Vitória da Conquista é um município brasileiro no interior e sudoeste do estado da Bahia. Sua população, segundo estimativa de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 396 613 habitantes, o que faz dela o terceiro maior município do estado, atrás apenas de Salvador e Feira de Santana, e o 15° do Nordeste. É uma das trinta cidades que integram a Região Imediata de Vitória da Conquista que, por sua vez, é uma das cinco regiões imediatas que integram a Região Intermediária de Vitória da Conquista. Sendo também um dos 24 municípios integrantes do Território de Identidade Sudoeste Baiano proposto pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia.
Conquista, como é comumente conhecida, possui um dos maiores PIBs e que mais crescem no interior da região Nordeste, sendo o sexto maior PIB baiano, com mais de 7 bilhões em 2018. É considerada a segunda melhor cidade do Nordeste para se viver, segundo os parâmetros do Índice dos Desafios da Gestão Municipal (IDGM) de 2021.
Está entre as cidades mais frias da região Nordeste do Brasil, tendo registrado temperaturas inferiores a 5 °C no inverno e 13,4 °C em pleno verão, e por esse motivo é apelidada, juntamente com Piatã, de "Suíça Baiana". Ambas dividem o posto de cidade mais fria da Bahia.
É a capital regional de uma área que abrange aproximadamente oitenta municípios baianos e dezesseis no norte de Minas Gerais, o que totaliza uma população de mais de dois milhões de habitantes. Tem uma altitude média de 923 metros nas escadarias da Catedral Metropolitana, atingindo os 1 100 metros nas partes mais altas. Possui uma área de 3 254,186km².
Vitória da Conquista concentra os fluxos de uma vasta região que abarca uma rede de cidades estendida até Barreiras, no oeste do estado, enquanto Feira de Santana lidera outra vasta região, de menor tamanho, porém mais densa em produção.
É neste sentido que a cidade tem despontado como capital regional, conforme a metodologia apresentada pelos estudos de "Regiões de Influência das Cidades" (REGIC), atuando não só como entreposto comercial, mas também como fornecedora de serviços de saúde e educação superior. Desse modo, a cidade desempenha um papel essencial no processo de circulação de riquezas em sua região, determinando a forma como ela se insere no circuito de circulação do capital. A cidade detém Festival de Inverno Bahia, evento de inverno oficial da Rede Bahia, afiliada da Rede Globo de Televisão na Bahia. É um dos maiores festivais de música do interior do Brasil.
É terra natal do cineasta Glauber Rocha, é amplamente considerado o cineasta mais influente do Cinema Novo.
O território onde hoje está localizado o Município de Vitória da Conquista foi habitado pelos povos indígenas mongoiós, ymborés (ou aimorés) e, em menor escala, os pataxós. Os aldeamentos se espalhavam por uma extensa faixa, conhecida como Sertão da Ressaca, que vai das margens do alto Rio Pardo até o médio Rio das Contas.
Os mongoiós, aimorés e pataxós pertenciam ao mesmo tronco: macro-jê. Cada um deles tinha sua língua e seus ritos religiosos. Os mongoiós costumavam fixar-se numa determinada área, enquanto os outros dois povos circulavam mais ao longo do ano.
Os aimorés, também conhecidos como botocudos, tinham pele morena e o hábito de usarem um botoque de madeira nas orelhas e lábios - daí a denominação "botocudo". Gostavam de pintar o corpo com extratos de urucum e jenipapo. Eram guerreiros temidos, viviam da caça e da pesca e dividiam o trabalho de acordo com o gênero, cabendo às mulheres o cuidado com os alimentos. Os homens ficavam responsáveis pela caça, pesca e a fabricação dos utensílios a serem utilizados nas guerras.
Já os pataxós não apresentavam grande porte físico. Fala-se de suas caras largas e feições grosseiras. Não pintavam os corpos. A caça era uma de suas principais atividades. Também praticavam a agricultura. Há pouca informação a respeito dos Pataxós.
Os relatos afirmam que os mongoiós era donos de uma beleza física e uma elegância nos gestos que os distinguiam dos demais. Tinham o hábito de depilar o corpo e de usar ornamentos feitos de penas, como os cocares. Praticavam o artesanato, a caça e a agricultura. O trabalho também era divido de acordo com os gêneros. As mulheres mongoiós eram tecelãs. A arte, com caráter utilitário, tinha importância para esse povo. Eles faziam cerâmicas, bolsas e sacos de fibras de palmeira que se destacavam pela qualidade. Os mongoiós eram festivos, tinham grande respeito pelos mais velhos e pelos mortos.
Aimorés, pataxós e mongoiós travaram várias lutas entre si pela ocupação do território. O sentido dessas lutas, porém, não estava ligado à questão da propriedade da terra, mas à sobrevivência, já que a área dominada era garantia de alimento para a comunidade.
Os relatos mais precisos sobre os indígenas, os colonizadores, a botânica e os animais que aqui viviam no período da colonização foram feitos pelo Princípe Maximiliano de Wied Neuwied ou Prinz Maximilian Alexander Philipp von Wied-Neuwied, naturalista e botânico alemão, no livro "Viagem ao Brasil", no trecho "Viagem das Fronteiras de Minas Gerais ao Arraial de Conquista", quando aqui passou em março de 1817.
Estudos da UESB afirmam que os indígenas de Vitória da Conquista se estabeleceram em comunidades próximas à atual cidade, como a do Boqueirão, próxima ao distrito de José Gonçalves e Ribeirão do Paneleiro, perto do bairro Bruno Bacelar. Locais como como 'Riachão'. Região de mata fechada, esconderijo de várias etnias, vindo a ser desmembrado de Vitória da Conquista anos atrás, que depois se tornou a cidade de Caatiba.
Os indígenas tinham suas características peculiares, muitos eram quase pretos, altos e muito ferozes e outros eram claros de cor, quase alourada conforme narra a história do lugar. Hoje, se carrega pouco nas memórias dos seus filhos a identidade e resistência de um povo que viu os seus ancestrais serem massacrados na luta contra a invasão dos seus territórios e, como consequência de serem submetidos a um cruel processo civilizatório que contribuiu gradativamente com a perda da identidade cultural daquele povo.
Como relata os próprios indígenas da região, muitos passaram a esconder suas origens, e um processo de mestiçagem já se havia iniciado, com os relacionamentos conjugais europeus e indígenas, enfraquecendo assim as etnias, um verdadeiro processo de etnocídio, e a divulgação de um mito de que todos os ameríndios foram exterminados durante o processo de colonização. A forma de construir as casas destas comunidades, a plantação de milho e mandioca, a produção de artesanato nos dias atuais são indícios dessa ancestralidade indígena. A realidade que não dá para fugir foi o processo de miscigenação entres esses povos.
Colonização e conflitos com os indígenas