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Trancoso

Município de Portugal

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Trancoso é uma cidade portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, e integrando atualmente a região do Centro (Região das Beiras) e sub-região da Beira Interior Norte, que fez parte da província histórica da Beira Alta, com 2 575 habitantes (2021), e situada num planalto em que o ponto mais alto tem 939 m de altitude.

É sede do Município de Trancoso com 361,52 km² de área e 9 878 habitantes (2011), subdividido em 21 freguesias. O município é limitado a norte pelo município de Penedono, a nordeste por Mêda, a leste por Pinhel, a sul por Celorico da Beira, a sudoeste por Fornos de Algodres, a oeste por Aguiar da Beira e a noroeste por Sernancelhe.

Trancoso é um dos poucos municípios de Portugal territorialmente descontínuos, estando uma das suas freguesias (Guilheiro) separada do resto do município por uma estreita faixa de território pertencente à freguesia de Arnas, do município de Sernancelhe; uma vez que este último município pertence ao distrito de Viseu, isto torna territorialmente descontínuo o distrito da Guarda (existência de um exclave), criando um enclave no interior do distrito de Viseu, casos únicos em Portugal.

Aldeia de Santo Inácio (São Pedro)

Ribeira do Freixo (Vale do Seixo)

Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.

De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.

A origem do nome "Trancoso" motiva hoje em dia a especulação e a imaginação. Existem pelo menos duas explicações, ambas de pendor mitológico. Tais explicações, contudo, poderão não ser tão fantasiosas como à partida seríamos levados a pensar. Uma destas explicações refere que o nome deriva de "troncoso", ou seja, o nome ficaria a dever-se ao facto de existirem árvores de grande porte na região em que a cidade foi fundada. De facto, Artur Taborda de Morais, no estudo "As árvores notáveis de Portugal", descreve individualmente o "Castanheiro do Campo — Castanea sativa Mili" e o "Freixo Grande de Trancoso — Fraxinus oxicarpa Willd". O segundo, que foi considerado por Charles Joly (1818–1902), em 1893, uma das maiores árvores da Europa, já não existe, mas ainda hoje é possível observar árvores impressionantes como a "Tília Grande de Trancoso". Outra explicação, que específica concretamente um ato de fundação, um pouco à semelhança de Roma (cf. Fundação de Roma), refere que a cidade terá sido fundada por um emissário vindo do Egito ou da Etiópia. O nome do emissário seria Awseya Tarakos, que mais tarde viria a ser rei da Etiópia, da dinastia salomónica. Existem, também, outras cidades europeias cujos nomes têm algumas semelhanças com Trancoso, podendo haver alguma relação entre eles (Tarragona, Tarascon, etc.). Em Portugal, atualmente, é possível encontrar a designação Trancoso para outras localidades e lugares. Existe, ainda, um rio no norte de Portugal, afluente do rio Minho, que tem esse nome.

Com os seus numerosos monumentos, da arquitetura civil, religiosa e militar constitui um dos mais expressivos e belos centros históricos do país, visitado anualmente por muitos milhares de pessoas. Estes monumentos distribuem-se um pouco por todo o município.

Na arquitetura religiosa, destacam-se na sede de município as igrejas paroquiais de Santa Maria e de São Pedro e a igreja da Misericórdia. Na arquitetura civil, encontramos a Casa dos Arcos, do século XVI, a Casa do Gato Preto (um curioso edifício do antigo bairro judaico), e o Pelourinho, bela peça do mais puro estilo manuelino.

Nesta cidade nasceram também o profeta e sapateiro António Gonçalves Annes Bandarra e o Padre Francisco Costa.

A cidade de Trancoso, devido à sua localização, entre os rios Douro, Côa e Mondego, faz parte de um conjunto de fortalezas situadas junto da serra da Estrela e da fronteira com Espanha. A sua localização privilegiada constitui um importante ponto de observação por sobre algumas das principais vias romanas que cruzam a região, nomeadamente aquela que fazia a ligação entre Braga e Mérida. Em todo o caso, este é um assunto até agora pouco aprofundado, tanto mais que, numa época mais próxima de nós, até mesmo o estudo das vias de comunicação existentes no Portugal da Idade Média se encontra ainda numa fase embrionária.

Assim, dada a sua localização, compreende-se a importância que esta cidade já tinha antes da fundação de Portugal. Durante a Reconquista trata-se de umas das praças fortes que mais disputa suscitou. Luís de Camões refere que a conquista de Beja, por D. Afonso Henriques, correspondeu a uma espécie de vingança pelo facto de Trancoso ter sido destruída ("Já na cidade Beja vai tomar / Vingança de Trancoso destruída").

Não muito longe da cidade, encontra-se um importante sítio arqueológico considerado Património Mundial: sítios de arte rupestre do Vale do Côa. Desse modo, somos levados a pensar que toda esta região é habitada desde tempos imemoriais.

A vila de Trancoso foi saqueada por Almançor em 981. Já em 1140, Trancoso foi palco de uma nova contenda entre D. Afonso Henriques e Esmar, derrotado na Batalha de Ourique no ano anterior.

Trancoso encontra-se hoje rodeada de muralhas, da época dionisiana, com um belo castelo, também medieval, a coroar esse majestoso conjunto fortificado.

Aqui se travaram importantes batalhas, entre as quais a de Trancoso, em 1385, num planalto a poucos quilómetros do centro histórico, que impôs pesada derrota às tropas invasoras e que antecipou o resultado da batalha de Aljubarrota.

Trancoso foi elevada a cidade em 9 de dezembro de 2004.

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