O VI Governo Constitucional de Portugal tomou posse a 3 de janeiro de 1980, sendo chefiado por Francisco Sá Carneiro e, após a sua morte, interinamente pelo vice-primeiro-ministro Diogo Freitas do Amaral. Foi constituído pela Aliança Democrática (AD), coligação eleitoral formada pelo Partido Social Democrata (PPD/PSD), o Partido do Centro Democrático Social (CDS) e o Partido Popular Monárquico (PPM), com base nos resultados das eleições de 2 de dezembro de 1979. Terminou o seu mandato a 9 de janeiro de 1981, devido ao falecimento do primeiro-ministro Sá Carneiro a 4 de dezembro de 1980, num acidente de aviação em Camarate.
Liderado pelo novo primeiro-ministro social democrata Francisco Sá Carneiro, ex-ministro sem pasta, este governo foi formado e apoiado pela Aliança Democrática (AD) entre o Partido Social Democrata (PPD/PSD), o Partido do Centro Democrático Social (CDS) e o Partido Popular Monárquico (PPM). Juntos, tinham 128 deputados em 250, isto é, 51,2% dos assentos na Assembleia da República.
O governo foi formado na sequência das eleições legislativas intercalares de 2 de dezembro de 1979.
Após as eleições, a AD tornou-se a primeira força política a obter a maioria absoluta dos assentos na Assembleia e, assim, ultrapassou o Partido Socialista (PS), que perdeu o estatuto de partido liderante da política do país, adquirido na sequência das Eleições para a Assembleia Constituinte de 1975 e das eleições legislativas de 1976.
A 27 de dezembro, mais de três semanas depois das eleições, Maria de Lourdes Pintasilgo apresentou a sua demissão ao presidente da República António Ramalho Eanes de forma a permitir a composição de um novo governo constitucional. A publicação no mesmo dia dos resultados definitivos das eleições legislativas permitiu ao chefe de Estado iniciar as suas consultas com vista à nomeação do futuro chefe do Executivo.
Após as suas discussões com os partidos representados no Parlamento, bem como o Conselho da Revolução, Ramalho Eanes convidou a 29 de dezembro o presidente do PPD/PSD Francisco Sá Carneiro para formar governo, e anunciou que iria dar posse ao mesmo no dia 3 de janeiro de 1980. Sá Carneiro entregou-lhe de imediato a sua lista de 16 ministros. Os democratas-cristãos Diogo Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa ocupariam os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa Nacional, respetivamente, com Freitas do Amaral também a atuar como vice-primeiro-ministro. Os ministérios da Defesa e do Interior seriam chefiados por civis, não havendo militares no Conselho de Ministros pela primeira vez desde 25 de abril de 1974. A escolha de Francisco Pinto Balsemão, jornalista reconhecido, para ministro adjunto do Primeiro-Ministro foi percebida como um sinal de moderação do discurso de direita.
O executivo — que integra nove membros do PPD/PSD, cinco do CDS e três independentes — foi devidamente empossado em 3 de janeiro de 1980 pelo presidente da República, dia da primeira reunião da nova Assembleia da República. O programa do governo, que insistia nomeadamente na adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), na defesa da autodeterminação de Timor-Leste, no combate à inflação e na melhoria do equipamento das Forças Armadas, foi aprovado pelos deputados no dia 17 de janeiro.
Durante as eleições legislativas de 5 de outubro de 1980, a AD reforçou a sua maioria e garantiu a permanência de Sá Carneiro no poder. Este decidiu então não se demitir, mas simplesmente pedir confiança na recém-eleita Assembleia da República para continuar a governar o país até ao resultado das eleições presidenciais, cuja primeira volta estava marcada para 7 de dezembro seguinte. Em 18 de novembro, a moção de confiança foi aprovada por 132 votos favoráveis quatro dias depois, após dois dias de debate .
A 4 de dezembro, o avião que transportava Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa caíu pouco depois da descolagem do Aeroporto de Lisboa, matando todos os seus ocupantes. Competiu então ao vice-primeiro-ministro Diogo Freitas do Amaral assumir as funções habitualmente atribuídas ao Primeiro-Ministro, nos termos da Constituição. Na sequência da sua reeleição, o presidente Ramalho Eanes nomeou Pinto Balsemão, sucessor de Sá Carneiro escolhido pelo PPD/PSD, para formar o VII Governo Constitucional, que tomou posse no dia 9 de janeiro de 1981.
A Lei Orgânica do VI Governo Constitucional, Decreto-Lei n.º 3/80, de 7 de fevereiro, determinava a seguinte composição governativa:
O Governo era constituído pelo Primeiro-Ministro, pelo Vice-Primeiro-Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros e pelos ministros, secretários de Estado e subsecretários de Estado.
O Governo compreendia os seguintes ministros:
a) Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro;
b) Ministro da Defesa Nacional;
c) Ministro da Administração Interna;
e) Ministro das Finanças e do Plano;
f) Ministro da Educação e Ciência;
h) Ministro dos Assuntos Sociais;