Uíge é uma cidade e município, capital da província do Uíge. É a localidade mais populosa da província, o centro econômico regional, além de ser a melhor dotada de infraestruturas.
Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 581 835 habitantes e área territorial de 2 500 km², sendo o município mais populoso da província.
O nome do município deriva da primitiva localidade do Uíge, onde em 1917, oficialmente a 1 de julho, foi fundado um posto militar, de modo a fomentar o assentamento populacional na região, por ordem do capitão-mor do Bembe, Manuel Joaquim Pereira , que viria a ser a sede da circunscrição do Bembe a partir de 1923 e posteriormente sede do concelho do mesmo nome.
Há várias explicações para o nome Uíge, que comporta também as grafias Uíje (língua portuguesa arcaica) e Wizi (língua congo), onde a principal vertente diz vir de uma expressão da língua congo "wizidi", que significa "chegada", em alusão aos primeiros portugueses que se fixaram na região. Outra vertente correlaciona o nome ao rio Uíge.
Na época colonial, a cidade detinha o nome de "Carmona", dado em 1955 como homenagem ao ditador do Estado Novo Português Óscar Carmona, falecido aos 18 de abril de 1951 A cidade manteve este nome até à independência de Angola em 1975. Nessa altura, o nome "Carmona" foi substituído por "Uíge", seu nome inicial.
Não há registros históricos de aldeamentos no local onde atualmente encontra-se a cidade do Uíge antes da expedição lusitana feita pelo alferes Júlio Tomáz Berberan, entre 1916 e 1917. O registro existe a partir da própria expedição, que encontrou um povoado na área.
A iniciativa de formação de uma localidade na região da cidade do Uíge partiu do governador colonial Massano de Amorim. O governador comissionou, em 1916, o alferes Tomás Berberan a ir ao soba Banzo, do povoado do Candombe (atualmente bairro do Candombe Velho), com o intuito de solicitar formalmente a instalação de um posto militar ali. O soba Banzo achou boa a proposta, visto a promessa de aumento do comércio na área, autorizando a construção de um posto militar avançado.
Tomás Berberan procurou informar o parecer favorável do soba ao governador Massano de Amorim, que por determinação da portaria nº 60, de 6 de abril de 1917 formalizou a construção do posto militar local onde se encontrava o antigo povoado do Candombe e hoje é a cidade do Uíge. Em 1923, o posto passou a sede da circunscrição e, mais tarde, ao de conselho do Bembe.
Em 1946 o governo colonial decide transferir a capital do distrito do Congo (atual província do Uíge) da cidade de Maquela do Zombo para a ainda denominada vila do Uíge.
Em 1955, a até então vila do Uíge passou a designar-se vila Marechal Carmona, em homenagem ao ditador do Estado Novo Português Óscar Carmona, e; em 1955 é finalmente elevada à categoria de cidade, mais apropriada a sedes de distritos.
A 30 de maio de 1962 a cidade de Carmona foi feita Comendadora da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito (ComTE).
Entre as décadas de 1950 e 1970, devido à grande riqueza que o café proporcionou, Uíge era uma cidade com muitos equipamento públicos que outras cidades não dispunham. Tinha um aeroporto, um aeroclube, uma piscina, um colégio, uma escola técnica, uma agência do Banco de Angola, a Rádio Clube do Uíge, o Grande Hotel do Uíge, o Clube Recreativo do Uíge, um Hospital e todos os serviços públicos. No entanto, havia uma clara segregação e desigualdade de acesso, com as populações brancas sendo as que tinham condições e recursos para utilizar tais infraestruturas, com as populações negras ficando segregadas às periferias empobrecidas.
De 1961 até o ano de 1976, com a ascenção do nacionalismo em função das enormes disparidades socieconômicas locais, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) disputavam o controle das redondezas cidade com as tropas portuguesas, com a FNLA conseguindo mais sucesso nos primeiros anos, justamente durante os ataques ao norte de Angola em 1961, sem, contudo, tomar efetivamente a cidade. Portugal conseguiu retomar e garantir a região circundante de Uíge graças à sua rede de bases militares e a geografia desafiadora da província. Em função da desproporcionalidade dos ataques da FNLA em 1961, e da forte presença militar portuguesa, a partir desta data o MPLA manteve um forte apelo de mobilização política-popular entre as populações negras da cidade, no intuito de compensar sua dificuldade de operar militarmente na região.
A iminência do Acordo do Alvor fez os movimentos partirem para guerra total, fazendo com que ocorressem embates fratricidas, o início da Guerra Civil Angolana (1975-2002). Em fevereiro de 1975, com extenso apoio da República do Zaire, Uíge caiu sob domínio da FNLA. A FNLA e as tropas estrangeiras foram expulsas pelas tropas do novo Estado angolano no final de 1975, com a cidade permenecendo sob relativa calmaria durante o final da década de 1970 e durante toda a de 1980. A conquista pelo Estado angolano também permitiu a cidade recuperar o nome de Uíge, e livrar-se do nome colonial.
O relaxamento militar para a realização das eleições de 1992 foi aproveitado pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) para tomar Uíge, com a localidade sendo uma das mais castigadas pelas ações unitenses, tendo suas casas destruídas e suas infraestruturas e economia seriamente abaladas desde então. Enormes batalhas aconteceram entre 1993 e 1994, com o governo angolano conseguindo retomar a cidade.
A reforma administrativa-territorial de 2024 reorganizou o município do Uíge, criando as vilas-comunas de Luanga, Casseche e Cancungo.
A população do município do Uíge é composta por uma fração etnolinguística de relativa maioria de congos, em especial de subgrupos zombos. A despeito dessa relativa maioria de congos-zombos, existem populações de ambundos, chócues, ovimbundos, além de estrangeiros quinxassa-congoleses. Por outro lado, os casamentos interculturais compõem uma massa grande de miscigenados angolanos.
O município é constituído pela comuna-sede, equivalente à cidade do Uíge, e ainda pelas comunas de Luanga, Casseche e Cancungo. Já a cidade do Uíge está dividia em muitos bairros; esses bairros, por sua vez, são organizados em zonas, a saber: