Victor Ramos Ferreira, ou simplesmente Victor Ramos (Salvador, 5 de maio de 1989), é um futebolista brasileiro que atua como zagueiro. Atualmente defende a Juazeirense.
Após alguns anos jogando nas categorias de base do rubro-negro baiano, estreou pelo time principal em 2008, mas só se firmou como titular com a chegada de Paulo César Carpegiani ao Leão, em 2009. No primeiro semestre da temporada e nos primeiros jogos do Brasileirão 2009, formou trio de zaga ao lado de Anderson Martins e Wallace, companheiros desde os tempos da base.
Em 30 de agosto de 2009, foi contratado pelo Standard de Liège para a disputa da Liga dos Campeões da UEFA pelo clube belga. A negociação girou em torno de um milhão e duzentos mil euros (cerca de três milhões e duzentos mil reais), e Victor Ramos assinou um contrato com duração até dezembro de 2014.
Estreou pela Campeonato Belga em novembro de 2009. Sua estreia pela Liga dos Campeões 2009/10 ocorreu na vitória do Liège por 2 a 0 sobre o Olympiacos, em 4 de novembro de 2009, no Estádio Maurice Dufrasne. Foi titular no resto da temporada, mas passou a alternar entre o banco e os onze iniciais a partir da temporada seguinte.
No início de 2011, aparentemente insatisfeito por ter perdido um lugar na equipe titular e com saudades do seu país, atrasou no seu retorno de férias no Brasil. Especulações começaram a ser criadas sobre a possível saída do jogador. Apenas retornou no dia 17 de janeiro, e, como punição, a diretoria do clube belga colocou-o para jogar pela equipe reserva.
Em 20 de julho de 2011, o Standard de Liège emprestou-o ao Vasco da Gama para a disputa do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores da América. No Clube da Colina, reencontrou o antigo parceiro de Vitória, Anderson Martins, mas não conseguiu emplacar, permanecendo no banco de reservas durante a maior parte de sua passagem no cruzmaltino.
No dia 31 de janeiro de 2012, foi anunciado como novo reforço do Vitória, num empréstimo que inicialmente duraria até o final da temporada. Conquistou sua vaga na equipe no decorrer do Campeonato Baiano e não a perdeu mais, mantendo-se como titular absoluto durante a Copa do Brasil e Série B, marcando os únicos gols do time nos jogos contra Vitória da Conquista (1 a 1), Guarani (1 a 0) e ABC (1 a 0, este, aos 50 minutos do segundo tempo, decretando a vitória da equipe na casa do adversário). Também marcou nas vitórias por 3 a 2 e 4 a 3, sobre Paraná e ASA, respectivamente. Com estes gols, Victor se fixou como um dos artilheiros da equipe, além de um dos principais destaques na boa campanha do Vitória nesta temporada, em que o clube se manteve invicto nos jogos realizados na sua casa, o Barradão, durante os sete primeiros meses do ano. Na Série B, obteve um aproveitamento superior a 70% no primeiro turno, alcançando a liderança do campeonato na 18.ª rodada. Tal feito animou o zagueiro, que chegou a afirmar que a boa campanha no ano faria a equipe "lutar para ser campeã" do torneio. O Vitória terminou o campeonato na 4.ª colocação, conquistando o acesso à Série A do ano seguinte.
O bom desempenho da equipe e as excelentes atuações do zagueiro despertaram o interesse do Vitória na renovação do empréstimo por mais uma temporada, já que o valor cobrado pelo clube belga na compra em definitivo do jogador era muito alto.
Assinou um contrato com o Monterrey, do México, no dia 16 de dezembro de 2013 depois de uma boa temporada no Vitória, onde ajudou a colocar o time na quinta colocação na Série A. Entretanto após alguns jogos no clube mexicano, especulou-se a volta do beque ao Vitória em 2014. Foi até anunciado pelo clube, mas o Monterrey que detém os direitos federativos do jogador, desistiu do empréstimo e solicitou seu retorno imediato ao México.
Em janeiro de 2015, Victor foi negociado com o Palmeiras por um ano de empréstimo. No clube, ele jogou com a camisa 3, que pertencia anteriormente ao zagueiro Lúcio.
Chegou a fazer bons jogos no primeiro semestre, mas depois perdeu a condição de titular no segundo semestre. Em dezembro de 2015, sagrou-se campeão da Copa do Brasil de 2015 pela equipe na decisão contra o Santos que representou a primeira finalíssima da história disputada no Allianz Parque. Foi o primeiro jogador do Palmeiras a fazer um gol na Arena Corinthians, pelo Campeonato Paulista de 2015, no dia 19 de abril de 2015.
Retorno ao Vitória e o: "Caso Victor Ramos"
No dia 15 de fevereiro de 2016, Victor Ramos retornou ao Vitória, por empréstimo de um ano ao clube baiano onde não teve uma boa regularidade e assim saiu do clube baiano.
Contudo, o destaque de sua terceira passagem foi fora dos gramados, pois Victor Ramos fora o pivô de uma suposta escalação irregular por parte do Vitória, que ficou conhecida na mídia como o "Caso Victor Ramos". No dia 1.º de dezembro de 2016, o Internacional, que disputava a permanência na Série A do Brasileirão com o Vitória, ingressou no STJD, na qualidade de terceiro interessado, requerendo a reabertura de um processo iniciado pelo Bahia, ainda na final do Campeonato Baiano, que estava arquivado.
No processo, o Internacional pedia a perda dos pontos do Vitória, pela escalação irregular de Victor Ramos, correspondentes a todas as 26 partidas que em que o jogador havia atuado no Campeonato Brasileiro, mais três pontos por cada partida, o que deixaria o Vitória com 33 pontos negativos na tabela, e manteria o Internacional na Série A.
A alegação do Internacional e do Bahia era a seguinte: Victor Ramos esteve emprestado ao Palmeiras no ano de 2015, e foi contratado pelo Vitória no dia 14 de fevereiro por empréstimo junto ao Monterrey; ocorre que a transferência do atleta, ao invés de ter sido feita através dos trâmites de uma transferência internacional regulados pela FIFA, foi feita nos moldes de uma transferência nacional, e que se fosse observado o regulamento internacional, a inscrição do jogador teria sido feita fora do prazo. A defesa do Vitória foi de que a transferência era nacional, pois ao fim do empréstimo de Victor Ramos com o Palmeiras, o seu ITC (Certificado de Transferência Internacional) não saiu do Brasil, tanto a CBF quanto a FBF tinham a mesma visão sobre o caso.
Para comprovar a má-fé do Vitória na transferência, o Internacional anexou ao processo uma suposta troca de e-mails entre a diretoria do Vitória e Reynaldo Buzzoni (Diretor de Registros da CBF), na qual este recomendava que a transferência de Victor Ramos fosse feita de acordo com as regras de uma transferência internacional. Posteriormente, descobriu-se que os e-mails não eram originais, pois tinham sido modificados pelo próprio empresário de Victor Ramos, na época, Francisco Godoy, com o objetivo de facilitar a compreensão dos dirigentes do clube mexicano.
O STJD acabou decidindo não desarquivar o processo contra o Vitória pela escalação irregular. Inconformado, o Internacional recorreu ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça), mas também teve o seu pedido de julgamento rejeitado. Além disso, o Internacional acabou punido, posteriormente, pelo STJD, pelo uso do e-mail falso no processo, com uma multa de 720 mil reais; o seu presidente na época, Vitório Piffero, também foi punido com uma multa de 90 mil reais e afastamento do futebol por 555 dias. Já o ex-empresário de Victor Ramos, Francisco Godoy, autor da alteração do e-mail, foi denunciado pelo Ministério Público pelo crime de falsificação.