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O trigo (Triticum spp.) é a gramínea cultivada em todo o mundo. Mundialmente, é a segunda maior cultura de cereais, sendo a primeira o milho e a terceira o arroz. O grão de trigo é um alimento básico usado para fazer farinha e, com esta, o pão, na alimentação dos animais domésticos e como ingrediente na fabricação de cerveja. O trigo é também plantado estritamente como forragem para animais domésticos, como a palha.

O trigo foi primeiramente cultivado no Crescente Fértil, no Médio Oriente. Os arqueólogos demonstraram que o cultivo do trigo é originário da Síria, Jordânia, Turquia e Iraque. Há cerca de 10 000 anos, uma mutação ou hibridização ocorreu, resultando em uma planta com sementes grandes, porém que não podiam espalhar-se pelo vento. Esta planta não poderia vingar como silvestre, porém, poderia produzir mais comida para os humanos e, de fato, ela teve maior sucesso que outras plantas com sementes menores e tornou-se o ancestral do trigo moderno. O joio é uma espécie morfologicamente muito parecida com o trigo, que crescendo nas zonas cerealíferas, é considerada uma erva daninha desse cultivo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo", sendo esta semelhança usada na Parábola do Trigo e do Joio. A espécie tem distribuição cosmopolita estando presente em todas as regiões temperadas e subtropicais. Contudo após maduro o joio é fácil identificar e arrancar, diferenciando assim o trigo do joio.

Triticultura é o nome dado para o cultivo de trigo.

Em 2003, o consumo mundial per capita de trigo foi de 67 kg, com o maior consumo per capita (239 kg) encontrada no Quirguistão. Em 1997, o consumo global de trigo foi de 101 kg per capita, com maior consumo (623 kg per capita) na Dinamarca, mas a maior parte deste (81%) foi para a alimentação animal. O trigo é o alimento básico primário no norte da África e do Oriente Médio, e está crescendo em popularidade na Ásia. Ao contrário do arroz, a produção de trigo é mais difundido globalmente embora a participação da China é quase um sexto do mundo.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor do Brasil de trigo, com 2,3 milhões de toneladas em 2019. O Paraná é o 2º maior produtor, com uma produção quase idêntica ao Rio Grande do Sul. Em 2019, os 2 estados colheram juntos cerca de 85% da safra do Brasil, mas mesmo assim, o país é um dos maiores importadores globais do cereal, tendo importado cerca 7 milhões de toneladas neste ano, para atender a um consumo de 12 milhões de toneladas. A maior parte do trigo que o Brasil importa vem da Argentina.

Na colheita do ano 2002, a produção internacional do trigo totalizou 563,2 milhões toneladas e os países que mais produziram trigo foram: China com 89 milhões de toneladas, Índia com 71,5 milhões de toneladas, Ucrânia com 50,6 milhões de toneladas, Estados Unidos com 44 milhões de toneladas, França com 39 milhões de toneladas.

Trigo comum - (T. aestivum) Uma espécie hexaploide que é a mais cultivada no mundo.

Triticum monococcum - Uma espécie diploide com variedades selvagens e domesticadas. Foi uma das primeiras espécies cultivadas, mas raramente utilizada atualmente.

Farro - (T. turgidum var. dicoccum) Uma espécie tetraploide com variedades selvagens e domesticadas. Cultivada em tempos antigos, mas pouco atualmente. É de farro que vem a palavra farinha.

Trigo duro - (T. turgidum var. durum) A única variedade tetraploide largamente usada hoje.

Kamut® - (T. turgidum var. polonicum) Uma variedade tetraploide cultivada em pequenas quantidades, mas extensivamente comercializada. Originária do Médio Oriente

Espelta - (T. spelta) Outra espécie hexaploide cultivada em pequenas quantidades.

Variedades tradicionais em Portugal

Tradicionalmente as espécies de trigo mais plantadas no território português antes do advento da agricultura industrial eram cinco: barbela, massaruco, o preto-amarelo, o angelino e o raspe-negro.

Os cultivares de trigo são classificados segundo a estação do ano em que crescem (trigo de inverno ou trigo da primavera) e pelo conteúdo em glúten (trigo duro elevado conteúdo em glúten) ou trigo macio (elevado conteúdo em amido).

As decisões quanto ao manejo da cultura necessitam de conhecimento do estágio de desenvolvimento da plantação. Em especial, as aplicações de fertilizantes, fungicidas e reguladores de crescimento são feitas em estágios específicos de crescimento da planta.

Por exemplo, as recomendações (americanas) atuais geralmente indicam que a segunda aplicação de nitrogênio deve ser feita quando a espiga (não visível nesta época) está com aproximadamente 1 cm de tamanho (Z31 na escala Zadok). O conhecimento dos estágios também é utilizado para identificar os períodos de maior risco para a planta quanto ao clima. Por exemplo, o estágio de meiose é extremamente suscetível a baixas temperaturas (abaixo de 4 °C) ou altas temperaturas (acima de 25 °C). Os produtores ainda se beneficiam sabendo que quando a folha bandeira (última folha) aparece ela representa cerca de 75% das reações de fotossíntese durante o período de enchimento dos grãos e, por isso, ela deve ser mantida livre de doenças ou ataque de insetos para garantir uma boa colheita.

Existem muitos sistemas para identificar os estágios da planta, sendo as escalas Feekes e Zadoks as mais utilizadas nos Estados Unidos. Cada escala é um sistema padrão que descreve estágios sucessivos atingidos pela planta durante a época de cultivo.

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