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Tori Amos

Cantora, compositora e pianista norte-americana

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Tori Amos (Newton, 22 de agosto de 1963), pseudônimo de Myra Ellen Amos, é uma cantora, compositora e pianista norte-americana. Amos esteve à frente de um grupo de cantoras e compositoras no começo da década de 1990, sendo digna de nota, no começo da sua carreira, como uma das poucas cantoras e intérpretes pop que usam o piano como instrumento principal.

É conhecida por suas músicas emocionalmente intensas, que tratam de uma variedade de assuntos, incluindo sexualidade, religião e tragédia pessoal. Alguns dos seus singles mais bem-sucedidos nos charts incluem “Crucify”, “Silent All These Years”, “Cornflake Girl”, “Caught a Lite Sneeze”, “Professional Widow”, “Spark” e “A Sorta Fairytale”.

É casada com Mark Hawley e juntos o casal têm uma filha, Natashya "Tash" Lórien Hawley, nascida em 5 de setembro de 2000.

Tendo um histórico de comentários excêntricos em shows e entrevistas, ganhou a fama de ser altamente idiossincrática. Como crítica social, e algumas vezes ativista, alguns dos tópicos que mais aborda incluem feminismo, religião e sexualidade. Amos vendeu mais de 20 milhões de discos ao redor do mundo até 2019.

Amos é a terceira filha do Reverendo Dr. Edison e de Mary Ellen Amos, nascida no Hospital Old Catawba, em Newton, Carolina do Norte, durante uma viagem que sua família fazia para Georgetown. Seus avós maternos são de ascendência mista europeia e cherokee oriental; seu avô, Calvin Clinton Copeland, teve uma importância particular em sua infância, sendo um guia e uma grande fonte de inspiração e oferecendo uma alternativa espiritual mais variada do que o Cristianismo estrito e tradicional do seu pai e avó paterna. Aos 2 anos, Amos e sua família mudaram-se para Baltimore, Maryland, onde ela começou a tocar piano. Aos 5 anos, já compunha aos pedaços, e aos nove começou a acrescentar versos a esses pedaços.

Em 1968, enquanto vivia em Rockville, Maryland, entrou para o Peabody Conservatory of Music, em regime de internato. Não havia concluído o curso, aos 11 anos, quando foi expulsa. Amos declarou que perdeu o curso por conta do seu interesse em rock e música pop, aliado ao fato de não gostar de partituras. Dois anos depois, começou a estudar no Montgomery College, já tocando em piano bars, apoiada pelo pai, que mandava fitas a gravadoras, com músicas compostas pela filha.

Virou notícia local ao vencer um concurso de jovens talentos em 1977, cantando a música “More Than Just a Friend”. Como veterana do Richard Montgomery High School, coescreveu “Baltimore”, com seu irmão, Mike Amos, para uma competição envolvendo os Baltimore Orioles. A música venceu o concurso e se tornou seu primeiro single, relançado em 1980 como single de 7”, apenas para a família e os amigos, contendo outra composição de Amos como b-side, “Walking With You”. Por volta desse período, ela se apresentou com seu nome do meio, Ellen, mas adotou permanentemente Tori depois da indicação do namorado de uma amiga.

Aos 21, Tori se mudou para Los Angeles para seguir com sua carreira musical, depois de vários anos se apresentando no circuito de piano bar da Costa Leste. Lá, se revirou para gerenciar vários trabalhos, incluindo um comercial de cereal Kellog’s. Em 1985, depois de tocar em um bar à noite, deu carona para um cliente regular do estabelecimento, que a violentou. Uma experiência que seria posteriormente revisitada na música “Me and a Gun”.

Nesse mesmo ano, Amos formou uma banda, Y Kant Tori Read, cujo nome é uma referência aos tempos do Conservatório, onde ela era capaz de tocar músicas no piano simplesmente depois de ouvi-las, mas não conseguia usar partituras. Além de Amos, o grupo era formado por Steve Caton (que depois tocaria guitarra nos seus álbuns), o baterista Matt Sorum, o baixista Brad Cobb, e, por um curto período, o tecladista Jim Tauber. Um ano depois, Tori assinou um contrato de seis discos com a Atlantic Records. Em 1987, apareceu na novela de tribunal “Trial by Jury”, como uma ré. Em julho de 1988, o álbum de estreia de Y Kant Tori Read foi lançado, não tendo uma boa recepção, deixando Amos desanimada e humilhada. Depois do fiasco, Amos começou a trabalhar com outros artistas (incluindo Stan Ridgway, Sandra Bernhard e Al Stewart) como backing vocal. Ela também gravou outra música, chamada “Distant Storm”, para o filme China O’Brien; nos créditos, a música é atribuída a uma banda chamada Tess Makes Good. Foi a única música gravada pela banda, e seu único lançamento comercial foi no filme.

Apesar do embaraço freqüente com relação à Y Kant Tori Read, Amos cantou várias músicas do álbum em seus shows. O álbum está fora de prensagem, e Amos não se interessa em relançá-lo.

A personagem Razor do clássico game para computadores Maniac Mansion, baseia-se na cantora/compositora, quando era vocalista do Y Kant Tori Read; um dos programadores do game possuía um disco da banda, cuja capa acabou inspirando na criação da personagem, sem jamais prever que futuramente Tori seria tão famosa.

Estreia e ascensão (1990-1996)

Apesar da má recepção de Y Kant Tori Read, Amos ainda tinha que cumprir seu contrato de seis discos com a Atlantic, que, em 1989, queria um álbum para março de 1990. As primeiras gravações que mostrou foram rejeitadas, com a justificativa de que “a fórmula da garota pianista não ia vender discos em um mercado de grunge, rock, rap e dance music no começo dos anos 90”. Exaustivamente retrabalhado e expandido com a ajuda de Steve Caton, Eric Rosse, Will McGregor, Carlo Nuccio e Dan Nebenzal, o disco acabou cheio de crueza, músicas emotivas recontando sua criação religiosa, despertar sexual, luta para afirmar sua identidade e lembranças do estupro. Os executivos da Atlantic mudaram de ideia ao ouvir a versão atualizada, com planos de promovê-la a herdeira de Joni Mitchell e Laura Nyro, ou ainda uma versão feminina de Elton John. Esperando que o tradicional mercado britânico de mente aberta acolhesse Amos para atingir depois os Estados Unidos, a Atlantic fez com que Amos tocasse em pequenos clubes ingleses no começo de 1991, preparando-a para o lançamento do novo álbum, chamado Little Earthquakes.

Durante esse período, Amos tornou-se amiga do autor Neil Gaiman, que se tornou seu fã após ser homenageado na música “Tear In Your Hand”, e também em entrevistas. A personagem Delírio, da série Sandman, de autoria de Gaiman (ou mesmo sua irmã Morte), é alegadamente baseada em Tori Amos. Gaiman passaria a ser um amigo de longa data e um colaborador. Seu álbum de 2006, Ferret Records, contém um verso de Tori no título (Where’s Neil When You Need Him? - Onde Está Neil Quando Você Precisa Dele?), além de uma música da cantora, Sister Named Desire. Amos também escreveu o prefácio de Morte: O Preço da Vida, outro livro de Gaiman.

Depois de sair em turnê para promover Little Earthquakes, em 1992, Amos viajou para o Novo México com seu parceiro pessoal e profissional, Eric Rosse, em 1993, para escrever e lançar mais amplamente seu segundo álbum solo, Under the Pink. Enquanto as inspirações para o álbum anterior foram acontecimentos na própria vida de Tori, as inspirações para esse foram outras: os trabalhos de Georgia O’Keffee e Salvador Dalí, os livros de Alice Walker, e a princesa russa Anastasia Romanov. Musicalmente, Amos se inspirou em compositores clássicos que ela estudou na infância, e colocou mais foco no seu solo de piano do que na instrumentação da banda. A complexidade musical de fundo clássico é particularmente evidente em faixas como “Icicle”, e “Yes, Anastasia”.

Em junho de 1994, Amos co-fundou o RAINN (The Rape, Abuse and Incest National Network), uma linha de ajuda sem fins lucrativos nos Estados Unidos, que conecta via telefone as vítimas de estupro aos centros de apoio de suas cidades. Em 1995 contribuiu para o álbum de tributos do Led Zeppelin, Encomium, com a música “Down by the Seaside”, um dueto com Robert Plant. Amos também co-escreveu/interpretou uma música chamada “It Might Hurt a Bit”, com o cantor Michael Stipe, do R.E.M., que seria usada na trilha do filme Don Juan DeMarco, o que não aconteceu. A música acabou nunca sendo lançada.

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