Voo Azerbaijan Airlines 8243 foi uma rota aérea internacional regular de passageiros, que ligava o Aeroporto Internacional Heydar Aliyev, em Baku, Azerbaijão, ao Aeroporto Internacional de Grózni, perto de Grózni, Rússia. Em 25 de dezembro de 2024, a aeronave Embraer 190 AR foi severamente danificada por um míssil antiaéreo russo durante a aproximação a Grózni, caindo perto do Aeroporto Internacional de Aktau, no Cazaquistão, com 62 passageiros e cinco tripulantes, dos quais 38 morreram no acidente, incluindo os dois pilotos e um comissário de bordo, e 24 ficaram feridos.
Agências de notícias russas informaram que o avião voava de Baku para Grózni, na república russa da Chechênia, mas foi alternado devido à neblina em seu destino. Os sobreviventes relataram que houve uma explosão e que estilhaços atingiram a aeronave durante sua aproximação a Grózni. A aeronave estaria emitindo o código 7700 em seu transponder, sinalizando uma emergência a bordo enquanto sobrevoava o Mar Cáspio. Logo após o acidente, a companhia aérea e a Agência Federal de Transporte Aéreo da Rússia sugeriram que a causa poderia ter sido uma colisão com pássaros, embora autoridades russas e azerbaijanas tenham dito que era muito cedo para especular. Imagens do local do acidente mostraram vários furos na cauda, danos que os especialistas consideraram inconsistentes com uma colisão com pássaros e semelhantes a um impacto com um míssil terra-ar.
Em 26 de dezembro, a Euronews informou que, de acordo com fontes do governo do Azerbaijão, o avião foi atingido em pleno voo por um míssil terra-ar russo durante esforços para repelir um ataque de drones ucranianos, no Aeroporto de Grózni. Os estilhaços da explosão atingiram alguns passageiros e a tripulação de cabine. Em 27 de dezembro, o The New York Times noticiou que os investigadores azerbaijanos acreditavam que um sistema de defesa aérea russo Pantsir-S1 tinha danificado o avião antes dele cair.
Em 28 de dezembro, o presidente russo Vladimir Putin pediu desculpas ao presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, pelo "trágico incidente" envolvendo a aeronave que ocorreu no espaço aéreo russo. Ele disse que drones ucranianos tinham como alvo Grózni na época e que as defesas aéreas russas repeliram esses ataques, mas não confirmou que o voo havia sido abatido ou disse que a Rússia era responsável. Em 29 de dezembro, o presidente Aliyev disse que a Rússia tinha abatido acidentalmente o avião, acusou o governo russo de tentar ofuscar e “abafar” o acidente e exigiu dos russos uma admissão total de culpa, punição para os responsáveis e indenização para as vítimas.
Em 9 de outubro de 2025, 9 meses após o acidente, o presidente russo Vladimir Putin admitiu que mísseis russos derrubaram o avião após o confundir com um drone ucraniano inimigo.
A aeronave decolou do Aeroporto Internacional Heydar Aliyev, em Baku, às 07h55 AZT (horário do Azerbaijão) em um voo para o Aeroporto Internacional de Grózni.
Após atingir a altitude de cruzeiro e voar por um tempo, houve alguma interferência inicial nas comunicações, antes que a aeronave desaparecesse da cobertura ADS-B, às 08h40, enquanto descia em direção ao Aeroporto de Grózni. De acordo com o serviço de rastreamento de voos Flightradar24, a aeronave foi "exposta a forte interferência e falsificação de GPS" enquanto voava perto de Grózni. O bloqueio do GPS é um problema conhecido em voos e foi encontrado ao entrar no espaço aéreo russo. Foram criadas várias listas de verificação para lidar com esse tipo de interferência, enquanto a falsificação é vista como mais insidiosa.
Às 09h16 (08h16 hora local [Grózni]), a tripulação relatou uma "perda de controle devido a colisão com pássaros". Um passageiro sobrevivente disse que na terceira tentativa de pouso em meio a um nevoeiro denso em Grozny, uma explosão arrancou parte da estrutura da aeronave.
A tripulação solicitou o redirecionamento de volta para Makhachkala, mas logo depois, às 09h22, relatou uma falha hidráulica. Tendo desviado na direção do Aeroporto de Uytash de Makhachkala, no Daguestão, Rússia, foi relatado que o clima também estava ruim e a aeronave não conseguiu pousar.
A tripulação emitiu o sinal de socorro 7700, às 09h25, relatando uma falha no sistema de controle. Às 09h49 os pilotos solicitaram um pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Aktau e tentaram gerenciar a aproximação em modo direto, com o tempo estimado de pouso definido para 10h25 (11h25 horário do Cazaquistão AQTT, UTC+05:00). Entretanto, às 10h00 (11:00 AQTT), o Departamento de Situações de Emergência da Região de Mangystau enviou equipes de a emergências para o aeroporto de Aktau.
O avião entrou no espaço aéreo cazaque às 10h02, reaparecendo no ADS-B às 10h07, enquanto ainda voava sobre o Mar Cáspio em direção a Aktau. Os dados de altitude e velocidade das transmissões ADS-B indicaram que a aeronave experimentou variações extremas de altitude e velocidade.
Não conseguindo pousar na primeira tentativa, a aeronave iniciou uma manobra de arremetida, para se reposicionar para outra aproximação à pista. Ao fazer a terceira curva, às 10h28, a comunicação entre os pilotos e o controle de tráfego aéreo foi perdida. Às 10h30, o avião atingiu o solo a três quilômetros do aeroporto, com sua asa direita atingindo primeiro. Em seguida, ele caiu, explodiu e se quebrou em dois pedaços grandes. A explosão, combinada com o incêndio que ocorreu após a queda, destruiu a parte frontal do avião. A cauda parou de cabeça para baixo, longe dos destroços principais, e permaneceu praticamente intacta. O acidente foi capturado em vídeo, que mostrou que o trem de pouso foi acionado quando o avião atingiu o solo. Em resposta, recursos e pessoal adicionais do Departamento de Situações de Emergência, inicialmente estacionado no aeroporto de Aktau, chegaram prontamente ao local às 10h35 e extinguiram o incêndio às 11h05 AZT (12:05 AQTT). Um membro sobrevivente da tripulação disse que os pilotos inicialmente ordenaram que eles se preparassem para um pouso na água antes de mudar para um pouso no solo.
Das 67 pessoas a bordo, 29 sobreviveram e 38 morreram. A vítima fatal mais jovem foi um rapaz de 13 anos de idade. Dos cinco tripulantes a bordo, dois comissários de bordo sobreviveram e ambos os pilotos e um comissário de bordo morreram. As autoridades disseram que todas as fatalidades ocorreram no local. Os 29 sobreviventes, incluindo duas crianças, foram hospitalizados após o acidente devido a ferimentos que incluíam lesões craniocerebrais fechadas, concussão cerebral, lesões torácicas fechadas e choques traumáticos. Onze deles estavam em estado crítico. Acredita-se que a maioria dos sobreviventes estava sentada na parte traseira da aeronave, que era o ponto mais distante do local do acidente.
A aeronave envolvida, que foi fabricada em 2013, era um Embraer 190 AR, registrado como 4K-AZ65 e batizado de Gusar, em homenagem à capital regional do Azerbaijão de mesmo nome. Era movido por dois motores General Electric CF34 -10E6 e passou por sua última manutenção em 18 de outubro de 2024. Ele fez seu primeiro voo em 22 de julho de 2013 e era de propriedade da Azerbaijan Airlines. Desde 2013, a aeronave foi operada pela companhia aérea, exceto de 2017 a 2023, quando voou sob a subsidiária da companhia aérea Buta Airways. A aeronave tinha 11 anos na época do acidente.
A aeronave transportava 62 passageiros. Destes, 37 eram cidadãos do Azerbaijão, 16 da Rússia, 6 do Cazaquistão e 3 do Quirguistão. Quatro menores estavam a bordo.
A aeronave tinha uma tripulação de cinco pessoas: dois pilotos e três comissários de bordo, todos eles azerbaijanos. O capitão Igor Kshnyakin era o piloto em comando enquanto seu copiloto era o primeiro oficial Aleksandr Kalyaninov. Kshnyakin tinha mais de 15 mil horas de voo. Os pilotos do avião e a comissária de bordo foram condecorados postumamente pelo presidente Ilham Aliyev com o título de heróis nacionais, enquanto os dois tripulantes sobreviventes, Zulfiqar Asadov e Aydan Rahimli, receberam a Ordem de "Rashadat" (Coragem) de 1º grau.