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Walter J. Ong

Walter Jackson Ong (30 de novembro de 1912 - 12 de agosto de 2003) foi um sacerdote norte-americano, membro da Companhia

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Walter Jackson Ong (30 de novembro de 1912 - 12 de agosto de 2003) foi um sacerdote norte-americano, membro da Companhia de Jesus, professor de literatura inglesa, filósofo, historiador nos campos cultural e religioso e um dos principais intelectuais do século XX. Desenvolveu importantes estudos no campo da oralidade e da escrita, explorando as mudanças culturais e psicológicas ocorridas na transição entre ambas. Em 1978, foi eleito presidente da Modern Language Association of America.

Ong nasceu em Kansas City, em Missouri. Foi criado como católico, mesmo seu pai sendo protestante, a religiosidade de sua mãe prevaleceu. Walter Ong estudou ao longo de sua vida em escolas católicas e jesuítas se especializando em latim mas também obtendo bons resultados em biologia e filosofia.Conquistou o seu primeiro diploma universitário, em língua latina, aos 16 anos.

Em 1929, formou-se em Rockhurst High School e, quatro anos depois aos 21 anos, recebeu diploma de bacharel em artes pela Rockhurst College. Durante seu tempo em Rockhurst College, fundou uma fraternidade católica, Alpha Delta Gamma. Trabalhou com impressão e publicação antes de ingressar no noviciado dos jesuítas no ano de 1935, em Florissant. Dois anos após seu estudo religioso, o estudioso foi enviado para aprimorar seu estudos na área de humanas na Saint Louis University onde, posteriormente em 1941 , completou seu mestrado em Inglês orientado por Marshall McLuhan . Ong também se diplomou em Filosofia e Teologia Sacra pela Saint Louis University. Foi ordenado padre em 1946.

Em 1955, recebeu seu Ph.D. em Inglês pela Universidade de Harvard. Após isso, lecionou por 30 anos em Saint Louis University, se dedicando também à palestrar ao redor do mundo. Lá foi homenageado com a mais alta honraria: a Espada de Inácio de Loyola, em 1993. Em 1997 recebeu o prêmio Lifetime Achievement, atribuído pela Conferência Americana de Cristianismo e Literatura. Durante sua carreira teve seus livros publicados em mais de 400 edições, em todo o mundo, e os seus ensinamentos citadas em mais de dois mil trabalhos.

Walter Ong morreu no dia 12 de Agosto de 2003, aos 90 anos, em Saint Louis, Missouri.

Walter J. Ong se utilizou de diversas fontes para os seus estudos e de cada uma retirou algo diferente para acrescentar a seu trabalho, entre eles, a ideia do linguista e filósofo suíço1 Ferdinand de Saussure de que a escrita é um complemento do discurso oral. Henry Sweet, especialista em línguas germânicas, também contribuiu para o trabalho de Ong, com seus estudos sobre as palavras, que são feitas não por letras, mas por unidades sonoras ou fonemas. Ong também foi orientando de Marshall McLuhan na sua tese de mestrado sobre língua inglesa na Saint Louis University (SLU), em que ambos pesquisaram a respeito das operações mentais efetuadas na oralidade e na cultura escrita. Posteriormente, Mcluhan mencionou Ong no seu clássico livro A Galáxia de Gutenberg. Jack Goody, cientista social e antropólogo inglês, que estudou a passagem de um estado de consciência a outro mais elaborado e complexo, Lévi-Strauss, com sua pesquisa sobre o “pensamento selvagem” e suas transformações para outros raciocínios mais elaborados são outras personalidades que tiveram grande influência para o trabalho de Ong, além de Pierre de la Ramée que foi quem iniciou os pensamentos que o filósofo desenvolveu em suas obras.

Em seus aprofundamentos e estudos na área da comunicação, Walter Ong demonstrou grande interesse por assuntos relacionados a oralidade e a transição de culturas orais para culturas escritas além de um estudo sobre a importância da invenção do impresso e de uma posterior cultura eletrônica.

Ramus: Método, e a decadência do Diálogo (1958)

Em sua obra Ramus: método e decadência do diálogo, Walter Ong realiza uma certa antecipação quanto a abordagem da transformação da oralidade com a cultura escrita, aproveitando a obra de Louis Lavelle “Fala e Escrita” (1942). Trata-se de fato do estudo e da prática da retórica, predominante na cultura oral. O autor destaca a limitação sofrida no discurso retórico enquanto suas regras são formatadas na escrita, considerando que esta paralisa a vitalidade da língua falada. Deste modo, aproveitando-se do discurso de Havelock (1995) afirma que “o diálogo oral, em suas próprias palavras, quando tabulado sob essa forma para fins educativos, simplesmente deteriora-se”, tornando-se assim um expoente quando o assunto se refere ao embate oral/escrito estimulando o aprimoramento no estudo da área . Um exemplo disto foi a publicação de "A Galáxia de Gutenberg" por seu mentor de pós-graduação, Marshall McLuhan.

A Presença da Palavra: Alguns Prolegômenos para a História Cultural e Religiosa (1967) é um estudo desbravador em estudos culturais e ecologia da mídia de Walter Ong na Universidade de Yale.

Um dos temas dominantes nos estudos modernos da cultura humana têm sido o impacto que os meios de comunicação e as comunicações têm sobre as pessoas e sociedades. Walter J. Ong, desenvolve suas análises atenciosamente e cuidadosamente pesquisando sobre a relação entre mídia e comunicações. Fazendo uma exploração da natureza e da história da palavra em algumas de suas dimensões sociais, psicológicas, literárias, fenomenológica e religiosa argumenta que a palavra é inicialmente aural e, em última análise permanece sempre som, que não pode ser reduzida a qualquer outra categoria .

Ong afirma que o som é essencialmente uma fonte de evento manifestado e presença pessoal, e sua análise descritiva do desenvolvimento dos meios de expressão verbal, a partir de suas fontes orais através da transferência para o mundo visual e, em seguida, aos meios contemporâneos de comunicação eletrônica, mostra que a situação da palavra humana é a situação do próprio homem. Examinando a estreita aliança da palavra falada com o sentido do sagrado, particularmente na tradição Hebreo-cristã, ele revela que, em um mundo onde a presença penetrou no tempo e no espaço, como nunca antes, o homem moderno deve encontrar o Deus, que se deu na Palavra, que leva o homem mais para o mundo do som do que de vista.

Publicado em 1981, com 260 páginas, “Lutando pela Vida: Contexto, Sexualidade e Consciência” expõe as conclusões do estudo de um ano de Ong sobre as estruturas agonísticas que atravessam os mundos biológicos, sociais e noéticos; além de desenvolver observações sobre as polêmicas de “A Presença da Palavra”.

O livro também aborda temas como os entusiastas fanáticos por esportes, a popularidade da imagem de “macho” e as incessantes lutas inúteis de Dom Quixote, entre outros, através de insights sobre o papel da concorrência na vida do ser humano, defendendo a ideia de que a vida humana é afetada pela competição.

Contudo, a obra demonstra a importância da competição na vida biológica e no desenvolvimento da consciência para fora do inconsciente e expõe como o processo de adversidade afetou a história linguística, intelectual e social. Discute modificações nos padrões de competição em áreas como esporte, política, negócios, universidades e religião. Conclui que a interiorização das unidades agonísticas do homem pode favorecer uma mais profunda descoberta de si mesmo e uma liberdade distintamente humana.

Oralidade e Cultura Escrita (1982)

No livro "Oralidade e Cultura Escrita: A tecnologização da Palavra", Walter Ong desenvolve um relato sobre a cultura oral, as mudanças psicológicas e as formas de expressão ocorridas após a invenção do impresso. Destaca também a importância que passou a ser dada à cultura oral nos estudos linguísticos (principalmente a partir da década de 60), conforme foi se desenvolvendo uma cultura altamente tecnológica. Além disso, passou-se a estudar cada vez mais a dinâmica entre a verbalização oral primária e a verbalização escrita. Um exemplo da análise dessa relação, segundo Ong, são os estudos literários iniciados por Milman Parry sobre a natureza oral presente nas obras Ilíada e Odisseia de Homero. Para Ong, o estudo das mudanças da interação entre oralidade e escrita possibilitam o entendimento não só dessas formas de comunicação, mas também ajudam a entender a cultura impressa e posteriormente da cultura eletrônica. O autor destaca ainda a importância primordial da oralidade, pois ela é a base para todos os meios de comunicação. Relata também que a escrita (que surgiu da criação de um sistema visível de marcações) potencializa a linguagem, transforma as maneiras de pensar (quando amplamente difundidas na sociedade) e que, a partir dela, a linguagem passou a ocupar um papel de objeto de estudo científico. Essa concentração do saber causou consequências para a psicodinâmica das culturas orais primárias, pois após a pertença a uma cultura escrita os indivíduos não seriam capazes de recuperar a percepção sobre o que são as palavras para os povos exclusivamente orais, já que após esse aprendizado, quando ouvem uma palavra, todas as pessoas associam automaticamente ela em sua forma escrita (e não como na oralidade primária, em que a forma física da palavra era o som). Devido a isso, a palavra possui um poder muito maior para culturas estritamente orais. A lembrança também é de extrema importância, pois não havia outras maneiras de acumular o conhecimento, que era feito nessas condições, através de fórmulas e padrões mnemónicos.

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