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Ursula K. Le Guin

Escritora estadounidense de fantasia e ficção científica

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Ursula Kroeber Le Guin (AFI: [ˈkroʊbər lə ˈɡwɪn]; KROH-bər lə-GWIN; Berkeley, em 21 de outubro de 1929 — Portland, em 22 de janeiro de 2018) foi uma escritora estadunidense, mais conhecida por suas obras de ficção especulativa, incluindo os trabalhos de ficção científica ambientados no universo de Hain e a série de fantasia Ciclo de Terramar. Le Guin publicou pela primeira vez em 1959 e sua carreira literária estendeu-se por quase 60 anos, produzindo mais de 20 romances e mais de 100 contos, além de poesias, crítica literária, traduções e literatura infantil. Frequentemente descrita como uma autora de ficção científica, Le Guin também foi chamada de uma "voz importante nas letras americanas". A própria autora disse que preferia ser conhecida como uma "romancista americana".

Ursula nasceu em Berkeley, na Califórnia, filha da escritora Theodora Kroeber e do antropólogo Alfred Louis Kroeber. Após terminar um mestrado em francês, Le Guin iniciou estudos para um doutorado, mas os abandonou depois de se casar em 1953 com o historiador Charles Le Guin. Ela começou a escrever em tempo integral no fim dos anos 1950 e atingiu sucesso crítico e comercial com os romances A Wizard of Earthsea (1968) e The Left Hand of Darkness (1969), descritos por Harold Bloom como suas obras-primas. Por este romance, ela ganhou tanto o prêmio Hugo quanto o prêmio Nebula de Melhor Romance, tornando-se a primeira mulher a fazê-lo. Posteriormente, publicou várias obras ambientadas em Terramar, no universo de Hain e no país ficcional de Orsinia; além destes, houve ainda diversos livros infantis e várias antologias.

Tanto a antropologia cultural, quanto o taoísmo, o feminismo e os escritos de Carl Jung exerceram uma forte influência na obra de Ursula Le Guin. Muitas de suas histórias usam antropólogos ou observadores culturais como protagonistas e as ideias taoístas sobre equilíbrio foram identificadas em diversos escritos. Com frequência, a autora subvertia os lugares comuns da ficção especulativa, como seu uso de protagonistas de pele escura em Terramar, além de seu uso de dispositivos estruturais ou estilísticos incomuns em livros como na obra experimental Always Coming Home (1985). Temas políticos e sociais, incluindo raça, gênero, sexualidade e transição à vida adulta, se destacam em suas obras. Além disso, também explorou estruturas políticas alternativas em muitas histórias, como na parábola The Ones Who Walk Away from Omelas (1973) e no romance utópico Os Despossuídos (1974). Sua obra exerceu uma influência enorme no campo da ficção especulativa e foi objeto de atenção intensa da crítica. Ela recebeu diversos prêmios, incluindo oito Hugos, seis Nebulas e vinte e dois Locus; em 2003, tornou-se a segunda mulher a ser agraciada com o título de Grand Master da Science Fiction and Fantasy Writers of America. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos (EUA) nomeou-a uma "Lenda Viva" em 2000 e, em 2014, ela ganhou a Medalha por Contribuições Distintas às Letras Americanas da National Book Foundation. Le Guin influenciou diversos autores, incluindo Salman Rushdie, David Mitchell, Neil Gaiman e Iain Banks. Após sua morte em 2018, o crítico John Clute escreveu que ela havia "conduzido a ficção científica americana por quase meio século", enquanto Michael Chabon referiu-se a ela como a "maior escrita americana de sua geração".

Ursula K. Le Guin nasceu Ursula Kroeber, filha de Alfred Louis Kroeber, um antropólogo na Universidade da Califórnia em Berkeley e de Theodora Kroeber, (nascida Theodora Covel Kracaw), uma psicóloga pós-graduada que, aos 60 anos, passou a dedicar-se à escrita, estabelecendo uma carreira de sucesso como autora. Entre suas obras, está Ishi in Two Worlds (1961), uma biografia sobre Ishi, um indígena americano que se tornou o último membro conhecido da tribo Yahi depois de os outros membros serem mortos por colonizadores brancos.

Ursula tinha três irmãos mais velhos: Karl, que se tornou um acadêmico no campo da literatura, Theodore e Clifton A família possuía uma grande coleção de livros e, na juventude, todos os irmãos se interessaram pela leitura. A família Kroeber recebia uma série de visitantes, incluindo acadêmicos conhecidos como Robert Oppenheimer; posteriormente, ela usaria Oppenheimer de modelo para Shevek, o físico protagonista de Os Despossuídos. A família dividia seu tempo entre uma casa de verão no Vale de Napa e uma casa em Berkeley durante o ano acadêmico.

As leituras de Ursula incluíam ficção científica e fantasia: com frequência, ela e seus irmãos liam edições das revistas Thrilling Wonder Stories e Astounding Science Fiction. Ela gostava muito de mitos e lendas, especialmente da mitologia nórdica, e de lendas nativo americanas que seu pai lhe contava. Outros autores dos quais gostava eram Lord Dunsany e Lewis Padgett. Ela também desenvolveu um interesse precoce pela escrita; ela escreveu um conto aos nove anos e enviou seu primeiro conto à Astounding Science Fiction aos onze. Este último foi rejeitado e ela não enviou mais nada a revistas por 10 anos.

Ursula Le Guin frequentou a Berkeley High School e em 1951, ela formou-se Bacharel de Artes em Renascença Francesa e Literatura Italiana pelo Radcliffe College onde graduou-se como membro da sociedade de honra Phi Beta Kappa e especializou-se depois em Línguas Latinas e Literatura Medieval e Renascentista.

Ela fez sua pós-graduação na Universidade Columbia e, em 1952, tornou-se Mestre de Artes em francês. Logo depois, começou a trabalhar no seu doutoramento e ganhou uma bolsa do Programa Fulbright para continuar seus estudos em Paris, França, de 1953-54.

Durante essa viagem à França a bordo do transatlântico RMS Queen Mary, Ursula conheceu o historiador Charles Le Guin com quem se casou em Paris em dezembro de 1953. Segundo ela, o casamento sinalizou o fim do doutoramento para ela. Nos primeiros anos de casamento Urusla trabalhou como professora de francês e como secretária até o nascimento de sua filha Elisabeth em 1957.

Em 1959, quando sua segunda filha Caroline nasceu, ela mudou-se com sua família para Portland, onde seu filho Theodore nasceu em 1964. Embora ela tenha recebido outras bolsas do Programa Fulbright para viajar a Londres em 1968 e 1975, morou em Portland pelo resto de sua vida.

Sua carreira como escritora começou no fim dos anos 1950, mas o tempo que passava cuidando de seus filhos restringia seus horários de escrita. Mesmo assim, ela continuou escrevendo e publicando por quase 60 anos. Ela também trabalhou como editora e deu aulas em universidade a alunos de graduação. Fez parte do Conselho Editorial dos periódicos Paradoxa e Science Fiction Studies, além de escrever crítica literária.

Além disso também foi professora na Universidade Tulane, no Bennington College e na Universidade Stanford, entre outras.

Em maio de 1983, ela discursou no Mills College em Oakland: seu discurso intitulava-se "A Left-handed Commencement Address" ("Um Discurso Canhoto"), o qual foi listado como um dos 100 Melhores Discursos do Século XX pelo site American Rhetoric, e foi incluído em sua coleção de não-ficção Dancing at the Edge of the World.

Ursula Le Guin morreu em 22 de janeiro de 2018, na sua casa em Portland, aos 88 anos. Seu filho disse que sua saúde estava debilitada havia diversos meses e afirmou que, provavelmente, ela havia tido um ataque cardíaco. Seu funeral aconteceu de maneira reservada em Portland. Um funeral aberto ao público, que incluiu discursos das escritoras Margaret Atwood, Molly Gloss e Walidah Imarisha, foi realizado em Portland em junho de 2018.

Ela recusou um Prêmio Nebula por sua história The Diary of the Rose em 1977, em protesto à revogação da filiação de Stanislaw Lem da Science Fiction Writers of America. A escritora atribuiu esta revogação às críticas que Lem fez à ficção científica americana e à disposição do autor em morar no Bloco Socialista; disse, ainda, que se sentiu relutante em aceitar um prêmio "por uma história sobre intolerância política de um grupo que havia acabado de demonstrar intolerância política".

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