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Universidade Estadual de Campinas

Universidade pública estadual em Campinas, São Paulo

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Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é uma instituição de ensino superior pública estadual brasileira, sediada na cidade de Campinas, no estado de São Paulo, considerada uma das melhores universidades do país e da América Latina. É uma das quatro universidades mantidas pelo Governo do Estado de São Paulo, ao lado da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp).

Fundada em 1962, a Unicamp foi projetada do zero como um sistema integrado de centros de pesquisa, ao contrário de outras universidades brasileiras, geralmente criadas pela consolidação das escolas e institutos anteriormente existentes. Seu foco em pesquisa reflete que quase metade de seus estudantes são alunos de pós-graduação, a maior proporção entre todas as grandes universidades no Brasil. Ela também se destaca no grande número de cursos de pós-graduação oferecidos (153, comparados aos 70 cursos de graduação), além de oferecer vários cursos para cerca de 8 mil estudantes por meio de sua escola de extensão.

Seu principal campus ocupa 3,5 quilômetros quadrados e está localizado no distrito de Barão Geraldo, uma área suburbana a 12 km do centro de Campinas, construída logo após a criação da universidade. A universidade também tem campi nos municípios de Limeira, Piracicaba e Paulínia, além de gerir duas instituições de ensino técnico, localizadas em Campinas e Limeira. Seu financiamento é quase inteiramente oriundo do governo do estado. Como outras universidades públicas brasileiras, a Unicamp também não cobra mensalidades ou taxas de administração para seus cursos de graduação e pós-graduação.

A Unicamp é responsável por cerca de 15% da produção científica brasileira. Ela também produz mais patentes do que qualquer outra organização de pesquisa brasileira, atrás somente da estatal Petrobras. Vários rankings universitários internacionais classificam a Unicamp como uma das melhores universidades do mundo. Em 2015, o QS a classificou como a 195ª melhor universidade do mundo, além da 11ª melhor universidade com menos de 50 anos de existência do planeta e como a 24ª melhor instituição universitária dos BRICS e de outros países em desenvolvimento. Em 2015, a Unicamp foi a universidade com maior número de cursos bem avaliados do país pelo Ministério da Educação.

Em julho de 2017, a Unicamp ultrapassou pela primeira vez a USP, tornando-se a melhor universidade da América Latina, conforme classificação da revista britânica Times Higher Education (THE). Em 2019, a Unicamp gerou impacto de R$13,8 bilhões na região de campinas, contabilizando empregos diretos e indiretos, além do impacto econômico das suas empresas-filhas.

No início da década de 1960, o governo de São Paulo queria abrir um novo centro de pesquisa no interior do estado para promover o desenvolvimento e a industrialização da região e pediu a Zeferino Vaz, fundador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, que organizasse a nova instituição. Em paralelo, uma escola de medicina estava sendo planejada em Campinas, uma demanda da população local que datava do início dos anos 1940. A Faculdade de Medicina de Campinas foi criada pela lei em 1959, mas a sua real implementação nunca ocorreu.

A nova universidade foi criada por lei em 28 de dezembro de 1962, mas começou a funcionar efetivamente em 1966. Antes disso, apenas a Faculdade de Medicina funcionava. Em abril de 1963, o primeiro vestibular aconteceu, com 1.592 candidatos a concorrer por 50 vagas do curso de medicina. A primeira palestra na então recém-criada Universidade Estadual de Campinas aconteceu no dia 20 de maio do mesmo ano. Em 1965, a comissão organizadora da nova universidade começou a procurar um local para um novo campus.

Uma grande área que compreendia 110 hectares foi doada pela família Almeida Prado, localizada em um vale no distrito de Barão Geraldo, na cidade de Campinas, perto da interseção de várias rodovias. Até então, Barão Geraldo era um pequeno vilarejo rodeado por campos agrícolas, em particular de plantações de cana-de-açúcar. O desenvolvimento da universidade conduziu a uma mudança dramática no distrito, que resultou em bairros completamente novos, sendo zoneados, planejados e construídos geralmente pela mesma família, a Almeida Prado.

O trabalho no novo campus começou no dia 5 de outubro de 1966 e o primeiro edifício concluído foi o Instituto de Biologia, seguido por edifícios administrativos. No mesmo ano, Zeferino Vaz foi nomeado reitor. Em paralelo ao novo campus, novas unidades foram abertas em outros municípios, absorvendo as faculdades locais. A Faculdade de Odontologia de Piracicaba foi absorvida em 1967 e, em 1969, a Faculdade de Engenharia de Limeira.

1970-1990: Crescimento e crise

Nas duas décadas seguintes, a nova universidade expandiu-se rapidamente. O campus cresceu para 19 institutos e faculdades e, depois que Zeferino Vaz morreu em 1981, foi nomeado em homenagem a ele. Com a construção do campus concluída, a Faculdade de Ciências Médicas (antiga Faculdade de Medicina de Campinas) foi movida para o novo campus, e o seu hospital de ensino, o Hospital de Clínicas, tornou-se o maior hospital público da região, com mais de 300 mil consultas anuais.

Expansão no campus continuou, com novos edifícios, institutos e expansões sendo adicionados quase todos os anos. Mas até o final da década de 1970, a universidade enfrentou uma crise. Durante sua rápida expansão, ela invocou uma série de estatutos, a maioria emprestados da Universidade de São Paulo, e não tinha regulamentos internos formais. Com o envelhecimento Zeferino Vaz, que enquanto não era o reitor atuava como uma força moderadora entre as partes com interesses conflitantes, em especial entre os da comunidade acadêmica de esquerda e os nomeados pelo conservadora ditadura militar que governava o país.

Depois da morte de Zeferino, em 1981, houve um conflito entre o Coordenador Geral da universidade, indicado e apoiado pelo governo, e o Conselho Diretivo, composto por diretores de diferentes institutos. O reitor introduziu novas regras de redução do poder do Coordenador Geral. Como retaliação, o governo estadual removeu seis membros do Conselho Diretivo, substituindo-os por pessoas de Conselho de Educação Estadual que eram leais ao então governador, Paulo Maluf.

As tensões entre a comunidade acadêmica e os conselheiros nomeados pelo governo aumentaram, com o futuro Ministro da Educação, Paulo Renato Costa Souza, presidente da Faculdade de Associação, classificando o episódio como uma "intervenção branca". Depois da expulsão de várias líderes de institutos e membros da administração, os trabalhadores administrativos entraram em greve, com o apoio de alunos e professores. Com as atividades na universidade suspensas pela greve, o governador declarou uma intervenção formal na universidade em outubro de 1981.

Apesar da polícia ter apoiado a intervenção, a universidade continuou em greve. Os diretores nomeados dos institutos não conseguiram quebrar o impasse entre as forças internas e externas e, pelo início de 1982, discussões tiveram início para uma nova lista de candidatos à reitoria. Eventualmente, José Aristodemo Pinotti, ex-decano da faculdade de Ciências Médicas e geralmente considerado um moderado, foi selecionado pela comunidade acadêmica e aceito pelo governador. Na semana seguinte, no dia 19 de abril de 1982, a intervenção foi cancelada e atividades acadêmicas retomadas normalmente.

Após a crise, a Unicamp viu um período de renovação e reestruturação. Em 1983, o regimento interno foi reescrito, o que garantiu a autonomia da comunidade acadêmica, sendo que uma nova estrutura de gestão para o campus foi implementada. Em 1986, o recém-criado Conselho Universitário substitui Conselho Diretivo anterior como órgão supremo da universidade. Os últimos anos da década de 1980 viram uma reformulação do vestibular, a expansão dos laboratórios e a realização das primeiras unidades de moradia estudantil.

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