Neste Dia

Vitória, Princesa Real do Reino Unido

Princesa Real do Reino Unido, Imperatriz Consorte da Alemanha e Rainha Consorte da Prússia

Anúncio

Vitória Adelaide Maria Luísa (nome pessoal em inglês: Victoria Adelaide Mary Louisa; Londres, 21 de novembro de 1840 – Kronberg, 5 de agosto de 1901) foi Princesa Real do Reino Unido, filha mais velha da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Também foi Imperatriz Consorte da Alemanha e Rainha Consorte da Prússia durante os 99 dias de reinado de seu marido, Frederico III.

Herdeira das ideias liberais de seu pai, a princesa foi a principal apoiadora do então príncipe herdeiro Frederico (com quem se casara aos 16 anos de idade) em seu desejo por estabelecer uma monarquia constitucional na Prússia e na Alemanha. Criticada por suas atitudes e por sua origem inglesa, Vicky (como era chamada em família), foi relegada ao ostracismo tanto pelos Hohenzollern quanto pela corte de Berlim. Seu isolamento aumentou ainda mais com a chegada de Otto von Bismarck ao poder, em 1862.

Vicky e seu marido não tiveram oportunidade de influenciar a política alemã nas poucas semanas de reinado, em 1888: com um câncer de laringe em estágio terminal, Frederico não teve tempo nem forças para implantar as reformas com que tinha sonhado quando era o príncipe herdeiro.

Com a morte do marido, a imperatriz-viúva foi definitivamente afastada do poder por seu filho, o kaiser Guilherme II. Instalando-se em Kronberg im Taunus, Vicky passou a viver no Schloss Friedrichshof, palácio construído em homenagem ao marido. Cada vez mais isolada após os casamentos de suas filhas mais novas, Vitória morreu de câncer de mama em 1901, poucos meses depois da morte de sua mãe. A correspondência entre Vicky e sua mãe ainda pode ser consultada: cerca de 4.000 cartas enviadas à rainha Vitória e 3.777 cartas recebidas dela foram preservadas e catalogadas e dão uma visão detalhada sobre o estilo de vida na corte prussiana entre 1858 e 1900.

Princesa Real da Grã-Bretanha e Irlanda

Nascida em 1840, Vitória (chamada por seus pais de Vicky) foi a primeira filha da rainha Vitória do Reino Unido e de seu marido, o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Foi intitulada Princesa Real em 19 de janeiro de 1841, tornando-se herdeira presuntiva do trono até o nascimento de seu irmão, o futuro Eduardo VII, em 9 de novembro daquele ano. Foi batizada na sala do trono do Palácio de Buckingham em 10 de Fevereiro de 1841 pelo arcebispo da Cantuária, William Howley, tendo como padrinhos sua tia-avó, a rainha-viúva Adelaide, o tio-avô, Leopoldo I da Bélgica, o avô paterno, Ernesto I, Duque de Saxe-Coburgo-Gota, o tio-avô materno, Augusto Frederico, Duque de Sussex, sua tia-avó materna, Duquesa de Gloucester e Edimburgo e a avó materna, a Duquesa de Kent. O casal real estava determinado a dar aos os seus filhos uma educação tão completa quanto possível, embora a rainha, que sucedeu seu tio com a idade de 18 anos, declarasse não ter sido adequadamente preparada para reinar. Por sua parte, o príncipe Alberto, originário do pequeno Ducado de Saxe-Coburgo-Gota, recebeu de seu tio, o rei Leopoldo I da Bélgica, uma educação muito mais esmerada.

Pouco após o nascimento de Vicky, o príncipe Alberto escreveu um memorando detalhado sobre as tarefas e deveres de todas as pessoas envolvidas na educação das crianças reais. Um ano e meio depois, outro documento (de 48 páginas), escrito pelo barão Christian Friedrich von Stockmar, íntimo do casal real, detalhava os princípios educacionais para os pequenos príncipes. Mas a ignorância de Vitória e Alberto sobre o desenvolvimento de uma criança era considerável, a ponto da rainha acreditar que o fato da pequena Vicky sugar suas pulseiras era um sinal de má educação. Segundo Hanna Pakula, biógrafa da futura imperatriz da Alemanha, as duas primeiras preceptoras da princesa foram escolhidas com bastante critério. Especialista em lidar com crianças, Lady Littleton passou a dirigir o berçário por onde passaram todos os filhos do casal real a partir do segundo ano da princesa. Diplomata, a jovem conseguiu amenizar as exigências, por vezes descabidas, dos pais para com os príncipes. Já Sarah Anne Hildyard, segunda preceptora de Vicky, foi uma professora dedicada e competente, que desenvolveu uma estreita relação com sua pupila.

Com apenas um ano e meio de vida, a princesa já recebia aulas de francês e antes dos quatro começou a aprender alemão. A partir dos seis anos, Vicky tinha aulas das 8h20m às 18 horas, pontuadas por três horas de recreação, e seu currículo incluía cursos de geografia, aritmética e história. Ao contrário de seu irmão, cujo programa de estudos era ainda mais rigoroso, a menina tornou-se uma excelente aluna, sempre ansiosa por aprender. Apesar dessas qualidades, ela também foi descrita como teimosa e levada.

A rainha Vitória tentou afastar, tanto quanto possível, seus filhos da vida na corte. Pensando nisso, o casal real adquiriu a Osborne House, na ilha de Wight, que foi remodelada no estilo de uma vila napolitana, seguindo o projeto desenhado pelo próprio príncipe consorte. Próximo ao prédio principal, Alberto mandou construir um chalé de inspiração suíça com uma pequena cozinha e uma oficina de carpintaria. Neste local as crianças aprendiam a cozinhar e a executar trabalhos manuais. Alberto desempenhou um papel importante e direto na educação de seus filhos. Ele seguia de perto o progresso das crianças, ministrava-lhes lições e passava muito de seu tempo brincando com elas.

Primeiro encontro com os Hohenzollern

O príncipe herdeiro Guilherme da Prússia e sua esposa, a princesa Augusta de Saxe-Weimar-Eisenach, estavam entre os membros das casas reais europeias que tinham a rainha Vitória e o príncipe Alberto como amigos e aliados. A soberana britânica mantinha uma correspondência regular com sua prima liberal desde 1846, mas os laços entre os dois casais fortaleceram-se em 1848, quando a Revolução de Março chegou a Berlim, obrigando Guilherme e Augusta a refugiarem-se durante três meses na corte britânica.

Em 1851, Guilherme voltou a Londres com sua esposa e seus dois filhos (Frederico e Luísa), por ocasião da Exposição Universal. Foi a primeira vez que Vicky viu seu futuro marido e, apesar de sua diferença de idade (ela tinha onze anos e ele 19), os jovens se deram muito bem. À jovem princesa foi dada a tarefa de ser guia de Frederico durante a exposição. Como o inglês do príncipe fosse bastante hesitante, Vicky comunicava-se com ele em alemão fluente. Anos mais tarde, Frederico ainda recordava o quanto ficara impressionado com o misto de infantilidade, curiosidade intelectual e dignidade natural que a princesa demonstrara durante sua visita.

Vicky não foi a única a impressionar positivamente Frederico nas quatro semanas em que ele permaneceu na Inglaterra. O jovem prussiano encontrou no príncipe Alberto um interlocutor com quem compartilhou e fortaleceu suas ideias liberais. As relações entre os membros da família real britânica (especialmente entre a rainha, o príncipe consorte e seus filhos) e a vida na corte londrina, menos rígida e conservadora que a berlinense, fascinaram Frederico.

Após seu retorno à Alemanha, Frederico iniciou uma estreita troca de correspondências com Vicky. Porém, por trás dessa amizade florescente, havia o desejo da rainha da Grã-Bretanha e de seu marido em forjar laços mais estreitos com a Prússia. Em carta enviada ao seu tio, Leopoldo I da Bélgica, além das questões sobre a soberania britânica, a rainha Vitória expressou suas esperanças no estreitamento dos vínculos entre os dois jovens.

Noivado com Frederico da Prússia

Como Vicky, Frederico recebeu uma educação bastante completa, tendo como professores personalidades como o escritor Ernst Moritz Arndt e o historiador Christoph Friedrich Dahlmann. Seguindo a tradição dos Hohenzollern, ele também recebeu um rigoroso treinamento militar.

Em 1855, Frederico fez uma nova viagem à Grã-Bretanha, visitando Vicky e sua família no Castelo de Balmoral, na Escócia. O propósito de sua viagem era avaliar a princesa como possível pretendente. Em Berlim, entretanto, esta visita não era vista com simpatia. Na verdade, na corte prussiana, muitas pessoas preferiam ver o herdeiro do trono casado com uma grã-duquesa russa. O rei Frederico Guilherme IV também foi relutante ao permitir o casamento do sobrinho com uma princesa britânica, mantendo a aprovação em segredo até mesmo perante a esposa (cuja anglofobia era notória).

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Vitória, Princesa Real do Reino Unido | World in Stories