Universidade de São Paulo (USP) é a maior instituição de ensino superior e a mais importante universidade pública do Brasil, figurando também entre as mais importantes da Ibero-América, da lusofonia, além de estar entre as mais prestigiadas do mundo. É uma das quatro grandes universidades públicas mantidas pelo Governo do Estado de São Paulo, juntamente com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Uma das maiores instituições de ensino superior na América Latina, frequentemente classificada como a melhor, possui 43 unidades de ensino e pesquisa, distribuídas em dez campi: São Paulo (com três campi), Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos (2 áreas). O campus principal em São Paulo é chamado Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, com uma área de quase 3,7 milhões de metros quadrados. A instituição está envolvida no ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento. Somando todos os Campi, a USP possui uma área total de aproximadamente 78 milhões de metros quadrados, 327 cursos de graduação, 229 cursos de pós-graduação, 5,3 mil professores e 97 mil alunos matriculados entre graduação e pós-graduação (2023).
Segundo o relatório mundial de 2021 (SIR World Report) da SCImago Institutions Rankings, a USP está classificada na 22.ª posição mundial entre as instituições de ensino e pesquisa internacionais classificadas. No ano de 2018, de acordo com o University Ranking by Academic Performance (URAP), a USP continua sendo a melhor universidade iberoamericana e está colocada na trigésima sexta posição no mundo. Em 2015 e 2024, a USP foi apontada como a primeira universidade da América Latina. O Times Higher Education (THE) classificou a instituição como a 10.ª melhor universidade dos BRICS e de outros países em desenvolvimento em 2015. Segundo o QS World University Rankings 2021, a USP foi classificada como a melhor universidade do mundo lusófono, ficando à frente de suas correspondentes portuguesas e africanas. Em 2023, entrou no top 100 das melhores universidades do mundo, novamente segundo o QS, que também a elegeu a 5.ª mais sustentável do planeta no ano seguinte. Em 2025, classificou-se entre as 50 melhores do mundo nas publicações especializadas do Interdisciplinary Science Rankings e do CWTS Leiden Ranking.
Entre as universidades públicas brasileiras tem o maior número de vagas de graduação e de pós-graduação, sendo responsável também pelo maior número de mestres e doutores do mundo, bem como responsável por metade de toda a produção científica do estado de São Paulo e mais de 25% da brasileira. Como o Brasil é responsável por cerca de 2% da produção científica mundial, pode-se dizer que a USP é responsável por 0,5% das pesquisas científicas do mundo. Além disso, entre as pós-graduações no Brasil com conceitos 6 e 7 (os mais altos conceitos) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Capes, 25% estão na USP, chegando à porcentagem de 55% se considerado apenas o território paulista. A USP é a universidade brasileira com maior número de cientistas que mais influenciam decisões no mundo.
Criada em 1934, a contribuição desta universidade para a história brasileira é de bastante relevância: na instituição 13 dos 43 presidentes brasileiros cursaram a graduação, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e o advogado Jânio Quadros — este último e outros dez apenas na Faculdade de Direito, que também formou 53 ministros na história do Supremo Tribunal Federal (STF) e cuja fundação precede em 108 anos a da própria universidade.
Após o revés sofrido por São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932, o estado viu-se ante a necessidade de formar uma nova elite, capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e da melhoria do país. Com esse objetivo, nasceram duas instituições distintas: em 1933, um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), atual Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Em 1934, o então interventor de São Paulo, cargo que atualmente corresponde ao de governador, Armando de Salles Oliveira, criou a Universidade de São Paulo (USP). Nas palavras de Sergio Milliet:
A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP.
Professores estrangeiros tais como Claude Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Emilio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil.
A aula inaugural da USP em seu segundo ano, deu-se em 11 de março de 1935, no anfiteatro da Faculdade de Medicina, às 21h00 horas.
A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito e Faculdade de Farmácia e Odontologia.
A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934, havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na sequência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), em 1948, e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), em 1951, e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 1960 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo.
Além do político Armando de Salles Oliveira, um outro homem de grande importância na fundação da USP foi o jornalista Júlio de Mesquita Filho. A instituição recebeu inúmeros professores estrangeiros nesse período.
Por iniciativa da ditadura militar, a USP ficou responsável pela instalação, manutenção e administração, entre 1971 e 1988, do "Campus Avançado da USP" na cidade de Marabá (CAUSP), no estado do Pará. O campus era uma extensão da universidade fora de sua área geo-educacional, caracterizando-se pela presença permanente de universitários e professores executando atividades que visavam o desenvolvimento da microrregião onde se estabelecia. O trabalho realizado nas áreas prioritárias definidas pelo governo militar buscava implantar um modus de modernização conservadora na região. O campus inseria-se de certa forma nos objetivos do Projeto Rondon, que se encontrava em sua segunda fase no momento da instalação da estrutura em Marabá. A despeito de sua característica autoritária, o campus USP teve grande relevância no estabelecimento do ensino universitário no sul e sudeste do Pará, pois os primeiros cursos da região foram estabelecidos a partir da existência do CAUSP, dando origem a atual Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).
Durante a década de 1970 e parte da de 1980, a universidade serviu de palco para a discussão de um novo projeto de país, reunindo diversos intelectuais de esquerda (como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Marialice Mencarini Foracchi, Luiz Pereira, Maria Sylvia de Carvalho Franco, Paula Beiguelman, José Arthur Giannotti, Francisco Weffort, Azis Simão, Ruy Coelho, Eunice Ribeiro Durham, Ruth Cardoso, Ruy Fausto, Bóris Fausto, Paul Singer, Antonio Candido, Roberto Schwarz, Gioconda Mussolini entre outros) em suas várias unidades (especialmente na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Com a limitação das liberdades democráticas promovida pelo regime militar brasileiro (que passava por seus anos mais rígidos), vários professores da USP são cassados (e diversos deles são obrigados a sair do país), assim como vários outros alunos, especialmente do curso de Psicologia, envolvem-se na luta armada contra a ditadura, o que gerou afastamentos compulsórios de suas faculdades.