Neste Dia

Veganismo

Modo de vida que evita o uso de animais

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Veganismo é a prática de abster-se do uso de produtos animais e uma filosofia que condena a exploração animal. Um adepto deste modo de viver e dessa filosofia é conhecido como vegano ou vegana.

Como resultado de seus princípios éticos, veganos adotam uma dieta à base de plantas: excluem-se carne, leite e derivados, ovos, mel, ou qualquer outro produto proveniente de um animal. Como resultado, ela tende a conter um maior teor de fibra dietética, magnésio, ácido fólico, vitamina C, vitamina E, ferro, e fitonutrientes, mas um menor teor de gordura saturada, colesterol, ômega-3, vitamina D, cálcio, zinco, e vitamina B12 — sendo muitas vezes necessária suplementação ou ingestão de alimentos fortificados. Assim, uma dieta à base de plantas bem planejada é tida como apropriada para todas as fases da vida, incluindo infância e gravidez, como constatado por diversos grupos de pesquisa.

O veganismo, porém, não se restringe à alimentação: veganos não adquirem vestimentas e produtos derivados de peles de animais, como couro ou lã, e não frequentam lugares que utilizam animais para entretenimento, tais como rodeios, touradas, zoológicos, ou oceanários. Além disso, boicotam produtos cosméticos testados em animais, como determinados shampoos e maquiagens. No Brasil e em Portugal já é possível encontrar facilmente vários cosméticos veganos à venda. No entanto, o veganismo é flexível no caso do consumo de itens essenciais à saúde que foram testados em animais, tais como medicamentos e vacinas. Assim, grande parte da população vegana toma vacinas e medicamentos (mesmo quando estes são testados em animais) visto que não tomar vacinas e medicamentos constitui uma latente ameaça à saúde própria e à saúde alheia. O movimento vegano, portanto, não apenas aceita, como também frequentemente incentiva, o uso de vacinas e medicamentos essenciais à saúde.

A palavra "vegano" foi cunhada por Donald Watson e, sua então futura esposa, Dorothy Morgan em 1944. O interesse pelo veganismo aumentou significativamente na década de 2010.[carece de fontes?]

O vegetarianismo pode ser rastreado até a civilização do Vale do Indo, entre 3300–1300 a.C., no subcontinente indiano, particularmente no norte e oeste da Índia antiga. Os primeiros vegetarianos incluíam filósofos e imperadores indianos, e, mais tarde, alguns filósofos gregos. Pitágoras pode ter defendido uma forma primitiva de vegetarianismo estrito.

Um dos primeiros veganos conhecidos foi o poeta árabe al-Maʿarri (c. 973 – c. 1057), famoso por seu poema Não Mais Roubo Da Natureza.

O Vegetarianismo no Século XIX

O vegetarianismo se estabeleceu como um movimento significativo na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos no século XIX. Uma minoria de vegetarianos evitou totalmente a alimentação animal.

Em 1813, o poeta Percy Bysshe Shelley publicou A Vindication of Natural Diet, defendendo a "abstinência de alimentos de origem animal". Em 1815, William Lambe, um médico londrino, afirmou que sua "dieta de água e vegetais" poderia curar qualquer coisa desde tuberculose a acne. Lambe chamou a alimentação animal de "irritação habitual" e argumentou que "Beber leite e comer carne são apenas ramos de um sistema comum, e devem permanecer ou cair juntos."

A dieta sem carne de Sylvester Graham — consistente principalmente de frutas, legumes, água e pão feito em casa com farinha moída — tornou-se popular como remédio de saúde na década de 1830 nos Estados Unidos.[carece de fontes?]

Em 1843, membros da Alcott House criaram a Sociedade Britânica e Estrangeira para a Promoção da Humanidade e Abstinência de Alimentos de Origem Animal, liderada por Sophia Chichester, uma rica benfeitora da Alcott House. Alcott House também ajudou a estabelecer a Vegetarian Society do Reino Unido, que realizou sua primeira reunião em 1847 em Ramsgate, Kent. O Medical Times and Gazette em Londres relatou em 1884:

Existem dois tipos de vegetarismo — um uma forma extrema, cujos membros não comem nenhuma comida de origem animal; e uma seita menos extrema, que não se opõe a ovos, leite ou peixe.

A Vegetarian Society (...) pertence à segunda e mais moderada divisão.

Artigos no Vegetarian Messenger da Sociedade discutiam alternativas a materiais de origem animal usados para roupa e calçado, como couro e lã, o que sugere a presença de veganos entre os membros, não apenas na dieta. Na publicação de 1886 de A Plea for Vegetarianism and Other Essays, de Henry S. Salt, ele afirma que: "É bem verdade que a maioria — não todos — os reformadores de alimentos admitem em sua dieta alimentos de origem animal como leite, manteiga, queijo e ovos". O consumo de leite e ovos tornou-se um campo de batalha nas décadas seguintes. Houve discussões regulares sobre isso no Vegetarian Messenger; parece pelas páginas de correspondência que muita da oposição ao veganismo veio de vegetarianos.

Durante uma visita a Londres em 1931, Mahatma Gandhi — que se juntou ao comitê executivo da Vegetarian Society quando morou em Londres de 1888 a 1891 — fez um discurso à Sociedade argumentando que ela deveria promover uma dieta sem carne como uma questão de moralidade, não de saúde. Gandhi argumenta que aqueles que adotam a dieta vegetariana por saúde são os que mais costumam abandoná-la. Os lacto-vegetarianos reconheceram a consistência ética da posição vegana, mas consideraram uma dieta vegana impraticável e temeram que ela pudesse ser um impedimento para a disseminação do vegetarianismo se os veganos se encontrassem incapazes de participar de círculos sociais onde não houvesse comida não animal disponível.

Em agosto de 1944, vários membros da Vegetarian Society pediram que uma seção de seu boletim fosse dedicada ao vegetarianismo não lácteo. Quando o pedido foi recusado, Donald Watson, secretário da filial de Leicester, criou um novo boletim trimestral em novembro de 1944, ao preço de dois pence. Ele o chamou de The Vegan News.

A palavra "vegan" foi inventada por Watson e Dorothy Morgan, uma professora com quem ele se casaria mais tarde. A palavra é formadas pelas “três primeiras e as duas últimas letras de 'Vegetarian'". O Vegan News perguntou a seus leitores se eles poderiam pensar em algo melhor do que vegan para representar "vegetariano não lácteo". Eles sugeriram allvega, neovegetarian, milkban, vitan, benevore, sanivores e beaumangeur.

A primeira edição atraiu mais de 100 cartas, incluindo de George Bernard Shaw, que resolveu se abster de ovos e laticínios. A The Vegan Society realizou sua primeira reunião no início de novembro no Attic Club, 144 High Holborn, Londres. Os presentes eram Donald Watson, Elsie B. Shrigley, Fay K. Henderson, Alfred Hy Haffenden, Paul Spencer e Bernard Drake, com Mme Pataleewa (Barbara Moore, uma engenheira russo-britânica) observando. O Dia Mundial do Veganismo é todo 1º de novembro para marcar a fundação da Sociedade e o mês de novembro é considerado pela Sociedade como o Mês Mundial do Veganismo.

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