Vila do Bispo é uma vila portuguesa no distrito de Faro, região e sub-região do Algarve, com cerca de 1000 habitantes.
É sede do município de Vila do Bispo com 179,06 km² de área e 5805 habitantes, subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Aljezur, a nordeste por Lagos e a sul e oeste tem litoral no oceano Atlântico. O litoral do município, desde a costa oeste até à praia de Burgau a leste, faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
A ocupação humana no território de Vila do Bispo é muito antiga, como pode ser testemunhado pela presença de vários monumentos megalíticos, como o Menir de Aspradantes, situado nas imediações da Raposeira. Junto à povoação de Vale de Boi situa-se uma das principais estações arqueológicas do Paleolítico em território nacional.
Continuou a ser habitado ao longo do período romano, tendo sido encontrados os vestígios de uma villa do século I a IV d.C. na área da Boca do Rio.
Durante o período islâmico, a região correspondente ao Barlavento algarvio, incluindo o moderno território do concelho de Vila do Bispo, esteve durante algum tempo integrada na Taifa de Silves.
As primeiras referências conhecidas à Aldeia do Bispo surgem no século XIV num documento de D. Afonso IV, uma carta de foro, datada de 27 de março de 1329, e, posteriormente, em 1353 noutra carta régia em que o monarca retira à igreja, Bispo e Cabido de Silves a jurisdição “[…] da aldeia que chamam do Bispo, que he no Cabo de Sam Vicente […]” incorporando-a no termo de Silves (Portugal). Estas duas cartas régias vêm contrariar a versão da história, tantas vezes repetida, que a Aldeia do Bispo (posteriormente Vila do Bispo) terá surgido da doação da Aldeia de Santa Maria do Cabo feita por D. Manuel ao Bispo D. Fernando Coutinho.[carece de fontes]? É também no século XIV que surgem referências a várias aldeias no território correspondente ao futuro concelho de Vila do Bispo, incluindo Budens em 1323, e Figueira e Raposeira em 1374. A Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, na Raposeira, foi provavelmente edificada no século XIV ou XV.
Em meados do século XV, o Infante D. Henrique fixou-se em Sagres, nos últimos anos da sua vida, provavelmente para estar mais próximo da dinâmica dos descobrimentos, que então estavam na sua fase inicial. A presença do Infante deu um grande impulso ao povoado, tendo ordenado a instalação de uma grande fortaleza. Segundo as suas cartas, além de Sagres também esteve na Raposeira, tendo a tradição local atribuído o nome de Paços do Infante a uma casa antiga.
É simplista a ideia que a Aldeia de Santa Maria do Cabo, por ter sido doada, em 1515, ao Bispo, passe depois a ser conhecida como Aldeia do Bispo. Como testemunham as cartas de 1329 e 1353, a Aldeia do Bispo existia já desde o século XIV. Na verdade, a Aldeia de Santa Maria do Cabo e a Aldeia do Bispo foram duas aldeias distintas. A Aldeia do Bispo situou-se inicialmente mais a ocidente da atual povoação, como testemunham os escritos do Padre Luís Cardoso, no século XVIII, quando menciona a igreja matriz, referindo que a igreja estava fora da povoação a pouca distância dela, e a Aldeia de Santa Maria do Cabo, hoje extinta, situava-se nos Curraes da Granja. O bispo D. Fernando Coutinho (senhor da Aldeia do Bispo) recebeu a doação, de D. Manuel, da Aldeia de Santa Maria do Cabo e integrou-a no perímetro da Aldeia do Bispo.
Em 1573 foi mencionada a existência da povoação de Vale de Boi, e em 1600 a de Burgau, tendo sido provavelmente ainda no século XVI que foi fundada a de Barão de São Miguel.
Em 1587 o corsário britânico Francis Drake atacou a costa algarvia, tendo saqueado Sagres, e destruído a fortaleza. Terá sido igualmente no século XVI que foram construídas a Ermida de São Lourenço de Budens, a Fortaleza de Sagres, e o Forte de São Luís de Almádena, este último por ordem de D. João III. No século seguinte foi instalado o Forte de Burgau, por D. João IV, e foram reconstruídas as fortalezas de Belixe e de São Vicente. Nos princípios do século XVII, durante o período período filipino, foi construída o Forte ou Bateria do Zavial. Também nessa centúria terá sido erigida a Capela de Santo António, em Budens.
Em 26 de Agosto de 1662, a Vila do Bispo tornou-se um concelho próprio, por determinação de D. Afonso VI, que o concedeu a Martim Afonso de Melo, segundo Conde de São Lourenço, por recompensa pelos seus feitos durante as guerras pela independência de Portugal. Martim Afonso de Melo tinha manifestado interesse pela Aldeia do Bispo por estar casado com D. Madalena da Silva, que era uma descendente de D. Fernando Coutinho. Este processo não foi pacífico, tendo gerado protestos por parte dos dignitários de Lagos.
Na obra Noticias das Almadravas do Reyno do Algarve, publicada em 1721, e que listou os armações de almadravas existentes na região, encontra-se referência a várias situadas nas costas da Vila do Bispo: Beliche, Almádena, Zavial, Baleeira, Cabo da Baía de Sagres, Barcaceira, da outra banda do Cabo de São Vicente e Torre de Aspa. Foi também no século XVIII que foi elaborada a fachada da Igreja Matriz de Vila do Bispo, e sendo igualmente nesta centúria que se refere a existência das povoações de Hortas do Tabual e Pedralva, embora sejam quase certamente de fundação anterior. Já a Salema é provavelmente mais tardia, talvez dos finais do século XIX ou inícios do XX. A povoação de Vila do Bispo foi atingida pelo Sismo de 1755, tendo uma das casas na Rua do Outeiro sido apontada como uma das poucas sobreviventes daquele desastre natural.
Em meados do século XIX, Sagres perdeu a categoria de concelho, passando a estar integrado no território da Vila do Bispo. Nos finais da centúria destaca-se a construção da Casa Cardoso, localizada na Rua José Cardoso, na Vila do Bispo, por ser a única com elementos de aparência aristocrática na povoação, e por estar ligada ao autarca José Cardoso (1838-1918).
Ao longo da primeira metade do século XX verifica-se a instalação pontual de estruturas e serviços de apoio às populações, tanto na sede do concelho como nas várias localidades do território. Assim, foi provavelmente na década de 1920 que foi construído o edifício do matadouro e da lota dos percebes, na povoação da Vila do Bispo. Em 16 de Agosto de 1942, o jornal Correio do Sul noticiou que tinham sido criados na região vários postos escolares para o ensino primário, incluindo dois no concelho de Vila do Bispo, uma na Salema e outra na Figueira.
Em 10 de Setembro de 1947, o jornal Comércio de Portimão reportou que a povoação de Burgau passou a ter acesso à luz eléctrica. Em 26 de Fevereiro de 1948, o jornal Correio do Sul noticiou que estavam previstos vários investimentos na região como parte do Plano Bienal do Ministério das Obras Públicas, incluindo vias rodoviárias da sede do concelho à Praia do Castelejo e da Raposeira às Hortas do Tabual, a realização de estudos sobre o abastecimento de água à vila, e obras para o fornecimento de água a Sagres.
Em 25 de Outubro de 1959, o jornal Povo Algarvio reportou que o Ministério das Obras Públicas tinha comparticipado várias obras na rede viária algarvia, incluindo a segunda fase da estrada municipal entre Almádena e Burgau. Foi igualmente na década de 1950 foi construída a Capela de Nossa Senhora de Fátima, na povoação das Hortas do Tabual. Na década de 1960 foram inauguradas duas grandes unidades de turismo em Sagres, a Pousada do Infante e o Hotel da Baleeira.
O município de Vila do Bispo está dividido em 4 freguesias:
De acordo com os dados do INE o distrito de Faro registou em 2021 um acréscimo populacional na ordem dos 3.7% relativamente aos resultados do censo de 2011. No concelho de Vila do Bispo esse acréscimo rondou os 8.7%, assumido-se como o município com maior crescimento populacional do distrito de Faro, em termos percentuais.