O voo Varig 797 foi um voo comercial regular de passageiros entre Abidjan, na Costa do Marfim e o Rio de Janeiro. Em 3 de janeiro de 1987, o Boeing 707-379C caiu durante um retorno de emergência a Abidjan, matando todos os 12 tripulantes e 38 dos 39 passageiros. Após uma falha no motor, o piloto decidiu retornar, mas calculou mal a aproximação e a aeronave perdeu sustentação. Ela caiu em uma plantação de seringueiras no meio da selva, a 18 quilômetros (11 milhas; 9,7 milhas náuticas) do aeroporto, a uma velocidade de 400 quilômetros por hora (220 nós; 250 mph). Muitos passageiros que sobreviveram à queda inicial morreram carbonizados no incêndio que se seguiu.
O avião envolvido no acidente era um Boeing 707-379C, de prefixo PP-VJK e equipado com quatro motores Pratt & Witney JT3D-3B, em operação desde o ano de 1968. O PP-VJK foi o último Boeing 707 de passageiros da Varig e esse era o último voo da aeronave na empresa, pois ela já havia sido vendida para a Força Aérea Brasileira (FAB) e receberia a designação FAB 2400 logo após o pouso no Rio de Janeiro.
A tripulação de voo era composta pelo Capitão Júlio César Carneiro Corrêa, pelo Primeiro Oficial Nélson Figueiredo e pelo Engenheiro de Voo Eugênio Cardoso.
O avião decolou do aeroporto Port Bouet na madrugada de 3 de janeiro de 1987 e cerca de 20 minutos depois, a cerca de 200 km de Abidjan, soou o alarme de fogo no motor nº 1. Um dia antes, o mesmo alarme havia soado e a equipe de mecânicos da Air Afrique (companhia que fazia manutenção para a Varig) havia constatado que se tratava de um alarme falso. Mesmo assim, o comandante, Júlio César Carneiro Corrêa, decide retornar a Abidjan. O engenheiro de voo, Eugênio Cardoso, nota que a temperatura do combustível no motor está muito alta e, em seguida, o comandante o desliga por precaução.
O engenheiro de voo constata que há um vazamento de combustível, mas a tripulação não toca no assunto por minutos. Logo depois, um comissário de bordo entra na cabine e diz que um passageiro viu fogo em um dos motores. Minutos depois, o avião já sobrevoa Abidjan. A torre do aeroporto oferece a pista 03 para pousar o 707, mas o comandante decide pousar na pista 21, que, apesar de exigir uma manobra maior para o pouso, possui instrumentos de aproximação. Ele decidiu voar sem flaps e sem baixar os trens de pouso, provavelmente devido à diferença de potência entre os dois lados causada pelo desligamento do motor nº 1. Com os flaps recolhidos, o avião precisa permanecer em maior velocidade para que não haja estol.
O alarme de estol soa na cabine, devido ao fato do avião fazer uma curva para a esquerda para que possa pousar na cabeceira 21 do aeroporto. A aeronave inclina rapidamente para a esquerda e, após se curvar mais de 90 graus, voando a cerca de 400 km/h, cai e explode em uma plantação de seringueiras, cerca de 18 km a nordeste de Abidjan.
Apenas um passageiro sobreviveu ao acidente, o professor Neuba Yessoh, da Universidade da Costa do Marfim, que escapou com queimaduras em menos de 20% do corpo. Segundo o professor, muitas outras pessoas sobreviveram ao impacto, mas morreram carbonizadas no local devido ao incêndio de grandes proporções. Ele conseguiu arrastar outro passageiro para longe dos destroços, o cidadão britânico Ahmad Wansa. Este, gravemente ferido, conseguiu sobreviver, mas acabou morrendo 3 dias depois a bordo de um avião quando se dirigia a Paris para tratamento dos ferimentos. Yessoh morreu em 4 de março de 2015 aos 72 anos vítima de um ataque cardíaco.
«"Jetliner Crashes in W. Africa; 49 Killed, 2 Survive" - Los Angeles Times» (em inglês)