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Vidkun Quisling

Oficial militar, político norueguês, chefiou o governo da Noruega como Ministro-Presidente durante a segunda guerra Mundial entre 1942 e 1945

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Vidkun Abraham Lauritz Jonssøn Quisling (Fyresdal, 18 de julho de 1887 – Oslo, 24 de outubro de 1945) foi um oficial militar e político norueguês que chefiou nominalmente o governo da Noruega como Ministro-Presidente depois do país ter sido ocupado pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Quisling havia chegado à proeminência internacional como colaborador do explorador Fridtjof Nansen, organizando uma ajuda humanitária na fome russa de 1921. Ele foi designado como diplomata norueguês na União Soviética, voltando para seu país em 1929 e servindo como Ministro da Defesa de 1931 a 1933.

Quisling deixou o Partido dos Agricultores em 1933 e fundou o partido fascista União Nacional. Apesar de ter conseguido certa popularidade por seus ataques contra a esquerda política, seu partido nunca conseguiu ganhar assentos no parlamento norueguês e era apenas uma organização periférica por volta de 1940. Quisling aproximou-se dos líderes do Partido Nazista e tentou tomar o poder através de um golpe de estado via rádio em abril de 1940 enquanto a invasão da Noruega estava em andamento, porém falhou depois dos alemães terem se recusado a apoiar seu governo.

Ele foi nomeado Ministro-Presidente em 1942, chefiando o estado norueguês conjuntamente com o comissário alemão Josef Terboven. Seu governo fantoche pró-nazista colaborou com a Alemanha e participou da Solução Final. Quisling foi preso, julgado ao final da guerra em 1945 e considerado culpado de fraude, assassinato e alta traição, sendo executado na Fortaleza de Akershus em outubro do mesmo ano. A palavra "quisling" acabou tornando-se um sinônimo de "traidor" ou "colaborador" em vários idiomas, com historiadores atribuindo a Quisling praticamente nenhum legado político.

Vidkun Abraham Lauritz Jonssøn Quisling nasceu no dia 18 de julho de 1887 em Fyresdal, Bratsberg, Noruega. Era filho do pastor e genealogista Jon Lauritz Qvisling e sua esposa Anna Caroline Bang, filha do armador Jørgen Bang, na época o homem mais rico da cidade de Grimstad. Jon Qvisling tinha dado aulas em Grimstad na década de 1870, com Bang tendo sido uma de suas alunas. Os dois se casaram em 28 de maio de 1886 após um longo noivado, em seguida mudando-se para Fyresdal onde Quisling e seus irmãos nasceram.

O nome da família derivava-se de "Quislinus", um nome latinizado inventado por Lauritz Ibsen Quislin, um ancestral de Quisling, que vivia no vilarejo de Kvislemark na Dinamarca. Vidkun Quisling tinha dois irmãos e uma irmã, tendo sido descrito como "tímido e quieto, mas também leal e prestativo, sempre amigável, ocasionalmente mostrando um sorriso caloroso". Cartas pessoais indicam que os membros da família tinham uma relação calorosa e afetuosa. Seu pai foi capelão em Drammen de 1893 até 1900. Foi lá que Quisling frequentou a escola pela primeira vez. Ele foi intimidado por outros estudantes devido seu sotaque de Bratsberg, porém mesmo assim conseguiu ter um bom desempenho. A família mudou-se para Skien em 1900 depois de Jon ter sido nomeado reitor da cidade.

Quisling tinha talento para a área de humanas, particularmente história e ciências naturais, mas também especializou-se em matemática. Nessa época de sua vida ele ainda não sabia ao certo que direção seguir. Quisling matriculou-se em 1905 na Academia Militar Norueguesa, conseguindo a nota de vestibular mais alta de todos os 250 candidatos daquele ano. Ele transferiu-se no ano seguinte para o Colégio Militar Norueguês, formando-se com a nota mais alta da história da instituição desde sua fundação em 1817, sendo recompensado com um encontro com o rei Haakon VII. Entrou em 1 de novembro de 1911 para o Estado Maior Geral do exército. A Noruega manteve neutralidade durante a Primeira Guerra Mundial; Quisling detestava o movimento pela paz, porém as enormes perdas de vidas humanas afetaram suas opiniões. Ele foi enviado em março de 1918 para a Rússia como membro de uma equipe diplomática norueguesa em Petrogrado, tirando vantagem dos cinco anos que passou estudando o país. Ficou chocado pelas condições de vida do local, porém mesmo assim concluiu que "os bolcheviques tem um controle extraordinariamente forte da sociedade russa", também ficando maravilhado pelo modo como Leon Trótski conseguiu mobilizar tão bem o Exército Vermelho. O governo provisório de Alexander Kerenski ruiu e a delegação diplomática foi chamada de volta em dezembro, com Quisling tornando-se o especialista militar norueguês sobre assuntos russos.

Quisling deixou a Noruega em setembro de 1919 a fim de tornar-se um agente de inteligência em Helsinque na Finlândia, posto que combinava política e diplomacia. Ele deixou a Noruega novamente em 1921, desta vez à pedido do explorador Fridtjof Nansen, chegando em Carcóvia na Ucrânia em janeiro do ano seguinte com o objetivo de ajudar a Liga das Nações em esforços humanitários. Quisling produziu um relatório destacando a má administração da área e uma taxa de morte de aproximadamente dez mil pessoas por dia, demonstrando no processo sua habilidades administrativas e sua determinação para alcançar seus objetivos. Ele se casou em 21 de agosto do mesmo ano com Alexandra Voronina. Ela posteriormente afirmou que Quisling tinha declarado seu amor, porém cartas para casa e investigações realizadas pelos primos dele indicam que nunca houve um envolvimento romântico entre os dois. Aparentemente, Quisling apenas desejava tirar a Voronina da pobreza ao dar-lhe um passaporte norueguês e segurança financeira.

Deixou a Ucrânia em setembro de 1922, porém voltou junto com Voronina em fevereiro para prolongar os esforços de ajuda, com Nansen descrevendo o trabalho de Quisling como "absolutamente indispensável". Ele encontrou o local em situação muito melhor que anteriormente, ficando rapidamente entediado pois não havia desafios novos. Foi lá que conheceu Maria Pasetchnikova, uma ucraniana dez anos mais nova. Os diários dela "indicam um florescente caso amoroso" durante o verão de 1923, mesmo com Quisling sendo casado com Voronina. Pasetchnikova tempos depois disse que tinha ficado impressionada pela fluência dele em russo, sua aparência ariana e modos graciosos. Quisling aparentemente casou-se com ela em Carcóvia no dia 10 de setembro, porém não existem documentos legais sobre o evento. O historiador Hans Fredrik Dahl acredita que o segundo casamento nunca foi oficial. O casal mesmo assim comportava-se como se fossem casados, inclusive celebrando seus aniversários de casamento. A missão humanitária terminou pouco depois e Quisling, Pasetchnikova e Voronina deixaram o país planejando passarem o verão em Paris na França. Pasetchnikova queria conhecer a Europa Ocidental, enquanto o próprio Quisling desejava descansar depois de ter sofrido de longos problemas estomacais.

A estadia em Paris necessitou que Quisling fosse temporariamente dispensado do exército, algo que ele lentamente percebeu que seria permanente: cortes militares significaram que nenhuma posição estaria disponível em seu retorno. Quisling dedicou boa parte de seu tempo na França aos estudos, lendo livros sobre teoria política e trabalhando em um projeto filosófico chamado Universismo. Ele convenceu o jornal norueguês Tidens Tegn a publicar um artigo seu em 2 de outubro de 1923 pedindo pelo reconhecimento diplomático do governo soviético. Sua estadia em Paris não durou tanto quanto planejava, começando a trabalhar no final do ano novamente com Nansen em um projeto de repatriação nos Bálcãs, chegando em Sófia na Bulgária em novembro. Quisling passou os dois meses seguintes viajando constantemente junto com Pasetchnikova. Ela retornou para Paris em janeiro a fim de cuidar de Voronina, que tinha assumido o papel de filha adotiva do casal; ele juntou-se às duas no mês seguinte.

Os três retornaram para a Noruega em 1924, com Voronina partindo posteriormente para viver em Nice na França, nunca mais retornando. Apesar de Quisling ter prometido sustentá-la, seus pagamentos eram irregulares e deixou passar várias oportunidades de visitá-la pelos anos seguintes. Ele acabou entrando no movimento de trabalhadores comunistas noruegueses, arrependendo-se anos mais tarde. Quisling defendeu, entre outras políticas, uma milícia popular a fim de defender o país de ataques reacionários, também perguntando para membros do movimento se desejavam saber quais informações o exército tinha sobre eles, porém não obteve resposta. Apesar de sua breve filiação com a extrema esquerda poder ser considerada improvável dado sua posterior direção política, Dahl sugere que Quisling, depois de uma infância conservadora, estava na época "desempregado e desmotivado ... profundamente ressentido do Estado Maior Geral ... [e] no processo para tornar-se politicamente mais radical". O historiador complementou que suas visões políticas na época podiam ser resumidas como "uma fusão de socialismo e nacionalismo", possuindo grande simpatias pelo regime soviético.

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