Ubaldo Matildo Fillol (San Miguel del Monte, 21 de julho de 1950) é um ex-futebolista argentino, considerado como um dos maiores goleiros na história da Argentina. Peça fundamental na conquista da Copa do Mundo de 1978 pelo seu país, tendo conquistado a posição de titular dois anos antes e mesmo assim foi considerado o melhor goleiro daquele Mundial.
Fillol atuou por muitos clubes argentinos, incluindo o Quilmes, clube que o projetou para o futebol, Racing, Argentinos Juniors e Vélez Sarsfield. Porém, foi jogando no River Plate, que Fillol viveu o período de maiores glórias em sua carreira.
Em janeiro de 1984, transferiu-se para o Flamengo, para ser o sucessor de Raul Plassmann. Em uma temporada marcada pela venda de Zico para a Udinese, teve papel importante no título da Taça Guanabara e na campanha semifinalista na Copa Libertadores daquele ano. Atuou pelo Flamengo em 71 partidas, e transferiu-se para o Atlético de Madrid em junho de 1985 após a diretoria rubro-negra negar autorização para viajar com a seleção argentina. Retroativamente, declarou ter se arrependido desta decisão por estar satisfeito com o Flamengo e por não ter se adaptado à vida na Espanha.
Encerrada sua carreira como jogador, passou a atuar como treinador de goleiros, tendo participado da comissão técnica do Racing e da Seleção Argentina.
Fillol defendeu a Seleção Argentina nas Copas do Mundo de 1974, 1978 e 1982. Nas duas últimas, a seleção argentina utilizou numeração por ordem alfabética, fazendo com que Fillol vestisse a camisa 5 na campanha campeã em 1978 e a 7 na seguinte.
Disputou sua última partida pela seleção em 30 de junho de 1985, em um empate em 2 a 2 contra o Peru pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1986. Naquele momento, Fillol havia disputado todas as partidas da competição, em que a Argentina havia se classificado na primeira colocação de seu grupo, e acreditava que estava garantido para disputar sua quarta Copa do Mundo. Em 2018, Fillol afirmou que considerou uma falta de respeito a não convocação pelo técnico Carlos Bilardo, e que esperava uma explicação para ter sido preterido em favor de Nery Pumpido, Luis Islas e Héctor Zelada na viria a conquistar o segundo título argentino.
Companheiro de seleção nas copas de 1978 e 1982, Diego Maradona afirmou diversas vezes que Fillol foi o melhor goleiro que já viu jogar. Em 2015, foi escolhido para integrar a seleção da América do Sul de todos os tempos. A enquete foi realizada com cronistas esportivos de todo o mundo.
Não concluiu a educação básica durante a infância e, aos 14 anos, trabalhava como garçom em sua cidade natal.
Em 1979, lançou um álbum de recitação, cujas faixas continham trechos de entrevistas e discursos direcionados aos jovens, com conselhos para a formação de goleiros profissionais. A faixa "Gracias Fillol" conta com a participação de um grupo de crianças, chamado "Coro Los Patitos".
Ditadura civil-militar argentina
Segundo Maradona, Fillol teria se recusado a cumprimentar Carlos Alberto Lacoste, militar responsável pela organização da Copa do Mundo FIFA de 1978, durante a premiação aos jogadores após a conquista do título inédito. Crítico do Processo de Reorganização Nacional, Fillol afirmou que sua renovação de contrato com o River Plate em 1979 teria sido influenciada por Lacoste, que, portando uma pistola, disse que poderia fazê-lo desaparecer caso não assinasse o contrato.
Em 2018, quarenta anos após o título mundial, Fillol pediu perdão às Mães da Praça de Maio por acreditar que a conquista teria sido utilizada como instrumento político para manutenção da Guerra Suja na Argentina, mas afirmou que os jogadores do elenco não agiam em favor do regime.
Campeonato Metropolitano: 1975, 1977, 1979
Campeonato Argentino: 1975, 1977, 1979, 1981
Torneio 4º Centenário da Cidade de Buenos Aires: 1980
1977 - Olimpia de Plata de Melhor Jogador Argentino do Ano