) foi um aviador naval, piloto de teste e astronauta norte-americano, o primeiro humano a viajar ao espaço em três ocasiões diferentes. Ele nasceu e cresceu em Nova Jérsei e alistou-se na Marinha dos Estados Unidos após o Ataque a Pearl Harbor, formando-se em 1945 e participando dos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Schirra conseguiu seu certificado de piloto em 1948 e lutou na Guerra da Coreia. Depois disso tornou-se um piloto de teste, o que lhe permitiu ganhar experiência de voo em aeronaves de última geração.
Ele foi selecionado em 1959 como parte do Grupo 1 de Astronautas da NASA, trabalhando nos projetos de suporte de vida, do traje espacial e da cápsula espacial do Projeto Mercury. Fez seu primeiro voo espacial em outubro de 1962 na Mercury-Atlas 8, uma missão orbital de pouco mais de nove horas de duração. Schirra continuou treinando como astronauta e voltou ao espaço em dezembro de 1965 na Gemini VI-A, parte do Projeto Gemini. Em seguida foi designado para o Programa Apollo, voando por dez dias em outubro de 1968 a bordo da Apollo 7. Ele se aposentou da NASA e da Marinha em julho de 1969.
Schirra, depois disso, tornou-se consultor espacial da emissora CBS, cobrindo todas as alunissagens do Programa Apollo ao vivo como comentarista televisivo junto com Walter Cronkite. Deixou a CBS em 1975 e foi presidente ou executivo de diversas companhias diferentes pelas décadas seguintes. Ele também co-escreveu cinco livros que falavam da sua biografia, do programa espacial dos Estados Unidos e da história da aviação naval norte-americana. Schirra morreu em 2007 de um enfarto enquanto era tratado de um câncer estomacal. Seus restos mortais foram cremados e suas cinzas espalhadas no mar.
Walter Marty Schirra Jr. nasceu no dia 12 de março de 1923 na cidade de Hackensack, Nova Jérsei, Estados Unidos. Seus avós paternos eram oriundos da Baviera e da Suíça e originalmente tinham ascendência italiana, especificamente da comuna de Ghilarza na Sardenha. Seu pai era Walter M. Schirra Sr., que tinha nascido na Filadélfia, Pensilvânia, porém lutou na Primeira Guerra Mundial como piloto de bombardeiro e reconhecimento junto com a Força Aérea Canadense. Depois da guerra ele passou a se apresentar regularmente como piloto de acrobacias em feiras locais do estado. A mãe de Schirra era Florence Shillito Leach, que costumava acompanhar o marido em suas viagens de apresentação e realizava acrobacias caminhando em sua asa.
Schirra cresceu em Oradell, Nova Jérsei, onde estudou na Escola Superior Dwight Morrow e foi Primeira Classe da Tropa 36 dos Escoteiros. Ele se formou na Dwight Morrow em 1940 e foi estudar no Colégio Newark de Engenharia, onde envolveu-se com a fraternidade Sigma Pi e com o Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva das Forças Armadas. Schirra decidiu candidatar-se para uma academia militar depois do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Seu pai o encorajou a entrar na Academia Militar de West Point, porém ele decidiu por se alistar na Academia Naval dos Estados Unidos. O curso da academia fora encurtado de quatro anos para três por causa da Segunda Guerra Mundial, de forma que Schirra se formou em 1945.
Schirra foi comissionado alferes da Marinha dos Estados Unidos em 1945, logo depois de se formar. Ele serviu durante os últimos meses da Segunda Guerra Mundial a bordo do cruzador de batalha USS Alaska. Voltou para os Estados Unidos após a Rendição do Japão e o Alaska foi descomissionado pouco depois. Schirra foi transferido para Qingdao na China e designado para o navio anfíbio de comando USS Estes. Ao retornar da China começou a treinar como aviador naval na Estação Aeronaval de Pensacola na Flórida. Schirra tinha começado a namorar Josephine Cook Fraser logo depois de ter-se formado na Academia Naval. Os dois se casaram em 23 de fevereiro de 1946 e tiveram dois filhos: Walter em 1950 e Suzanne em 1957.
Ele completou seu treinamento em 1948 e recebeu seu certificado de piloto, juntando-se ao Esquadrão de Caças 71 na Estação de Guarda Aeronaval de Quonset Point em Rhode Island. Durante anos ele pilotou um Grumman F8F Bearcat, depois fazendo um treinamento no avião a jato Lockheed P-80 Shooting Star em preparação para transição que seu esquadrão passaria a fim de pilotarem o Grumman F9F Panther. Schirra foi transferido para o porta-aviões USS Midway no Mar Mediterrâneo depois do início da Guerra da Coreia em junho de 1950. Ele se candidatou a um programa de intercâmbio com a Força Aérea com o objetivo de ganhar experiência de combate, sendo selecionado e passando a pilotar um Republic F-84 Thunderjet.
Schirra foi inicialmente designado para o 154º Esquadrão de Caças-Bombardeiros. Esta força de combate ficava baseada na Base Aérea de Itazuke no Japão, de onde decolava para missões sobre a Coreia do Sul. O esquadrão foi transferido para uma base em Daegu na Coreia à medida que as forças norte-americanas foram avançando para o norte. Ele lutou no decorrer de oito meses em noventa missões de combate, abatendo dois Mikoyan-Gurevich MiG-15 inimigos.
Ele tornou-se um piloto de teste na Estação Aeronaval de Armas de China Lake na Califórnia depois de retornar da Coreia. Schirra testou vários sistemas de armamentos, no processo sendo o primeiro piloto do mundo a voar e disparar um míssil AIM-9 Sidewinder. Depois disso foi designado para a Estação Aeronaval de Miramar, também na Califórnia, a fim de testar o Vought F7U Cutlass, o novo avião a jato da Marinha. Em seguida foi para a Estação Aeronaval de Moffett para iniciar treinamentos de transição no Cutlass e depois no McDonnell F3H Demon. Schirra realizou uma viagem de serviço na Ásia a bordo do porta-aviões USS Lexington e depois passou por treinamentos de segurança na aviação que foram realizados junto com a Universidade do Sul da Califórnia, sendo aceito em 1958 na Escola de Pilotos de Teste Navais.
Schirra foi membro da Classe 20 da Escola de Pilotos de Teste Navais, junto com os futuros companheiros astronautas Jim Lovell e Pete Conrad, onde aprendeu a voar várias aeronaves, incluindo o Douglas F4D Skyray, o Grumman F-11 Tiger e o Vought F-8 Crusader. Depois de se formar foi para a Estação Aeronaval de Patuxent River em Maryland, onde testou o McDonnell Douglas F-4 Phantom II para determinar se o avião poderia se tornar uma aeronave de porta-aviões.
Schirra foi em fevereiro de 1959 um de 110 pilotos de teste considerados candidatos a astronautas para o Projeto Mercury, o primeiro programa espacial da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA). Ele acabou escolhido como um dos sete astronautas originais selecionados em abril de 1959. As áreas de responsabilidade de Schirra durante o desenvolvimento do projeto foram os sistemas de suporte de vida e a pressurização do traje espacial. Ele também trabalhou ao lado de John Glenn no projeto da capsula da espaçonave Mercury. Ele e Scott Carpenter voaram aviões de perseguição Convair F-106 Delta Dart durante a missão suborbital Mercury-Redstone 3 de Alan Shepard em maio de 1961. Schirra fora inicialmente designado como o reserva de Donald Slayton para a missão Mercury-Atlas 7, porém foi Carpenter quem assumiu a posição de principal depois de Slayton ter sido retirado por problemas de saúde. Schirra em vez disso foi designado como o principal do voo seguinte, a Mercury-Atlas 8.
A missão decolou na manhã de 3 de outubro de 1962, com Schirra a bordo da espaçonave que nomeou de Sigma 7. A nave chegou em órbita depois de um pequeno desvio de trajetória durante o voo. Em seguida Schirra manobrou e posicionou a nave manualmente através do sistema de controle de reação. A NASA focou-se mais nos fatores humano e de engenharia na operação manual da capsula depois dos problemas de navegação enfrentados por Carpenter na Mercury-Atlas 7. Schirra relatou que as temperaturas estavam subindo, chegando em 32 graus Celsius, até finalmente conseguir ajustar manualmente o resfriamento do seu traje. Depois disso testou sua capacidade de usar os controles em um ambiente de gravidade zero. Durante toda a missão ele também demonstrou sua capacidade de servir como reserva dos controles automáticos e voar a nave manualmente. Schirra alinhou a Sigma 7 sobre a África depois de seis órbitas e acionou os motores para levá-lo de volta para a superfície. A nave amerrissou oito quilômetros de distância do porta-aviões USS Kearsarge no Oceano Pacífico. A capsula foi içada para o convés e Schirra acionou a escotilha explosiva para poder sair, machucando-se no processo, o que provou que seu companheiro Gus Grissom não tinha aberto sua escotilha intencionalmente na missão Mercury-Redstone 4. Schirra voltou para os Estados Unidos e ele e sua família foram recepcionados pelo presidente John F. Kennedy na Casa Branca em 16 de outubro.