A Universidade Federal de Goiás (UFG) é uma instituição de ensino superior pública brasileira localizada no estado de Goiás, sendo uma das principais da região Centro-Oeste do país.
Uma das primeiras instituições de ensino da região, foi fundada em 14 de dezembro de 1960 em Goiânia, por meio de decreto do presidente Juscelino Kubitschek. Sua história é diretamente relacionada com a expansão do ensino superior pelo interior do Brasil, bem como na integração de Goiás com a produção científica e cultural do país. Ao longo de décadas de existência, desenvolveu-se em diferentes campi, e passou por várias subdivisões que coincidiram com a divisão do estado de Goiás e, na década de 2010, a criação da Universidade Federal de Catalão (UFCAT) e da Universidade Federal de Jataí (UFJ).
A instituição possuía, em 2015, mais de 150 cursos de graduação, cerca de 60 cursos de mestrado e mais de 30 doutorados, mantém 10 bibliotecas e outros espaços, como museus, laboratórios e uma editora. É considerada uma das 20 mais importantes universidades do Brasil em diferentes rankings, como o Universitário da Folha de S.Paulo, o QS World University Rankings e o Times Higher Education World University Rankings. É, também, uma das universidades mantidas pelo Ministério da Educação com maior orçamento público.
A universidade está localizada principalmente na cidade de Goiânia, com atuação nos municípios de Aparecida de Goiânia, Goiás, Firminópolis e uma unidade futura na Cidade Ocidental. Seus principais campi são o campus Colemar Natal e Silva e o Campus Samambaia, que abriga a maior parte dos cursos oferecidos pela instituição, além de sua reitoria. Há também diversas unidades isoladas em Goiânia: a Rádio UFG e um planetário.
A história da Universidade Federal se interliga com a expansão do ensino superior brasileiro no estado de Goiás. Até a década de 1950, o estado não dispunha de universidades públicas. A Faculdade de Direito de Goiás, criada na cidade de Goiás, foi transferida para Goiânia, a nova capital. No mesmo município, existiu até a década de 1930 a Escola de Pharmácia e Odontologia de Goyaz. Outras escolas que formariam a Universidade Federal de Goiás eram a Escola de Engenharia do Brasil Central, o Conservatório Goiano de Música e a Faculdade de Medicina de Goiás.
Durante o período, ocorreram várias tentativas de se estruturar o ensino superior em Goiás em áreas específicas, com turbulências envolvendo governos e fenômenos em torno da Marcha para o Oeste, como a mudança da capital de Goiás. No Direito, por exemplo, a Academia de Direito de Goiás, de 1898, foi a primeira iniciativa do gênero. Ao ser fechada pelo governo estadual em 1909 por problemas financeiros, apenas foi restabelecida pelo interventor Pedro Ludovico Teixeira em 1931. Em 1950, foi federalizada. Algo semelhante se deu com a Escola de Pharmácia e Odontologia de Goyaz, que surgiu em maio de 1922 em meio a iniciativas privadas de constituição de ensino em Farmácia. O curso de Odontologia foi criado nos anos seguintes. A instituição foi extinta em 1931 e foi aberta novamente em 1947, como Faculdade de Farmácia e Odontologia de Goiás.
Com a mudança da capital, discussões em torno da criação de uma universidade começou a ganhar força entre a sociedade ainda na década de 1940, e com maior força ainda na década de 1950, com a influência do desenvolvimentismo do governo de Juscelino Kubitschek. Ainda em 1954, foi promovida em Goiânia a Primeira Semana Universitária, organizada por estudantes de Direito, com apoio de graduandos dos cursos de Odontologia e Farmácia. O evento teve, como intenção, defender a criação de uma universidade pública, federal e de caráter laico. Em 1956, o deputado Emival Caiado enviou ao Congresso Nacional do Brasil o projeto de lei nº 1.374/56, cujo texto propunha a criação de uma universidade goiana. Três anos depois, em 1959, o projeto 382/59, de Gerson de Castro Costa, trouxe o debate da criação de uma universidade em Goiás para a esfera nacional.
Em 1959, com a influência do arcebispo Fernando Gomes dos Santos, surgia a Universidade de Goiás. Setores mais conservadores da sociedade afirmavam que a criação recente de uma universidade católica era o suficiente para uma região em desenvolvimento com cerca de 150 mil habitantes. Fora as instituições privadas reunidas pela instituição católica, Goiás contava com outras de caráter público. Em 1958, surgiu a Escola de Engenharia do Brasil Central, de nível estadual, e que oferecia apenas o curso de Engenharia civil. Em abril de 1960, era fundada a Faculdade de Medicina. A mais antiga dessas organizações era o Conservatório de Música, cuja fundação é de meados de 1947.
Ainda em 1959, foi fundada a Frente Universitária Pró Ensino Superior Federal, que reunia estudantes das escolas de ensino superior públicas e também estudantes de ensino médio. Os alunos queixavam-se do fato de terem que se deslocar para outros estados do país para continuar os estudos. Desta forma, a organização conseguiu atrair a simpatia de professores, comerciantes, políticos e parte da população. Também ocorreu uma greve de três dias em protestos por conflitos com membros da Igreja Católica que, segundo os estudantes, atrapalhavam o andamento do projeto. Por outro lado, membros da Igreja acusaram os estudantes de serem comunistas. Neste período ocorreu, também, um protesto contra o arcebispo, com a promoção de um "enterro simbólico". O ato ganhou notoriedade por ter mobilizado, mais tarde, estudantes de Direito e Medicina para a criação de uma universidade federal.
Os estudantes, logo depois, procuraram o professor Colemar Natal e Silva, então indicado ao cargo de diretor da Faculdade de Direito de Goiás e com notoriedade em diferentes setores da sociedade, para convencê-lo a aderir ao movimento. Apesar de ser favorável à criação de uma universidade pública, Colemar inicialmente adotou uma postura neutra para não causar conflitos com as instâncias católicas. Com o seu apoio, o movimento ganhou a adesão de professores das escolas e faculdades existentes. Em novembro daquele ano, foi instalada a Comissão Permanente para a criação da Universidade do Brasil Central, que se tornaria a Universidade Federal de Goiás. A presidência ficou a cargo de Natal e Silva. A incorporação da Faculdade de Filosofia de Anápolis chegou a ser cogitada, mas não foi inclusa no plano final.
1960–1968: Instalação e ditadura militar
Em 1960, o movimento pela criação da Universidade do Brasil Central ganhou o apoio do presidente da República Juscelino Kubitschek, como forma de fortalecer sua futura candidatura como senador de Goiás. JK teve conhecimento do movimento por sua aproximação com o professor da Faculdade de Medicina de Goiás Francisco Ludovico de Almeida Neto, que era filho de José Ludovico de Almeida, governador de Goiás durante a construção de Brasília. Em 26 de outubro de 1960, Juscelino enviou ao Congresso o projeto nº 2.357/60, mais tarde convertido na lei nº 3.834-C, de 14 de dezembro de 1960, que instituiu a Universidade Federal de Goiás. O projeto previa a criação ou inclusão, dentro do prazo de três anos, de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 16 de dezembro de 1960, Juscelino Kubitschek participou de uma cerimônia no Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica, oficializando a nova lei.
Colemar Natal e Silva foi nomeado reitor e, sob a promessa do futuro presidente Jânio Quadros de não concretizar a criação de universidades aprovadas por JK, ficou responsável pela missão de coletar assinaturas com rapidez antes das mudanças de governo. Além disso, o reitor nomeou 50 professores para as cinco unidades acadêmicas. Em 25 de janeiro de 1961, nos últimos dias de mandato, o presidente aprovou o estatuto da UFG por meio de um decreto. No mês seguinte, se deu a instalação oficial da UFG no Salão Nobre da Faculdade de Direito, antigamente localizado na Rua 20, no bairro Centro. A aula inaugural da instituição se deu no Teatro Goiânia em 7 de março daquele ano. Ainda em 1961, a reitoria assumiu a responsabilidade pela construção de salas de aula para os diferentes cursos e unidades acadêmicas em uma cidade universitária.