Neste Dia

Vale S.A.

Empresa de mineração multinacional

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Vale é uma mineradora multinacional brasileira e uma das maiores operadoras de logística do país. É uma das maiores empresas de mineração do mundo e também a maior produtora de minério de ferro, de pelotas e de níquel. Também produz cobre, cobalto e outros metais preciosos. No setor de energia elétrica, participa em consórcios e atualmente opera nove usinas hidrelétricas, no Brasil, no Canadá e na Indonésia. Fundada em 1942 como Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), foi criada durante o governo Getúlio Vargas para a exploração das minas de ferro na região de Itabira, no estado de Minas Gerais. Em 2009, sua marca e nome passaram a ser apenas Vale, nome pelo qual sempre foi conhecida nas bolsas de valores.

A Vale é hoje uma empresa privada, de capital aberto, com sede no Rio de Janeiro, e com ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), na Bolsa de Valores de Madrid (LATIBEX) e na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), integrando o Dow Jones Sector Titans Composite Index. A companhia esteve listada na Bolsa de Valores de Hong Kong de 2010 até julho de 2016.

Opera em 14 estados brasileiros e nos cinco continentes e possui cerca de dois mil quilômetros de malha ferroviária e nove terminais portuários próprios. É a maior empresa no mercado de minério de ferro e pelotas (posição que atingiu em 1974 e ainda mantém), além de operar serviços de logística, atividade em que é a maior do país. A Vale consome cerca de 5% de toda a energia produzida no Brasil.

Em 24 de outubro de 2006, a Vale anunciou a incorporação da canadense Inco, a maior mineradora de níquel do mundo, que foi efetivada no decorrer de 2007. Após essa incorporação, o novo conglomerado tornou-se a 31ª maior empresa do mundo, atingindo um valor de mercado de 298 bilhões de reais, à frente da IBM. Em 2008 seu valor de mercado foi estimado em 196 bilhões de dólares pela consultoria Economática, perdendo no Brasil apenas para a Petrobras (287 bilhões de dólares), estando entre as dez maiores empresas da América Latina. Em 2008, a empresa chegou a ser a 33° maior do mundo (de acordo com o Financial Times de 2008) e a maior do Brasil em volume de exportações.

Em janeiro de 2012, no entanto, a empresa foi eleita como a pior do mundo em direitos humanos e meio ambiente, pelo Public Eye People's, premiação realizada desde o ano 2000 pelas ONG's Greenpeace e Declaração de Berna. Na sequência, a empresa ficou marcada negativamente no Brasil e no mundo pelos desastres ambientais de Mariana em 2015 e Brumadinho em 2019, ambas no estado de Minas Gerais. Nos dois casos, houve o rompimento de barragens pertencentes à mineradora, deixando centenas de vítimas e desaparecidos em meio aos rejeitos de mineração.

Vários grupos de investidores internacionais adquiriram extensas glebas de terra próximas a Itabira-MG, e em 1909 se reuniram fundando o Brazilian Hematite Syndicate ("Sindicato Brasileiro da Hematita"), um sindicato que visava a explorá-las. Em 1911 o empresário estadunidense Percival Farquhar adquiriu todas as ações do Brazilian Hematite Syndicate e mudou seu nome para Itabira Iron Ore Company ("Companhia de Minério de Ferro de Itabira"). Percival Farquhar fez planos para que a Itabira Iron Ore Co. exportasse 10 milhões de toneladas/ano de minério de ferro para os Estados Unidos, usando navios pertencentes a seu sindicato, que trariam carvão dos EUA ao Brasil, tornando assim o frete mais econômico. Esse plano antecipava em mais de 40 anos um conceito que, modificado e atualizado, viria a se tornar realidade, sob a direção de Eliezer Batista, na década de 1960, quando da inauguração do Porto de Tubarão.

Percival Farquhar não logrou sucesso. Embora pudesse contar com a simpatia do presidente Epitácio Pessoa, que lhe deu uma concessão conhecida como Contrato de Itabira de 1920, Farquhar encontrou ferozes opositores a seu projeto, dentre eles o governador do estado de Minas Gerais (então quase autônomo), Artur Bernardes, que depois se elegeria presidente da República.

Décadas de debates acalorados se seguiram, com o país praticamente dividido entre os adeptos das duas posições, sem que o projeto de Farquhar saísse da prancheta. Este plano foi inviabilizado quando Getúlio Vargas assumiu o poder, à frente da Revolução de 1930, e encampou as reservas de ferro que pertenciam a Farquhar, criando com elas, em 1942, a Companhia Vale do Rio Doce, como uma empresa estatal, para o que obteve o beneplácito dos Estados Unidos e da Inglaterra nos Acordos de Washington.

Após sua fundação, a Vale conseguiu ir, pouco a pouco, expandindo sua produção de minério de ferro, mas de forma ainda muito lenta. O Brasil tinha grandes reservas do mineral, mas a demanda era reduzida. A Vale vivia praticamente só para fornecer matéria prima para as siderúrgicas nacionais, sendo a maior delas, então, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Em dezembro de 1952, Francisco de Sá Lessa, engenheiro civil de formação, assumiu a presidência da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), permanecendo no cargo até 1960. Neste período a Companhia modernizou seus postos e conquistou novos mercados. Sá Lessa inaugurou os primeiros escritórios da empresa no exterior.

Em 1961, nomeado por Jânio Quadros – em seu último ato político antes da renúncia – entra em cena seu novo presidente, Eliezer Batista, "o engenheiro ferroviário que ligou a Vale ao resto do mundo". Percebendo a necessidade dos japoneses de expandir seu parque siderúrgico, grandemente danificado na segunda guerra, criou o conceito de distância econômica, o que permitiu à Vale entregar minério de ferro ao Japão – antípoda do Brasil – a preços competitivos com o das minas da Austrália, através do Porto de Tubarão, depois de sua inauguração, em 1966.

Abrimos o mercado para um produto que podia valer pouco, mas a ideia era ganhar dinheiro com a "logística", transformando uma distância física (a rota Brasil-Japão-Brasil) numa "distância econômica" , (o valor para colocar o minério nas usinas japonesas), explica Eliezer.

Foram assinados, em 1962, contratos de exportação, válidos por 15 anos, com 11 siderúrgicas japonesas, num total de 5 milhões de toneladas/ano – quase que dobrando a produção da Vale. Ainda em 1962 a Vale produziu cerca de 8 milhões de toneladas de minério de ferro.

Com a criação da Docenave, em 1962, e a inauguração do Porto de Tubarão, em 1966, a Vale entrou numa fase de crescimento vertiginoso, em que sua produção passou de 10 milhões de toneladas/ano em 1966, para 18 milhões em 1970; e atingiu a incrível marca de 56 milhões de toneladas/ano em 1974, ano em que a então estatal assumiu a liderança mundial na exportação de minério de ferro, a qual nunca mais perdeu. Nos anos 1980, a empresa chegou a ser a maior do setor de navegação de longo curso no Brasil, mas foi vendida pela Vale em 2010.

As primeiras iniciativas da Companhia Vale do Rio Doce no setor aurífero foram nos anos 1970, época em que foram empreendidos estudos para o aproveitamento do ouro encontrado em conjunto com o minério de ferro de suas reservas em Itabira. Na década de 1980, com os primeiros resultados das pesquisas feitas pela Docegeo em depósitos descobertos em 1978 no interior da Bahia (na chamada faixa Weber, entre os municípios de Araci e Teofilândia).

Em 1979, quando tomou posse como presidente da República, o general João Batista Figueiredo reconduziu Eliezer Batista à presidência da Vale. Ex-ministro do presidente deposto João Goulart, Eliezer foi, durante o regime militar, diretor-presidente da Minerações Brasileiras Reunidas S/A (MBR), vice-presidente da Itabira lnternational Com­pany, diretor da Itabira Eisenerz GMPH, com sede em Dusseldorf, na Alemanha Ocidental, presidente da Rio Doce Internacional S/A, subsidiária da Vale com sede em Bruxelas, consultor e promotor de negócios para o governo mineiro e presidente da Paranapanema, uma das maiores mineradoras do país. Em 2016, Eliezer foi homenageado pela empresa através do lançamento do Complexo S11D Eliezer Batista, o maior projeto de mineração do mundo que substitui o uso de caminhões fora de estrada por correias transportadoras e é capaz de reduzir até 70% o consumo de diesel na mineração do local.As jazidas de Carajás, descobertas pela Cia Meridional de Mineração, subsidiaria da United States Steel (USSteel), em fins da década de 60, revelaram um extraordinário volume de minério de ferro de alto teor (cerca de 36 bilhões de toneladas numa primeira avaliação). Diante deste volume, o Governo Brasileiro (por sugestão do General Albuquerque Lima, Ministro do Interior do Governo Costa e Silva) aconselhou a USSteel a negociar com a Companhia Vale do Rio Doce uma associação, que resultou na criação da Amazônia Mineração, com participação meio a meio de ambas as empresas (a qual passou a deter os direitos de pesquisa e posteriormente de lavra). Paralelamente foi criada, com igual participação, uma empresa de consultoria, a VALUEC (Vale and USSteel Engineering and Consultants), que realizou os estudos de engenharia e iniciou a construção dos projeto. Nesta fase a CRVD era presidida pelo Eng Raimundo Mascarenhas, antigo e respeitado funcionário de carreira da empresa, que conduziu as negociações pelo lado Brasileiro. Mascarenhas foi sucedido por Fernando Roquete Reis, que finalmente comprou a parte da USSteel na Amazônia Mineração, quando esta desistiu de participar da construção da ferrovia de Carajás.

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