O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (formalmente Tratado entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas sobre a Eliminação dos seus Mísseis de Alcance Intermediário e de Menor Alcance), também conhecido como Tratado INF (do inglês: Intermediate-Range Nuclear Forces) foi um tratado internacional sobre controle de armas nucleares entre os Estados Unidos e a União Soviética assinado na cidade de Washington, D.C., em 8 de dezembro de 1987. Firmaram o tratado pelos EUA o então presidente estadunidense, Ronald Reagan, e, pela URSS, o então secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev. Ratificado pelo Congresso dos Estados Unidos em 27 de Maio do ano seguinte, o mesmo entrou em vigor em 1 de Junho de 1988.
O acordo previa a eliminação dos mísseis balísticos e de cruzeiro, nucleares ou convencionais, cujo alcance estivesse entre 500 e 1 000 km (para os mísseis balísticos de curto alcance) e 1 000 a 5 500 km (para os mísseis balísticos de médio alcance e para mísseis balísticos de alcance intermediário). O tratado não se aplicava a mísseis lançados por via aérea ou marinha. Até a data-limite de 1 de Junho de 1991, prevista no tratado, 2 692 mísseis foram destruídos — 846 por parte dos Estados Unidos e 1 846 por parte da União Soviética. O acordo permitia a qualquer das partes inspecionar as instalações militares da outra.
Contudo, em 20 de outubro de 2018 os Estados Unidos anunciaram sua retirada do tratado. Segundo o presidente americano Donald Trump, os russos já estavam violando os termos do acordo há muitos anos. Esta decisão foi confirmada em 1 de fevereiro de 2019, quando os EUA, seguidos pela Rússia, decidiram suspender o tratado por 6 meses. Em 4 de março, o presidente russo Vladimir Putin, em um ato de retaliação, suspendeu oficialmente a participação do país no tratado. Os EUA retiraram-se formalmente do tratado em 2 de agosto de 2019.
Em março de 1976, a União Soviética implantou pela primeira vez o RSD-10 Pioneer (também conhecido como SS-20 Saber) em seus territórios europeus, um míssil balístico de alcance intermediário móvel (IRBM) com um Míssil de Reentrada Múltipla Independentemente Direcionada (MIRV), contendo três ogivas nucleares de 150 quilotoneladas. Seu alcance de 4 700 a 5 000 quilômetros era grande o suficiente para alcançar a Europa Ocidental de dentro do então território soviético; seu alcance estava logo abaixo da faixa mínima do SALT-II para ser considerado um míssil balístico intercontinental, de 5 500 km. O SS-20 substituiu os antigos sistemas de mísseis soviéticos, entre eles o SS-4 Sandal (também conhecido como R-12 Dvina) e o SS-5 Skean (também conhecido como R-14 Chusovaya), estes representavam um ameaça limitada a Europa Ocidental devido a sua baixa precisão, carga útil limitada (uma ogiva), tempo de preparação longo, grande dificuldade em esconde-lo e imobilidade (expondo-os assim a um ataque surpresa preventivo da OTAN, provavelmente seguido por um ataque planejado). Enquanto o SS-4 Sandal e o SS-5 Skean eram vistos como armas defensivas, o SS-20 Sabre era visto como um sistema potencialmente ofensivo, principalmente no caso de uma guerra nuclear entre a OTAN e a URSS.
Os EUA, na época sob o comando do presidente Jimmy Carter, inicialmente consideraram suas armas nucleares estratégicas e aeronaves com capacidade nuclear como forças de combate adequadas contra o SS-20, também as consideravam como um impedimento suficiente no caso de uma agressão soviética. No entanto, em 1977, o então chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Schmidt, argumentou em discurso que uma resposta ocidental à implantação do SS-20 deveria ser explorada, um apelo apoiado pela OTAN, dada a uma visível desvantagem da Europa Ocidental em comparação com a URSS no quesito de forças nucleares. Leslie H. Gelb, então Secretária de Estado Adjunta dos Estados Unidos, relatou depois que o discurso de Schmidt pressionou os EUA a desenvolver uma resposta a ofensiva da União Soviética.
Em 12 de dezembro de 1979, devido a pressão europeia por uma resposta ao SS-20, os ministros do exterior e da defesa de países da OTAN reunidos em Bruxelas tomaram a "decisão de via dupla". Os ministros argumentaram que o Pacto de Varsóvia havia "desenvolvido uma grande e crescente capacidade em sistemas nucleares que ameaçam diretamente a Europa Ocidental": sistemas nucleares "teatrais" (isto é, armas nucleares táticas). Ao descrever essa situação "agravada", os ministros fizeram referência direta ao SS-20 ao dizer que este apresentava "melhorias significativas em relação aos sistemas anteriores, proporcionando maior precisão, maior mobilidade e maior autonomia, além de possuir múltiplas ogivas". Os ministros também atribuíram a situação incomum ao bombardeiro estratégico soviético Tupolev Tu-22M, que eles acreditavam exibir "desempenho muito maior" do que seus antecessores. Além disso, os ministros expressaram preocupação com o fato da União Soviética ter ganhado uma vantagem sobre a OTAN nas "Forças Nucleares de Uso Tático de Longo Alcance" (LRTNF), e também aumentou significativamente a capacidade nuclear de curto alcance.
Para abordar sua estratégia de defesa, os ministros adotaram dois "caminhos" político-militares. Mil ogivas nucleares, de 7 400 ogivas, seriam retiradas da Europa Ocidental, enquanto isso, os Estados Unidos seguiriam suas negociações bilaterais com a União Soviética para limitar suas armas nucleares de uso tático. Caso essas negociações fracassem, a OTAN modernizaria suas próprias LRTNF ou suas Forças Nucleares de Alcance Intermediário, substituindo o MGM-31 Pershing dos EUA por 108 lançadores Pershing II na Alemanha Ocidental e implantando 464 mísseis de cruzeiro MGM-13 Mace na Bélgica, Itália, Países Baixos e Reino Unido a partir de dezembro de 1983.
Negociações iniciais: 1981-1983
A União Soviética e os Estados Unidos concordaram em abrir negociações e discussões preliminares, denominadas Conversações Preliminares de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, que começaram em Genebra, na Suíça, em outubro de 1980. Em 20 de janeiro de 1981, Ronald Reagan assumiu o cargo de presidente americano após derrotar Jimmy Carter na eleição presidencial de 1980. As negociações formais começaram em 30 de novembro de 1981, com os EUA liderados por Ronald Reagan e a União Soviética por Leonid Brejnev. O cerne da posição de negociação dos EUA refletia os princípios apresentados por Carter: quaisquer limites impostos às capacidades nucleares dos EUA, tanto em termos de "limites máximos" quanto de "direitos", devem ser correspondidos aos limites dos sistemas soviéticos, além disso, os Estados Unidos insistiram na existência de um regime de verificação suficiente em ambos países.
Paul Nitze, que trabalhava há tempos na política de defesa americana e participava das Conversações sobre Limites para Armas Estratégicas (SALT), liderou a delegação dos EUA após ser recrutado pelo Secretário de Estado Alexander Haig. Embora Nitze tenha apoiado o primeiro tratado SALT, ele se opôs ao SALT II e renunciou à delegação dos EUA durante sua negociação. Nitze também era membro do Comitê sobre o Perigo Atual, um grupo firmemente anti-soviético composto por neoconservadores e republicanos conservadores. Yuli Kvitsinsky, o respeitado funcionário de segundo escalão da embaixada soviética na Alemanha Ocidental, chefiou a delegação soviética.
Em 18 de novembro de 1981, pouco antes do início das negociações formais, Reagan fez a proposta de "Opção Zero". O plano previa a suspensão da implantação pelos EUA dos mísseis BGM-109G e Pershing II, correspondido pela eliminação soviética de seus mísseis SS-4, SS-5 e SS-20. Parecia haver poucas chances de a Opção Zero ser adotada, mas o gesto foi bem recebido pelo público europeu. Em fevereiro de 1982, os negociadores americanos apresentaram um projeto de tratado contendo a Opção Zero e uma proibição global de mísseis de médio e curto alcance, com conformidade garantida por meio de um programa de verificação rigoroso, embora inespecífico.