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Varig

Antiga companhia aérea brasileira e uma das primeiras do país

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A Viação Aérea Rio-Grandense, mais conhecida como Varig, foi uma companhia aérea brasileira fundada em 1927, no município de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, pelo alemão Otto Ernst Meyer. Foi uma das primeiras companhias aéreas brasileiras.

Entre as décadas de 1960 e 1980, a Varig foi uma das maiores e mais conhecidas companhias aéreas privadas do mundo, sendo comparada diversas vezes com a Pan American World Airways, maior companhia aérea do mundo na época. A empresa era conhecida por seu serviço de bordo em todas as três classes. Nessa época, a Varig operava rotas internacionais para América, Europa, África e Ásia, utilizando inicialmente os Lockheed Constellation e Douglas DC-6, posteriormente os Boeing 707 e Sud Aviation Caravelle e finalmente com os Douglas DC-10 e Boeing 747.

Em 20 de julho de 2006, após ter entrado com processo de recuperação judicial, teve sua parte estrutural e financeiramente boa vendida para a Varig Logística através da constituição da razão social VRG Linhas Aéreas, a qual, em 9 de abril de 2007, foi cedida para a Gol Linhas Aéreas Inteligentes. Devido ao fato de não poder operar voos com a própria marca, a Fundação Ruben Berta, administradora da companhia, criou a marca Flex Linhas Aéreas, que chegou a operar voos regulares comissionados pela Gol, mas teve sua falência decretada no mesmo dia do decreto da falência da Varig.

A Varig foi fundada em 7 de maio de 1927, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, pelo imigrante alemão Otto Ernst Meyer, em conjunto com diversas personalidades teuto-brasileiras do estado, como Alberto Bins, Artur Bromberg, Waldemar Bromberg, Emílio Gertum, Jorge Pfeiffer, Ernst Rotermund e Rudolph Ahrons. A companhia alemã Condor Syndikat, atual Lufthansa, possuía 21% das ações da Varig.

Sua primeira aeronave foi um hidroavião Dornier Do J, apelidado de Atlântico, com capacidade de nove passageiros, considerado um dos mais modernos de sua época, que fez seu voo de estreia de Porto Alegre a Rio Grande. Operou também o Dornier Komet, a partir da Ilha Grande dos Marinheiros, no Rio Guaíba, atendendo as regiões sul e sudeste do Brasil. Em 1932, adquiriu seu primeiro avião com trem de pouso, um Junkers A-50 Junior, e depois o Junkers F.13, iniciando seus serviços na capital gaúcha, no terreno que daria origem ao Aeroporto Internacional de Porto Alegre.

Entre a década de 1920 e o início da década de 1940 a Varig, que até então operava apenas rotas regionais, passou a expandir suas operações também para as regiões centro-oeste e parte da região nordeste. Nessa época a companhia foi comandada por Ruben Berta.

Em agosto de 1942 a Varig fez seu primeiro voo internacional, ligando Porto Alegre a Montevidéu, utilizando um De Havilland DH-89 Dragon Rapide. A partir de 1946 apresentou sua maior expansão de todos os tempos. Durante a Segunda Guerra Mundial, Otto Ernst Meyer contribuiu para com a espionagem nazista no Brasil. Com o final da guerra, aviões eram encontrados a preços baixíssimos no mercado, quando adquiriu equipamentos importantes, como o Douglas DC-3 e o Curtiss C-46. Os primeiros chegaram em 1946 e operaram até à década de 1970, sem sofrer qualquer acidente ou incidente grave. Esses aviões permitiram à Varig uma rápida expansão, chegando a operar rotas para os remotos aeródromos da região nordeste.

Em 1955 chegaram os primeiros Lockheed Constellation, e, com eles, a Varig inaugurou a sua rota mais longa até então, que ligava Porto Alegre a Nova Iorque com escalas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Santo Domingo. Estas aeronaves operaram até a década de 1960, quando foram substituídos pelos Boeing 707.

Em 1959 os primeiros jatos comerciais da história da aviação, Sud Aviation Caravelle, da versão III (SE-210 Caravelle III) entraram em operação pela Varig e foram empregados nas rotas para Nova Iorque. Em 1960 foram substituídos pelos Boeing 707, versão -420, equipados com motores Rolls-Royce Conway MK-508, um dos modelos que mais contribuiu para o crescimento da empresa, com vinte aeronaves na frota. No entanto, seus índices de segurança eram ruins, já que sete aeronaves sofreram acidentes com perda total, cerca de 35% da frota. O modelo operou até o final da década de 1980, quando foi substituído pelo Douglas DC-10.

Em 1961 a Varig comprou a Real Aerovias, que era a maior companhia brasileira no mercado doméstico. Com a incorporação, a frota da Varig praticamente dobrou e com ela vieram novos tipos, como os Convair 340, Convair 440, novos Lockheed Constellation e Douglas DC-6, que foram empregados nas rotas domésticas de longo curso e internacionais. As rotas também foram incorporadas às da Varig, inclusive as internacionais. A aquisição também trouxe o Convair 990, então os jatos mais rápidos do mundo, empregados nas rotas para Lima, Caracas, Cidade do México, Los Angeles e Miami. . Tal aquisição dos CV-990A Coronado fora um tanto conturbada, onde a Varig não os queria na frota, sendo resolvido, após a Convair mandar uma unidade para testes em no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, sendo aprovado com louvor. A aeronave, que seriam PP-YSE, YSF e YSG na Real, se transformaram no PP-VJE, VJF e VJG, sendo recebidos pela companhia gaúcha em 1º de março de 1963. Tais aeronaves operaram na Varig até 1969.

A partir de 1961 a Varig adotou como símbolo a rosa-dos-ventos, destacado na cauda de todos os seus aviões.

Em 1965 a Panair do Brasil foi dissolvida pelo governo brasileiro e algumas das suas aeronaves e rotas internacionais foram repassadas para a Varig, o que permitiu o início dos voos para a Europa. Dois Douglas DC-8 , sendo o PP-PDS e o PP-PEA, da empresa dissolvida foram adicionados à frota, o que a levou a ser a única companhia aérea do mundo a operar os três jatos americanos concorrentes, o Boeing 707, Convair 990 e Douglas DC-8. O PP-PEA fora perdido em 1967, num terrível acidente na África, e o PP-PDS, perdurou na companhia, operando até 1975.

No mercado doméstico, investiu em novos aviões para substituir os Douglas DC-3. A companhia possuía monopólio nas rotas internacionais, porém, nas rotas nacionais, era ultrapassada pela VASP e Transbrasil., sendo que em 1964, ela se desfez dos seus Caravelle III, enquanto Panair(até fev/1965), Cruzeiro operavam os seus, sendo essa, com o reforço dos três Caravelle 6R ex-Panair, ser incorporado a sua frota, além de ver a VASP e Transbrasil, operarem com seus BAC 1-11, e por fim, a VASP receber seus primeiros Boeing 737-200 em 1969. Tal desativação dos Caravelle III, fora um erro estratégico. Em 1962, recebeu o Lockheed L-188 Electra, que seria amplamente utilizado nos voos domésticos e internacionais curtos, inclusive na ponte aérea Rio-São Paulo, a qual operou até 1991. Algumas destas aeronaves operaram como cargueiras e fizeram voos entre o Rio de Janeiro, Nova Iorque e Lisboa.

A década de 1970 foi marcada por diversos reconhecimentos e expansões. Nesse período, o presidente Hélio Smidt, que ingressou na presidência da empresa em 1981, investiu no serviço de bordo e em novas rotas e aeronaves. Foi quando se destacou entre as concorrentes mundiais, reconhecida pela qualidade do serviço de bordo, comparando-se com empresas renomadas, como Lufthansa, Air France, KLM e a Pan American. O catering (serviço de bordo) servia caviar na primeira classe, e em alguns voos, o jantar tinha churrasco no espeto. O crescimento da empresa foi completado por novos e mais modernos aviões e novas rotas no mercado europeu, com saídas do recém inaugurado terminal do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão.

Ainda na década de 1970, a empresa trouxe os primeiros Boeing 727, que foram utilizados em rotas domésticas e internacionais para a América Latina, Miami e Cabo Verde. Ao final de suas vidas úteis, alguns foram convertidos a cargueiros e repassados à Varig Log. Observando o sucesso da VASP com seus Boeing 737, a Varig comprou dez modelos entre 1974 e 1975, que tornou-se um de seus principais aviões, substituindo a maioria de seus turbo-hélices nas rotas domésticas.

Ao final da década de 1970, mais de 70% da frota era composta por jatos, o que proporcionou o início de voos ligando as regiões Norte e Sul do Brasil com menos escalas. Rotas como Rio de Janeiro a Manaus e Belém, até então operadas como escalas de voos internacionais, foram iniciados por essas aeronaves.

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