Tyrone Edmund Power III (Cincinnati, 5 de maio de 1914 – Madrid, 15 de novembro de 1958), creditado geralmente sob o nome Tyrone Power e conhecido, algumas vezes, como "Ty Power", foi um ator de cinema e de teatro estadunidense, que atuou em diversos filmes entre os anos 30 e 50, em papéis de capa-e-espada ou personagens românticos, como em The Mark of Zorro, Blood and Sand, The Black Swan, Prince of Foxes, The Black Rose, e Captain from Castile.
Nos anos 50, Power limitou seus papéis no cinema, para dedicar algum tempo ao teatro. Sua grande chance teatral surgiu com John Brown's Body (poema) e com a peça Mister Roberts. Power morreu de um infarto agudo do miocárdio, aos 44 anos.
Nascido em Cincinnati, Ohio, em 1914, foi o único filho do ator de cinema e teatro estadunidense (nascido inglês) Tyrone Power, Sr., e Helen Emma "Patia" Reaume. Power era descendente de uma longa linhagem de atores de teatro, entre eles seu bisavô, o ator e comediante irlandês Tyrone Power (1795-1841). Tinha sangue francês por parte de seus pais, que descendiam de católicos franceses do Canadá por parte da família Reaume, de sua mãe, e de protestantes huguenotes, por parte de sua avó paterna Lavenu e Blossett. Por parte de sua bisavó paterna, Anne Gilbert, Power era aparentado com o ator Laurence Olivier; por parte de sua avó paterna, a atriz Ethel Lavenu, era aparentado com o escritor Evelyn Waugh, e por parte do primo de seu pai, Norah Emily Gorman Power, era aparentado com o diretor de teatro Sir William Tyrone Guthrie, fundador do Stratford Theatre, no Canadá e do Tyrone Guthrie Theatre, em Minneapolis, Minnesota.
Durante seu primeiro ano de vida, Tyrone viveu em Cincinnati. Seu pai ficava ausente por longos períodos, devido à temporada de teatro em Nova Iorque. Era uma criança doentia, e o médico sugeriu à sua família que o clima da Califórnia poderia lhe fazer bem; a família mudou-se para lá em 1915, e a irmã de Tyrone, Anne, nasceu na Califórnia em 26 de agosto de 1915. Seus pais aturaram juntos no teatro e, em 1917, realizaram o filme The Planter. Tyrone Power, Sr., que mais tarde se tornou conhecido, acabou indo, devido a sua carreira, para Nova Iorque; os Powers se divorciaram por volta de 1920.
Após o divórcio, Patia Power trabalhou como atriz de teatro. Em 1921, aos 7 anos, o jovem Tyrone apareceu ao lado de sua mãe em La Golondrina, em São Gabriel, Califórnia. Alguns anos mais tarde, a família voltou para Cincinnati, ao lado da tia de Patia, Helen Schuster Martin, fundadora da Schuster-Martin School of Drama. Power cresceu ao lado de seus dois primos, Roberta e William [Bill], e da tia de sua mãe, Helen; estudou na escola católica de Cincinnati e se graduou na Purcell Marian High School, em 1931.
Tyrone Power associou-se a seu pai no verão de 1931, após terem ficado algum tempo separados devido ao divórcio. Seu pai teve um infarto agudo do miocárdio em dezembro de 1931, morrendo nos braços do filho, enquanto preparava a performance para The Miracle Man. Tyrone Power, Jr., qual ele era então conhecido, decidiu continuar na carreira artística. Ele foi de porta em porta, em busca de um trabalho como ator, mas não conseguiu; em 1932, apareceu em uma ponta em Tom Brown of Culver, um filme estrelado por Tom Brown e foi extra no filme Flirtation Walk. Frustrado, ele aceitou o conselho de um amigo, Arthur Caesar, e partiu para Nova Iorque em busca de experiência teatral.
Durante sua viagem a Nova Iorque, parou em Chicago, onde seu amigo, Don Ameche, convenceu-o a trabalhar um tempo no rádio; percebendo que não tinha habilidade para tal atividade, Power partiu novamente para Nova Iorque, onde conheceu Katharine Cornell, a grande atriz de teatro, que o indicou para substituir Burgess Meredith na peça Flowers of the Forest. Posteriormente, Cornell o colocou no papel de Benvolio em Romeu e Juliet. Nessa época, Hollywood o observou, oferecendo-lhe um teste para o cinema. Katharine Cornell o aconselhou a não ir para Hollywood sem antes ter alguma experiência teatral, e Tyrone Power aceitou o conselho. Cornell deu a ele um papel substancial em sua próxima peça, St. Joan. Novamente Hollywood se interessou e lhe ofereceu o teste. Cornell lhe disse que agora estava “pronto”.
Tyrone Power foi para Hollywood em 1936, e assinou contrato com a 20th Century-Fox. No entanto, não foi reconhecido seu talento por algum tempo, e teve uma falsa esperança quando foi escalado para Sing Baby Sing, a pedido de Alice Faye, uma estrela do estúdio. O diretor, Sidney Lanfield, não reconheceu seu potencial e o tirou do elenco do filme, alegando que ele nunca se tornaria um ator. Faye interveio novamente, e convenceu o estúdio a lhe dar uma chance. Conseguiu um pequeno papel em Girls' Dormitory, e nesse filme conquistou várias fãs, entre elas Hedda Hopper. Posteriormente, Power fez um papel maior em Ladies in Love, que estrelava Janet Gaynor, Constance Bennett e Loretta Young. Ao perceber que a 20th Century-Fox não o considerava entre suas opções, Tyrone Power foi ao escritório do diretor, Henry King, para lhe perguntar sobre a possibilidade de um papel de destaque. King ficou impressionado com ele e insistiu para que fizesse um teste para Lloyd's of London, um papel que já era de Don Ameche. A despeito das reservas de Darryl F. Zanuck, foi decidido dar a Power o papel no filme, o qual era dirigido por Henry King, e a editora da Fox, Barbara McLean, convenceu-o de que Power tinha mais presença em cena do que Don Ameche. Ele foi para a estréia do filme como um desconhecido, e saiu como uma estrela, iniciando aí seu sucesso cinematográfico.
Tyrone Power esteve em evidência de 1936 até 1943, quando sua carreira foi interrompida para o serviço militar. Nessa época, estrelou comédias românticas:Thin Ice e Day-Time Wife; dramas: Suez, Blood and Sand, Son of Fury: The Story of Benjamin Blake,The Rains Came e In Old Chicago; musicais: Alexander's Ragtime Band, Second Fiddle e Rose of Washington Square; western: Jesse James (1939) e Brigham Young; filmes de Guerra: Yank in the R.A.F. e This Above All; capa-e-espada: The Mark of Zorro e The Black Swan. Jesse James foi um grande sucesso, mas recebeu muitas críticas pela glamurização do famoso fora-da-lei. O filme foi feito em torno de Pineville, Missouri, e foi o primeiro filme Technicolor de Power. Em sua carreira, fez 16 filmes em cores, incluindo o que estava fazendo quando morreu. Foi emprestado uma vez, para a MGM, para fazer Marie Antoinette. Zanuck ficou irritado porque a MGM usou a maior estrela da Fox em um papel secundário, e nunca mais o emprestou. Power foi aventado para o papel de Ashley Wilkes em Gone with the Wind, Joe Bonaparte em Golden Boy, Paris em King's Row; além disso, Harry Cohn o convidou para diversos filmes; e esteve nos planos de Norma Shearer para a produção de The Love of the Last Tycoon.
Power foi considerado a segunda maior bilheteria de 1939, só superado por Mickey Rooney.
Em 1940, a carreira de Tyrone Power tomou uma direção dramática, quando o filme The Mark of Zorro foi realizado. Power fez o papel de Don Diego Vega, durante o dia, e de Zorro, durante a noite. O papel fora feito, anteriormente, por Douglas Fairbanks, em 1920, num filme com o mesmo título. A atuação de Power foi excelente, e a 20th Century Fox colocou-o no elenco em filmes de capa-e-espada nos anos seguintes. Power foi um excelente espadachim, e a cena do duelo em The Mark of Zorro é considerada uma das melhores da história do cinema. O grande espadachim de Hollywood, Basil Rathbone, que atuou com ele em The Mark of Zorro, comentou: "Power was the most agile man with a sword I’ve ever faced before a camera. Tyrone could have fenced Errol Flynn into a cocked hat".
A despeito de se manter ativo no cinema fazendo filmes para a 20th Century-Fox, Tyrone Power dedicou um tempo ao rádio e ao teatro. Ele atuou com sua esposa, Annabella, em diversos programas de rádio, incluindo as peças Blood and Sand, The Rage of Manhattan e Seventh Heaven; também atuou com ela na peça Liliom, em Country Playhouse, Westport, Connecticut, em 1941. Trabalhou também ao lado de Humphrey Bogart, Jeanne Crain, Loretta Young, Alice Faye e Al Jolson.