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Victor Brecheret

Escultor brasileiro

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Victor Brecheret, nascido Vittorio Breheret (Farnese, 15 de dezembro de 1894 – São Paulo, 17 de dezembro de 1955), foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do Brasil. Foi o responsável pela introdução do modernismo na cultura e escultura brasileira. Apesar de ser um dos principais artistas da vanguarda, Brecheret nunca abandonou sua formação artística clássica, ligada à arte greco-romana e renascentista.

Filho de Augusto Breheret e Paolina Nanni, esta última falecida quando o pequeno Vittorio tinha apenas seis anos de idade. Foi abrigado pela família do tio materno, Enrico Nanni, e com sua família emigrou para o Brasil aos dez anos de idade.

No Brasil, Vittorio tornou-se "Victor Brecheret" e já com mais de trinta anos de idade recorreu à Justiça para inscrever seu registro de nascimento tardiamente no ofício de registro civil do Jardim América (bairro de São Paulo). Assim Brecheret consolidava a sua nacionalidade brasileira, embora tivesse nascido na Itália. Este tipo de "regularização" era muito comum entre imigrantes italianos na primeira metade do século XX no Brasil.

Brecheret era um homem tímido, usualmente quieto. Vivia mais isolado e era muito concentrado, fazendo com que passasse muito tempo produzindo. Em sua vida desenvolveu diferentes pesquisas artísticas, inserindo-se em diferentes cenários culturais no Brasil e na Europa.

Vittorio Breheret nasceu em 1894 em Farnese, uma pequena localidade próxima a Roma. A Itália, na época, ainda tinha vestígios do Risorgimento, com as disputas entre os nacionalistas favoráveis a unificação política do país e o papado. O pai de Vittorio, Augusto Breheret (c.1847-1918) tinha ascendência paterna francesa e era proprietário de terras e vinhedos provenientes de doação papal, enquanto sua mãe, Paolina Nanni (c.1868-1900), vinha de uma família de pequenos agricultores e criadores de gado. O casal teve oito filhos, mas seis deles morreram ainda na infância. Vittorio e Ersilia Breheret (nascida em 1897) foram os únicos a chegar à vida adulta.

Ainda na infância, antes do escultor completar seis anos de idade, os irmãos ficaram órfãos de mãe. Passaram a ser criados pela tia materna, Antonia Nanni Salini, e com ela foram para o Brasil, desembarcando em 1904. A família se estabeleceu nas proximidades do Largo do Arouche, em uma casa na rua Jaguaribe. A cidade tinha grande número de imigrantes italianos e o garoto, de apenas 9 anos, acabou adotando São Paulo como sua terra natal.

Como de costume nas famílias italianas, Vittorio começou a trabalhar ainda criança, como vendedor em uma loja de calçados. O garoto não parecia se interessar em estudos, mas passava horas brincando com barro e modelando figuras. Sua tia sempre o estimulou, entendendo que sua brincadeira já demonstrava seu interesse pelas artes. Com isso, em 1912, Vittorio iniciou seus estudos na área. Sem parar de trabalhar, tornou-se aluno do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, onde aprendeu o básico de letras e aritmética e frequentou as aulas de desenho, modelagem, entalhe em madeira e escultura seguindo a ideia do instituto de preparar os jovens para o exercício do ofício. Foi lá que Vittorio começou a modificar seu sobrenome, inicialmente Breheret, mas alterado nas matrículas para Brecheretti e, posteriormente, Brecheret.

Por incentivo dos professores do Liceu, voltou à Itália em 1913 para estudar escultura em Roma. A cidade, por seu passado ligado à Antiguidade Clássica, ao Renascimento e ao Barroco, era polo da escultura européia. Sem formação na área, Victor não pode entrar na escola de Belas Artes, e acabou dividindo atelier com outro artista. Em 1914, por apoio da Maçonaria, tornou-se aprendiz do escultor Arturo Dazzi, um dos artistas de maior prestígio da região que trabalhava constantemente para o rei Vittorio Emmanuelle III. Com Dazzi, Brecheret teve uma formação técnica atrelada à tradição clássica da escultura de Michelangelo e o naturalismo de Auguste Rodin. Nos estudos de anatomia, porém, Victor discordava do mestre, que se aprofundava na técnica dissecando humanos e animais. As experiências traumáticas com dissecação tornaram o jovem um grande opositor da violência e do derramamento de sangue. O artista afastou do mestre, abrindo seu primeiro ateliê (na via Flaminia, 22 - Roma) aos 22 anos e posteriormente passou a mentir sua nacionalidade, dizendo-se sul-americano e refugiando-se em sua cidade natal para evitar a convocação para o front da Primeira Guerra Mundial.

Em 1919 regressa ao Brasil. Na época, Ramos de Azevedo era diretor do Liceu de Artes e Ofícios. Amigos dos tempos em que Victor estudou na instituição, reencontram-se e Azevedo consegue um atelier para o escultor no Palácio das Indústrias. Sem contato com os artistas brasileiros, se fecha em seu trabalho, tendo um ano de enorme produção e sendo descoberto pelos críticos e pelos artistas modernistas, que viam sua arte como algo novo, antiacadêmico e diferente do que era usualmente produzido na cena paulista. Brecheret foi convertido em estandarte do movimento modernista brasileiro e criou relação com Emiliano Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, com quem participou da introdução do pensamento vanguardista no Brasil.

Em 27 de julho de 1920 expôs a maquete do Monumento às Bandeiras na Casa Byington e, juntamente com outros artistas, em uma exposição em Santos. A obra, que viria ser seu magnum opus anos depois, foi primeira pensada para o espaço público elaborada pelo artista. Produzida para concorrer como novo memorial da independência, foi negada, gerando alvoroço por parte dos modernistas. Porém, Washington Luís, governador de São Paulo na época, enviou a maquete para o acervo da Pinacoteca do Estado. A decisão foi vista por parte do grupo de artistas como uma vitória, já que a obra — tida como antiacadêmica e modernista — passava a ficar exposta no local símbolo do academicismo. Foi também neste momento que o crítico Monteiro Lobato tornou-se grande admirador do escultor, escrevendo o artigo “As quatro asneiras de Brecheret”, que com ironia e um humor ácido, criticava as obras e a falta de reconhecimento do artista na cena paulista.

Victor percebeu que para aprimorar sua arte era preciso sair do país. Apesar de não ter condições financeiras para ir ao exterior, tinha admiradores da elite intelectual e política, que fizeram com que seus interesses chegassem ao senador José de Freitas Vale, patrono do Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, que lhe proporcionou uma bolsa de estudo de cinco anos em Paris. Em 1921, chegou à cidade a bordo do navio Almanzora. Ao chegar na cidade, porém, Victor sentiu-se inadequado, pelo inevitável choque do novo. A cidade francesa reunia artistas de todo mundo, agregando os princípios de diversas vanguardas, diferente da arte de Brecheret e daquilo que ele tinha visto na Itália e no Brasil. Brecheret decidiu que faria daqueles cinco anos, um tempo de estudo intenso e foi nesse momento que começou a manifestar o desânimo com sua bolsa de estudos, que parecia insuficiente para que ele realizasse tudo que desejava.

O artista se estabeleceu em um atelier próximo ao cemitério de Montparnasse — que já era considerado um bairro de artistas —, afastado do movimento e da boemia. O espaço não contava com luz elétrica, aquecimento ou água-corrente; era um cômodo de pé direito alto, cheio de suas esculturas e sem nenhum conforto. Lá, Victor isolou-se mais uma vez. Porém, logo buscou se inserir na Escola de Paris, imergindo na cultura cosmopolita e produzindo uma obra para expor ainda nos primeiros dois meses. Sua participação foi noticiada pelo Correio Paulistano e a obra, aclamada no Brasil. Entretanto, o artista seguiu insatisfeito, pois não havia recebido nenhuma critica parisiense ao trabalho. Suas obras diferiam daquilo que era feito em na cidade e a inadequação fez com que Brecheret ficasse quase um ano sem produzir. Em 1922, assimila o modernismo, voltando a produzir e expor. No mesmo ano, participou a distância da Semana de Arte Moderna, tendo doze esculturas expostas no saguão do Teatro Municipal de São Paulo. A partir deste momento, manteve paralelamente as carreiras no Brasil e na Europa, participando de diversas mostras artísticas.

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