O voo 858 da Korean Air foi um voo internacional regular de passageiros entre Bagdá, no Iraque, e Seul, na Coreia do Sul. Em 29 de novembro de 1987, a aeronave que voava naquela rota explodiu no ar após a detonação de uma bomba plantada dentro de um compartimento de armazenamento aéreo na cabine de passageiros do avião por dois agentes norte-coreanos.
Os agentes, atendendo a ordens do governo norte-coreano, plantaram o dispositivo antes de desembarcar da aeronave durante a primeira escala, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Enquanto a aeronave sobrevoava o Mar de Andamão para sua segunda escala, em Bangkok, na Tailândia, a bomba detonou e destruiu o Boeing 707-3B5C da Korean Air. Todos a bordo do avião morreram, um total de 104 passageiros e 11 tripulantes (quase todos eram sul-coreanos). O ataque ocorreu 34 anos após o Acordo de Armistício da Coreia, que encerrou as hostilidades da Guerra da Coreia, em 27 de julho de 1953.
Os dois terroristas foram rastreados até o Bahrein, onde ambos levaram ampolas de cianeto escondidas em cigarros quando perceberam que estavam prestes a ser levados sob custódia. O homem morreu, mas a mulher, Kim Hyon-hui, sobreviveu e depois confessou o atentado. Ela foi condenada à morte depois de ser julgada pelo ataque, mas depois foi perdoada pelo presidente da Coreia do Sul, Roh Tae-woo, porque foi considerado que ela havia sofrido lavagem cerebral na Coreia do Norte. O depoimento de Kim implicava Kim Jong-il, que na época era o futuro líder da Coreia do Norte, como o responsável final pelo incidente. O Departamento de Estado dos Estados Unidos se refere especificamente ao bombardeio do KAL 858 como um "ato terrorista" e, exceto entre 2008 e 2017, incluiu a Coreia do Norte em sua lista de Patrocinadores Estatais do Terrorismo.
Desde o ataque, as relações diplomáticas entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul não melhoraram significativamente, embora tenham sido feitos alguns progressos sob a forma de quatro cimeiras intercoreanas. Kim Hyon-hui mais tarde lançou um livro, The Tears of My Soul, no qual recordou ter sido treinada numa escola de espionagem gerida pelo exército norte-coreano e ter sido informada pessoalmente por Kim Jong-il para levar a cabo o ataque. Ela foi tachada de traidora pela Coreia do Norte e se tornou uma crítica da Coreia do Norte depois de ver a Coreia do Sul. Kim agora reside no exílio e sob constante segurança apertada, temendo que o governo norte-coreano queira matá-la. "Sendo uma culpada, tenho um sentimento de agonia com a qual devo lutar", disse ela em uma coletiva de imprensa em 1990. "Nesse sentido, ainda devo ser um prisioneiro ou um cativo, de um sentimento de culpa".
Bruce Cumings, author of The Origins of the Korean War, writing about the bombing in The Los Angeles Times