Neste Dia

Vasco Granja

Apresentador de televisão português

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Vasco de Oliveira Granja (Lisboa, Campo de Ourique, 10 de Julho de 1925 - Cascais, 4 de Maio de 2009) foi um apresentador, cineclubista e professor português. Conhecido por ter apresentado animações de cinema na RTP, entre 1974 e 1990. Uma boa parte do material apresentado provinha da América do Norte e da União Soviética Europeia.

Vasco Granja foi um reconhecido divulgador do cinema de animação e da banda desenhada em Portugal. Ficou conhecido pelo pai da Pantera Cor de Rosa. Granja divertiu miúdos e graúdos com apresentações de cartoons e séries tais como: "Droopy", "Bugs Bunny", "Mickey Mouse", "O Lápis Mágico”, “Professor Balthazar”, "Tom e Jerry" e "Pantera Cor de Rosa", no qual ganhou a alcunha que o tornou conhecido pelos portugueses: O Pai da Pantera Cor de Rosa.

Foi o principal introdutor e divulgador em Portugal do Cinema de Animação produzido na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

No seu programa e em algumas entrevistas, Vasco Granja partilhou com os portugueses como era produzida a Banda Desenhada, como era o enredo, e também, algumas personalidades de realizadores de animação, tais como: Tex Avery, Chuck Jones e Friz Freleng.

Estudou na Escola 12 do Bairro Alto, em Lisboa, e na Escola Industrial Machado de Castro, que abandonou após uma reprovação na disciplina de álgebra, no quarto ano.

Aos 16 anos de idade, encontrou o primeiro emprego, nos Armazéns do Chiado. Era responsável pelas amostras de seda que eram oferecidas às clientes. Algum tempo mais tarde, e graças à sua caligrafia, foi transferido para o departamento de publicidade, onde realizava os cartazes promocionais dos Armazéns e os anúncios para a imprensa. Posteriormente, trabalhou como assistente de fotógrafo na Foto Áurea, na Rua do Ouro, em Lisboa.

O gosto pela literatura e pelo cinema teve início na infância. O pai comprava-lhe as revistas infantis da época que traziam histórias aos quadradinhos como O ABC-zinho, O Tic-Tac e O Senhor Doutor. Mesmo antes de saber ler começou a colecionar estas revistas que, segundo o próprio, o ajudaram na aprendizagem da leitura. Os pais levaram-no ao cinema desde tenra idade e incentivaram-lhe o hábito. Nesse tempo, não havia classificação etária nas salas de cinema. Uma ida ao cinema era um hábito eminentemente social e o pequeno Vasco assistia a todo o tipo de filmes. Na sua adolescência frequentava as salas de cinema do Chiado e corria as salas de cinema de Lisboa inteira, não perdendo as sessões contínuas.

Paralelamente, frequentava a Biblioteca Nacional, visitava museus e interessava-se por pintura e cinema.

A sua formação decorreu assim de forma autodidata, em função da sua curiosidade, dos seus gostos pessoais grandemente incentivados pelos pais e da sua sede de conhecimento. A paixão pelos livros e pelo cinema acompanhá-lo-ia, assim, durante toda a sua vida.

Em 1952 já se encontrava ligado ao cineclube Imagem. A atividade cineclubista que desenvolveu com mais intensidade nas décadas de 1950 e 1960 foi, nas suas palavras, a sua «segunda universidade» e constituiu uma das fases mais frutuosas da sua vida. Como gostava de salientar, o Imagem era o mais revolucionário dos cineclubes, uma autêntica fortaleza de combate antifascista. Foi no âmbito do Imagem que promoveu sessões de cinema em salas alugadas onde projetava filmes de 16 mm, o designado formato reduzido que ele e a sua companheira, Maria Inácia Roque, iam buscar às embaixadas.

Aos 18 anos foi convidado pelo realizador Santos Matos para integrar a equipa do filme A Noiva do Brasil, uma comédia policial cuja única cópia acabou por desaparecer num incêndio. Trabalhou como assistente de imagem com o diretor de fotografia Aquilino Mendes, cujo trabalho admirava profundamente.

O período de 1944 a 1958, época em que trabalhou na Casa Travassos no Rossio e frequentou as tertúlias dos cafés Gelo e Nicola, revelou-se, segundo ele, um dos períodos mais estimulantes da sua formação cultural e política, a sua «primeira universidade», como costumava afirmar. Aí conviveu e fez amizade com poetas, romancistas, pintores e cineastas nomeadamente, António Ramos Rosa, Alves Redol, Fernando Namora, Romeu Correia, Manuel Ribeiro de Pavia, António Duarte, Carlos Botelho, Cândido Costa Pinto, Alves da Cunha, entre tantos outros.

Os seus ideais políticos aproximaram-no do Partido Comunista Português aderindo ao partido nos anos 50.

Publica o seu primeiro em 1953 no jornal de Cascais A Nossa Terra, com o título “Arte das Imagens: Georges Méliès, passando a coordenar a rubrica “Planetário - Página de Divulgação Cultural” nesse jornal.

Primeiros passos na Banda Desenhada

Datam de 1958 os seus primeiros textos sobre cinema de animação no boletim do cineclube Imagem, na rubrica da sua responsabilidade “Formato Reduzido”. Escreve sobre a filmografia de vários cineastas, em especial sobre Norman McLaren, realizador cuja obra cinematográfica admirava. Esta sua intervenção enquanto critico e estudioso do cinema, em particular do cinema de animação e, mais tarde, da banda desenhada, estendeu-se ao longo de cinco décadas, desde os anos 1950 até à década de 1990. Ela incluiu centenas de textos publicados na imprensa local, nacional e internacional (Brasil, França, Argentina), assim como em publicações especializadas, entradas em dicionários temáticos, catálogos de exposições, nomeadamente nas primeiras edições do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Na imprensa portuguesa os seus artigos surgiram publicados no Diário de Lisboa (1957-1973), Jornal do Fundão (1960-1973), Notícias da Amadora (1963-1970), República (1965-1975), Diário Popular(1965-1991), O Comércio do Porto (1966-1974), A Capital (1968-1980), O Diário, Expresso, Jornal de Letras, estes últimos nos anos 80 e 90, entre outros.

Exerce funções na Editoria Arcádia entre 1958 e 1961, como secretário do diretor editorial, o escritor Fernando Namora, sendo responsável pela divulgação das edições e contatos com os autores. No período em que trabalhou na Editora Arcádia e, logo a seguir na Editora Bertrand, travou conhecimento e fez amizades com escritores, ensaístas e historiadores como Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, António Sérgio, Vitorino Magalhães Godinho, Joel Serrão, Hernâni Cidade, Vieira de Almeida, entre muitos outros.

Em 1960, esteve presente no I Festival de cinema de animação de Annecy em França, participando nos certames de Annecy até 1993 em representação de Portugal.

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