Vigia de Nazaré, também chamada apenas Vigia, é um município brasileiro do estado do Pará, pertencente à Zona Fisiográfica do Salgado. Localiza-se no norte brasileiro, a uma latitude 00º 51' 30" sul e longitude 48º 08' 30" oeste.
A Vila de Vigia (ou Vila de Nossa Senhora de Nazareth da Vigia) foi constituída a partir da aldeia de Uruitá, do Tupi Guarani: "cesto de pedras", morada de uma tribo de índios tupinambás. Onde os colonizadores construíram um posto fiscal, para verificar as embarcações que abasteciam Belém (capital do estado do Pará).
O município foi criado em 6 de janeiro de 1616, seis dias antes da fundação da também paraense Belém do Pará (a capital do Estado), por Francisco Caldeira Castelo Branco durante expedição de ocupação da Capitania do Grão-Pará (do tupi-guarani, "rio do tamanho do mar", que decorre do rio Pará). Quando muito, os portugueses, a caminho do interior do continente, criaram o posto de "vigia" militar, para "vigiar" o acesso de embarcações pelo fruro que separa a ilha de Colares, que então foi chamada de Ilha do Sol.
Os primitivos habitantes da região foram os índios Tupinambá, que viviam na aldeia Uruitá (do Tupi Guarani, "cesto de pedras"), sob jurisdição das missões da Companhia de Jesus. Neste aldeamento, os colonizadores construíram um posto de controle. Talvez só muito mais tarde é que Vigia poderia ter se configurado como "Posto Fiscal" de embarcações que abasteciam Belém.
Por sua posição estratégica, o governo colonial transformou-a em um posto alfandegário guarnecido, denominado Vigia, para fiscalizar e proteger, de contrabandistas as embarcações que por ali passavam. Influenciando na formação do povoado, elevado em 1698 a categoria de vila com a denominação Vigia. Assim, permaneceu até a Independência do Brasil.
Com o advento da Lei Pombalina, expedida em 1761, os jesuítas foram expulsos do Brasil e Vigia foi elevada a Paróquia secular, sendo também criado, ali, um colégio secular. Nessa época, a localidade já contava com uma casa que fora transformada em templo, em 1732, pelo padre José Lopes, provincial da Companhia de Jesus e com o Colégio Mãe de Deus, construído pelos jesuítas.
Por ocasião da Revolução da Cabanagem, ocorrida em 1833, na Província do Grão-Pará, o município de Vigia sofreu depredações. Esse movimento foi suprimido em 1836, com a chegada do Major Francisco Sérgio de Oliveira, por ordem do Marechal Soares de Andréa.
Em 2 de outubro de 1854, Vigia foi elevado a categoria de cidade.
Localiza-se na Zona do Salgado. Sua população estimada em 2019 é de 53.686 habitantes, distribuídos em uma área de 401,589 km².
Capela do Senhor dos Passos ou Igreja de Pedras
A Capela do Senhor dos Passos (Igreja de Pedras) datada do século XVIII, é um templo construído pelos Jesuítas toda em pedras sobrepostas e sem reboco. Conhecida, hoje, como Igreja do Bom Jesus, porque lhe guardava a imagem. Nessa época foi transferida para a Igreja da Madre de Deus, para que a Igreja de Pedras fosse concluída, mas com a expulsão dos jesuítas de Portugal e das províncias do Brasil, em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, a construção da capela ficou inacabada e abandonada, sofrendo demolições e transformações. Na década de 30, um intendente local mandou demolir o que restava das paredes laterais e, com as pedras, mandou construir o cais de arrimo da cidade. A Igreja revela estrutura de pedras lavradas, peças de mármore e imagens antigas.
A técnica construtiva é pedra com agregado de uma mistura de massa de argila crua e cal que era obtida de materiais tirados dos sambaquis, ou depósitos pré-históricos de conchas, comuns no litoral brasileiro. Em dezembro de 2011, ganhou o título de Primeira Maravilha do Pará.
Em 28 de fevereiro de 1733, o padre provincial da Companhia de Jesus, José Lopes, superior do Colégio da Mãe de Deus, com despacho do Senado da Câmara da Vila da Vigia de Nazaré, iniciou a edificação da Igreja da Madre de Deus.
A expansão e ocupação territorial implementada por Portugal, em parceria com a Companhia de Jesus e as formas de representação do catolicismo popular incorporado ao culto à Virgem de Nazaré, ligam a Madre de Deus com a História da Humanidade.
O templo construído em estilo barroco, com elevados campanários, com varandas sustentadas por colunas, salões, sacristia adornada de painéis com rico altar e retábulos dourados, perpetuaria a memória da Companhia de Jesus na Vigia de Nazaré.
Por volta de 1930, o Padre Alcides Paranhos e o prefeito da cidade resolveram demolir parte do prédio, usando as pedras retiradas para a construção da primeira usina de luz de Vigia. Com a demolição foram encontrados esqueletos humanos entre as pedras, o que comprovou uma antiga lenda local de que algumas pessoas condenadas pelas Ordenações do rei de Portugal foram empaladas nas paredes da Igreja.
A Igreja da Mãe de Deus, dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, é a única no norte do Brasil, munida de 22 colunas laterais de origem toscana.
O templo apresenta alvenaria de pedra, estrutura do telhado em madeira de lei, cobertura com telha de barro, frontispício formado por um corpo central e duas torres com campanários compostos por três janelões sineiros de arco de meio ponto, encimadas por cornijas em que se destacam elementos decorativos. Em sua parte interna, há peças em ouro e prata, crucifixos e imagens originais de Rocca. O forro da sacristia é todo ornado com belíssimas pinturas.