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Vera Holtz

Atriz e diretora de teatro brasileira

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Vera Lúcia Fraletti Holtz (Tatuí, 7 de agosto de 1953) é uma atriz e diretora de teatro brasileira. Iniciou a carreira artística no teatro em 1975 e, a partir do início dos anos 1980, passou a atuar também no cinema e televisão.

Conquistou diversos prêmios, entre eles dois Prêmios Mambembe, dois Prêmios Shell e um Prêmio Arte Qualidade Brasil. Em 2023, conquistou o Prêmio Kikito de Melhor Atriz do Festival de Gramado por Tia Virgínia - sua primeira protagonista no cinema.

Em 1982 foi contratada pela Rede Globo, atuando em diversos programas e telenovelas da emissora. Devido à pandemia de Covid-19, fez uma pausa na carreira e voltou aos palcos teatrais em 2022, com o monólogo Ficções, em que permanece em cena durante 90 minutos.

Descendente de alemães e italianos, nascida em Tatuí, no interior paulista, em 7 de agosto de 1953, Vera Holtz foi para o Rio de Janeiro em 1975. Ingressou na Escola de Arte Dramática (EAD) e atuou nas peças As Feiticeiras de Salem e Tribobó City. Em seguida, estudou na Escola de Teatro da Uni-Rio, onde atuou em Visões de Simone Machard, O Interrogatório e Cidade Assassinada, além de outros cursos, Vera estreia profissionalmente em Rasga Coração, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de José Renato, em 1979. Dois anos após, integra o Grupo TAPA, ainda na fase carioca, com o qual realiza diversos espetáculos: O Anel e a Rosa, de Thakaray, 1981; Tempo Quente na Floresta Azul, de Orígenes Lessa, em 1983, e Caiu o Ministério, de França Jr., em 1985, encenações de Eduardo Tolentino de Araújo.

Para se manter, inicialmente trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que a transferiu posteriormente para o Rio de Janeiro, onde desenhava mapas. Em 1981, está em Na Terra do Pau Brasil, Nem Tudo Caminha, Viu?, ao lado de Ary Fontoura, exercitando sua face de comediante. No ano seguinte, apresenta-se no vaudeville E Agora, Hermínia, de Maugnier, direção de Bibi Ferreira e surge a chance de fazer sua primeira aparição na televisão. Holtz interpretou uma babá na minissérie Quem Ama Não Mata. Em 1983, interpretou uma vendedora, na minissérie Parabéns pra Você. Mesmo ano em que integra a produção Motivo Simples, de Celina Sodré. Diretora com quem volta aos palcos, em 1984, em Sem-Sutiã - Uma Revista Feminista, de Fátima Valença e Celina Sodré e direção de Celina Sodré e Alice Viveiros de Castro. Em 1985, foi a vez de estrear no cinema. Participou de Fêmeas em Fuga, em 1985. Mais tarde voltaria às telas no papel de uma professora, no filme Menino Maluquinho - O Filme em 1994. Nova oportunidade de comédia surge em 1983, com O Dia em Que Alfredo Virou a Mão, de João Bethencourt.

Em 1985, integra o elenco de Theatro Musical Brazileiro - Partes I (1860/1914) e II (1914/1945), um roteiro de Luís Antônio Martinez Corrêa e Marshal Netherland sobre cenas e canções de peças do século passado. Em 1986, volta a trabalhar com o mesmo diretor em Mahagonny, de Bertolt Brecht, e integra um dos trabalhos mais radicais do encenador Gerald Thomas, Eletra Com Creta. Ópera Joyce, texto de Alcides Nogueira enfocando a vida e a obra do escritor irlandês a tem como estrela, sob a direção de Marcio Aurelio, em 1988, mesmo ano em que integra a equipe de Qualquer Nota, roteiro de Stella Miranda e Flávio Marinho, direção de Flávio Marinho. De volta ao formato musical, integra o elenco de Lamartine para Inglês Ver, roteiro e direção de Antônio de Bonis, em 1989. No ano seguinte, com Os Fodidos Privilegiados, sob a direção de Antônio Abujamra, destaca-se, mais uma vez, em Um Certo Hamlet, ganhando Prêmio Shell de melhor atriz. No mesmo ano, protagoniza uma controvertida versão de Phaedra, de Jean Racine, novo espetáculo da companhia de Antônio Abujamra, assim como a realização seguinte do diretor, O Retrato de Gertrude Stein Quando Homem, de Alcides Nogueira, em 1992. Na sequência, participa da montagem de A Volta ao Lar, de Harold Pinter, direção de Luiz Arthur Nunes. Com o Bando de Teatro Olodum, numa montagem baiana, capitaneia a produção de Medeamaterial, encenação de Márcio Meirelles para o texto de Heiner Müller, em 1994. Com Pérola, texto e direção de Mauro Rasi, montado em 1995, arrebata os principais prêmios do Rio de Janeiro e São Paulo, num trabalho que fica cinco anos em cartaz. Em 2001, volta aos palcos na montagem de Dias Felizes (Felizes Para Sempre), de Samuel Beckett, direção conjunta da dupla Adriano e Fernando Guimarães, com quem volta a trabalhar em 2002, em Não Ficamos Muito Tempo...Juntos, outra pesquisa sobre o universo de Beckett.

Vera retornou à TV em 2008 na novela Três Irmãs como a antagonista central Violeta Áquila, recebendo muitos elogios da crítica por sua atuação. Em 2010 atuou em Passione de Sílvio de Abreu, onde interpretou Candê. No mesmo ano, estreou como diretora em teatro na peça o Escolhido. Em 2012, interpretou a antológica Mãe Lucinda, personagem que a imortalizou como "mãe do lixão", na novela de João Emanuel Carneiro, Avenida Brasil.

Vera Holtz atuou em várias novelas na TV Globo, tais como Que Rei Sou Eu?, Vamp, Fera Ferida, A Próxima Vítima, O Fim do Mundo, Por Amor, Uga Uga, Desejos de Mulher, Mulheres Apaixonadas, Cabocla e outras. Também atuou em minisséries e séries como Desejo, A Muralha, Presença de Anita, Terça Nobre e Mulher.

Em 2013, teve um papel de destaque na novela Saramandaia, como a obesa Dona Redonda, considerada um marco na teledramaturgia brasileira. Para se caracterizar como a personagem, Vera teve que usar peruca, maquiagem e enchimento no corpo. Em 2014 interpretou Vic Garcez, no remake de O Rebu. No teatro, dirigiu as peças Antígona, Um Pai (Puzzle), Fatal e O Olho de Vidro. Em 2016, fez um dos personagens principais em A Lei do Amor de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari, a vilã Magnólia. No intervalo entre as novelas, participou dos filmes Malasartes e o Duelo com a Morte, TOC: Transtornada Obsessiva Compulsiva, e Berenice Procura, bem como o híbrido de documentário e ficção As quatro irmãs, sobre a família Holtz e seu casarão em Tatuí. A história das quatro irmãs da família Holtz se confunde com a própria memória afetiva de Tatuí. No centro dessa narrativa está o antigo casarão onde cresceram, uma construção que atravessou décadas como testemunha silenciosa da vida familiar, das conversas na varanda, das refeições compartilhadas e das descobertas da infância.

Entre elas, destacou-se Vera Holtz, que mais tarde ganharia reconhecimento nacional no teatro e na televisão. Muito antes dos palcos e das câmeras, porém, Vera era apenas uma menina correndo pelos corredores largos da casa, dividindo sonhos e travessuras com suas irmãs, sob o olhar atento dos pais.

O casarão, localizado em Tatuí, carrega a arquitetura típica de outras épocas: pé-direito alto, janelas amplas, portas de madeira maciça e um quintal generoso, onde a vida acontecia ao ritmo simples do interior paulista. Ali se formaram valores, laços e memórias que marcariam para sempre a trajetória das quatro irmãs.

Anos mais tarde, já consagrada em sua carreira artística, Vera decidiu restaurar a casa da infância. O gesto foi mais que uma reforma arquitetônica — foi um ato de resgate da própria história. Ao recuperar paredes, pisos e detalhes originais, ela também reviveu lembranças, preservou a memória dos pais e reafirmou suas raízes tatuianas.

Outro aspecto marcante de sua trajetória é a amizade com o tatuiano Jorge Rizek. A convivência e o vínculo com conterrâneos sempre foram parte importante da identidade de Vera, mantendo viva a conexão com sua cidade natal mesmo após alcançar projeção nacional. Essas amizades reforçam o sentimento de pertencimento e mostram que, apesar do sucesso, suas raízes continuam firmemente plantadas em Tatuí.

O casarão restaurado tornou-se símbolo de pertencimento. Não apenas uma construção antiga, mas um espaço de afeto e identidade. A iniciativa de Vera reforça a importância da preservação do patrimônio histórico e emocional de Tatuí, mostrando que as casas guardam mais do que paredes: guardam histórias, risos, ensinamentos e o eco da infância que nunca se apaga.

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